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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Os Mitos e seus Tipos

O grande questionamento quanto à origem da vida e do universo (e de tudo o mais de que não se tem a explicação), presente na psique humana desde a antiguidade (mesmo que de modo pouco desenvolvido), é o grande motor cultural que faz surgir o mito. Como uma narrativa transmitida ao longo do tempo através da fala (pois a escrita só chegou muito depois das primeiras criações mitológicas), o mito foi carregando elementos das diversas culturas e mentalidades pelas quais foi transmitido. Sendo assim, a mitologia foi, cada vez mais, impregnada com as mais diversas tentativas de justificar o desconhecido; surgiram os mitos sobre a criação do mundo (Cosmogonia), sobre a origem dos deuses ou forças que o regem (Teogonia) e sobre a origem da morte e o que viria após o fim de tudo (Escatologia), além de outros – sempre tentando achar a resposta para o que parece impossível ou sobrenatural.

Mitos Cosmogônicos
Geralmente, os mitos mais importantes numa cultura, e que se tornam modelos para os demais mitos, são os que tratam da origem do mundo e da vida, um grande questionamento da humanidade.
Em alguns contos, como na primeira parte do Livro do Gênesis, a criação do mundo se dá a partir do nada (creatio ex nihilo). Também os mitos egípcios, australianos, gregos e maias falam de uma força criadora pré-existente (geralmente atemporal, surgida de si própria, retratada como o Oceano, o Caos ou a Terra), que gera a vida por si só. Na cosmogonia chinesa, por exemplo, de Pan Gu surgem as duas forças universais do Yin e Yang, das quais forma-se todos os elementos. No hinduísmo, o Rig-Veda fala do nada original, onde o Grande Espírito criador, o Brahm Eterno(Espírito Eterno, Brahman, Brahma ou Deus), cria todas as coisas com o calor de sua respiração cósmica. Outras cosmogonias também apresentam a origem do cosmo como fruto de emanações divinas, como a partir do suor, do sêmen ou do sangue de um deus.
Nesses mitos, a deidade é quase sempre onipotente. No decorrer da narrativa mitológica, essa deidade pode permanecer como vanguarda e tornar-se o centro da vida religiosa (como ocorre com os Hebreus), ou pode retirar-se, tornando-se uma deidade distante, periférica (como nos mitos de gregos, maias ou de aborígines australianos).
Em outros mitos cosmogônicos, a criação é descrita como o emergir de mundos inferiores. Para os índios Zuni (da América do Norte), os Navajos e os Hopis, a criação resulta da ascensão progressiva de mundos subterrâneos, e o surgimento do último mundo é a progressão final no mundo da humanidade. Um mito polinésio apresenta as várias camadas do surgimento do mundo numa casca de coco. De modo análogo, surgiram os mitos do Ovo primevo (de onde nasce todo o universo), conhecidos na África, China, Índia, Grécia, Japão, e no sul do pacífico. Nesse mitos, a criação é simbolizada pela ruptura do ovo da fertilidade. O ovo é a possibilidade para toda a vida, e em alguns casos, como nos mitos do povo Dogon (da África Ocidental), é referido como “a placenta do mundo”.
Há também o mito do mundo proveniente de uma união de duas forças personificadas (“os pais” do universo). Na história da criação babilônica, o Enuma Elish, o casal divino Apsu e Tiamat têm de enfrentar sua própria descendência, por quem são derrotados. Com o corpo de Tiamat (a deusa mãe, personificação do mar), Marduk (deus protetor da Babilônia) constrói o universo; e com o sangue de Kingu (outro deus rebelde que fora vencido), ele cria os homens. Em mitos egípcios e polinésios de temática semelhante, os “pais do mundo” tiveram sua descendência, mas permaneceram firmemente unidos; a descendência, presa na escuridão, busca a luz. Assim, dá-se uma violenta separação do casal primordial, gerando-se a luz e o espaço que permitirá o surgimento da vida.
Sendo a água o elemento primordial mais freqüente nas cosmogonias, é dela que, em mitos difundidos na Romênia e na Índia, emerge a terra, trazida à tona por um espírito ou animal.
Para muitos mitos cosmogônicos, o ato do sacrifício tem grande valor. Na mitologia babilônica, é do corpo esquartejado de Tiamat que surge a terra, e nos Vedas hindus, Prajapati (o homem primordial, senhor dos seres) é sacrificado para que dele surjam o mundo e todas as formas de vida. Há também os mitos que descrevem o surgimento da humanidade partir de uma rocha ou de alguma árvore de importância cultural.

Mitos Escatológicos
Relacionados com os mitos cosmogônicos, mas de temática oposta, estão os mitos do fim do mundo (escatológicos) e da morte dos que nele vivem. Como a morte era apresentada na mitologia como algo estranho ao plano da criação, os mitos que versavam sobre sua origem traziam (de modo geral) três tipos diferentes de justificativa para seu surgimento. Em alguns mitos, fala-se de um tempo anterior em que se desconhecia a morte, uma era que foi interrompida por um acidente ou um erro cometido por alguém (instituindo-se a morte como castigo), ou mesmo para evitar a superpopulação. Outros mitos, geralmente de tradições culturais mais elaboradas, trazem a idéia de que, antes de surgir a morte, o homem era imortal e vivia no paraíso. A perda de sua imortalidade e sua expulsão do paraíso seriam punições aplicadas especificamente à humanidade, devido a alguma ofensa que esta praticara ao(s) seu(s) deus(es). No Gênesis, a morte sobreveio à humanidade quando esta desejou ultrapassar seus limites de conhecimento. Há também, em alguns mitos, a associação da morte como parte de um ciclo vital (análogo ao dos vegetais), tal como o nascimento e a sexualidade e perpetuação da vida. Esse era um pensamento possivelmente surgido de antigas comunidades agrícolas.
O mito escatológico pressupõe a criação do universo como obra de uma divindade que, como defensora da pureza da existência, haverá de destruir sua obra para dar lugar a uma outra, nova e melhorada. Enquanto este fim não chega, a humanidade é observada, julgada e preparada para uma existência posterior a seu fim, que pode ser paradisíaca ou de tormentos eternos, a depender de sua conduta nesta vida. Tais mitos podem ser vistos entre os ensinamentos dos hebreus, cristãos, mulçumanos e seguidores do zoroastrismo. Zoroastro (século VI a.C.) falou de Chinvat, uma ponte a ser atravessada após a morte, que permitia a passagem dos justos, mas estreitava-se aos malfeitores, fazendo-os cair no inferno. O zoroastrismo posterior elaborou a idéia de punição ou salvação, de ressurreição e de purificação final dos pecadores.
Na mitologia egípcia, a idéia desse julgamento pós-vida teve grande importância. Segundo suas lendas, o coração do morto era colocado num dos pratos de uma balança - no outro, colocava-se uma pena do deus Maat (simbolizando o que há de justo e verdadeiro) -, assim, Osíris julgava se o morto seria absolvido ou condenado. Na mitologia grega, segundo Homero, a morte representava a desintegração do corpo, permanecendo um espectro, que era levado ao Hades para ser julgado e condenado a vagar eternamente pelas sombras infernais. Mas no próprio pensamento mítico grego haviam outras correntes: os mistérios de Elêusis (referentes à deusa Deméter e sua filha Perséfone, símbolos da vida que renasce na primavera) prometiam aos seguidores a felicidade numa existência pós-morte; e o orfismo (referente a Orfeu, o primeiro mortal a descer ao Hades e retornar ao mundo superior), bem como a filosofia platônica, trazia a idéia da reencarnação (possivelmente oriunda do pensamento oriental).
O fim de toda a existência conhecida é retratado nos mitos escatológicos como conseqüência de um conflito em escala universal ou uma batalha final entre os deuses (situações típicas da mitologia Indo-européia, e muito presentes em seus ramos germânicos). Na mitologia Asteca, vários mundos são criados e destruídos pelos deuses até o surgimento do mundo habitado pelos homens. Há mitos que falam de uma grande devastação na terra ocasionada por uma inundação - não num futuro fim dos tempos, mas que já teria acontecido. A exemplo disso, há o famoso episódio do Antigo Testamento bíblico, em que Deus teria enviado como castigo à humanidade um dilúvio, do qual apenas seus eleitos foram salvos (não são raras as culturas em que se fala de um salvador que, antes da destruição final, surge para resgatar aqueles escolhidos para participar da futura reconstrução da existência). Quase todas as culturas pré-colombianas possuem mitos a respeito de dilúvios – temática que remonta aos antigos mitos mesopotâmicos.

Mitos Teogônicos
Nas várias mitologias, é comum a associação de acontecimentos como a morte ou fenômenos naturais a divindades reguladoras do universo. E, refletindo a estrutura das sociedades antigas, estas divindades possuíam distinções de poder entre si. E nessa hierarquia, geralmente preponderava um casal ou uma trindade divina.
Com o passar do tempo, esse poder podia mudar de mãos - tal como ocorria com os povos antigos (não eram raros os casos em que um povo, ao ser atacado e vencido por outro, tinha sua cultura e modo de vida modificados pelos novos dominadores). São freqüentes os mitos que falam de deuses que, tendo outrora governado (ou mesmo criado) a existência, são depostos por novos deuses (até mesmo seus descendentes); caracterizando uma freqüente disputa de poder, que não se dava somente entre deuses, mas entre diversas raças que, ao se julgarem suficientemente poderosas, tentavam tomar o poder universal.
Sendo toda a dinâmica da vida, bem como seus misteriosos ou inexplicáveis eventos (que não eram poucos à época dos “criadores” dos mitos), geralmente atribuídos aos desígnios de uma força divina, é comum às crenças antigas a formulação de mitos para explicar o surgimento de tais forças ou deuses. Assim, surgiram os mitos teogônicos (Teogonia vem das palavras gregas théos e gonia, significando “as coisas divinas, os seres divinos”, ou seja, os deuses).
Como uma das maiores referências desse gênero mitológico, temos a Teogonia, do poeta Hesíodo, do século VIII a.C. Na mitologia grega, Zeus (nome proveniente de dyeus pater, “o pai do céu” - da cultura proto-indo-européia, raiz de grande parte do que forma a cultura européia atual) é apresentado como o “pai dos deuses e dos homens”; não que ele os tivesse criado, mas que era o senhor supremo destes. Zeus conquistara seu poder ao derrotar o próprio pai, Cronos. Este, por sua vez, tornara-se o senhor do universo do mesmo modo, tomando o lugar de seu pai Urano, filho e esposo de Gaia (a Terra, que com Urano gerou Cronos e os demais titãs da raça dos uranianos - os primeiros controladores das forças universais -, além de outros seres de grande poder).
Havia uma freqüente tendência das mitologias européias a representar a soberania dividida em três funções divinas: um “soberano-sacerdote”, um “guerreiro” e um “cultivador-fecundardor”. Na mitologia escandinava, Odin, Thor e Freyr representavam estes papéis, respectivamente. Odin, senhor do Valhala (a grandiosa morada dos bravos heróis mortos em combate), era o soberano do cosmos. Thor, semelhante ao Indra védico ou o Ukko finlandês, era o deus guerreiro e senhor do trovão. A ele cabia a proteção da lei e da ordem em Midgard (a “terra do meio”, morada dos homens). Freyr, por sua vez, era o deus que regia o Sol, a chuva, os frutos e a fertilidade humana (sendo retratado com um gigantesco falo). No hinduísmo, há também uma divisão do poder cósmico entre três divindades: os deuses Brahma (o criador), Vishnu (o conservador) e Shiva (o destruidor), formando a Trimurti. Apesar dessa divisão nominal, para a crença hindu, todos os deuses citados em seus mitos são meramente manifestações do poder único que rege o cosmos, geralmente personificado em Brahman (Brahma, Brahm, Atman ou “O Grande Espírito”, o Absoluto). Brahma, como apenas criador do universo, não possui uma grande atuação nas narrações míticas. Vishnu, responsável por manter a ordem da criação, freqüentemente interfere nos problemas da terra, através de seus avataras (encarnações), sendo o mais conhecido deles o de Krishna (o grande transmissor dos ensinamentos trazidos no clássico Bhagavad Gita). Shiva é o deus encarregado de (ao fim de tudo) destruir toda a existência e guiar as almas de todos os seres ao reencontro com o Grande Espírito, seu lugar de origem.

Outros tipos de Mito
Além destes três principais gêneros míticos, há também outras classificações que podem ser referidas, como os mitos que descrevem como uma determinada cultura evoluiu com a descoberta de novas técnicas ou artefatos. A exemplo disso, temos o mito grego de Prometeu (apresentado na Teogonia de Hesíodo), que rouba o fogo divino para dá-lo aos homens. Estes, ao dominar o fogo, garantiram sua superioridade em relação aos demais seres. Na cultura Dogon, o ferreiro que rouba para a humanidade as sementes do silo dos deuses assemelha-se a Prometeu.
Há também os mitos que falam da fundação de grandes cidades e reinos (por seu grande poder ou exuberância, considerava-se que estes grandes reinos só poderiam ter surgido por milagre ou obra de um grande herói). Um exemplo é o mito de Rômulo e Remo, os irmãos gêmeos que teriam fundado Roma. Também há referências quanto à cidade de Lisboa, que antes teria sido Ulissipo, fundada por Ulisses (Odisseu, para os gregos) em certo momento de suas viagens (relatadas na Odisséia, de Homero).


Bibliografia:
Enciclopédia Barsa,
Encarta 96 Encyclopedia (versão em inglês)
Do Olimpo a Camelot, de David Leeming.

Extraído do Site Templo do Conhecimento - por Rafael Brito
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Tupã o Infinito e a Perfeição

Mito indígena da criação.


No início de todas as coisas, Tupã criou o infinito cheio de beleza e perfeição. Povoou de seres luminosos o vasto céu e as alturas celestes, onde está seu reino.

Criou então, a formosa deusa Jaci, a Lua, para ser a Rainha da Noite e trazer suavidade e encanto para a vida dos homens. Mais tarde, ele mesmo sucumbe ao seu feitiço e a toma como esposa. Jaci era irmã de Iara, a deusa dos lagos serenos.

Criou ainda, o forte deus Guaraci, deus do Sol, irmão de Jaci, o qual dá vida a todas as criaturas e preside o Dia.

Fez nascer também Icatú, o belo deus. Formou um lugar de delícias para os bons e um lugar tenebroso para os maus. Neste lugar vagam as almas sem vida e os espíritos dos guerreiros sem glórias ou fugidos das tribos. Tupã, após uma batalha, lançou para este lugar sombrio, seu temível e poderoso inimigo Anhangá. deus dos Infernos, chamando estes lugares de regiões infernais. Juntamente com este impiedoso deus, à este mundo subterrâneo também forma dirigidos: o jurupari que ficou conhecido como mensageiro deste deus cruel; Tice, que tornou-se esposa do deus das trevas; Xandoré (ave falconídea), o deus do ódio; Caramuru e o Boto; Abaçaí e Guandiro e muitos angás. Este era o reino do pavor, do ódio, da dor e da vingança.

No alto dos céus, sentado em seu trono, Tupã criou milhares de criaturas celestes que executavam suas ordens e o louvavam. Fez nascer sobre os verdejantes mares os Sete Espíritos e os gênios que sob as ordens do Boto deus dos abismos dos mares, governavam os oceanos e habitavam na sagrada Loca, que é a habitação dos deuses marinhos no fundo das águas.

Criou Pirarucú, deus do mal e deu vida ao alegre Curupira, deus protetor das florestas. Do
mesmo modo, nasceram as Sete Deusas:

Guaipira, a deusa da história

Pice a deusa da poesia

Biaça, a deusa da astronomia

Açutí, a deusa da escrita

Arapé, a deusa da dança

Graçaí, a deusa da eloqüência

Piná. a deusa da simpatia

Depois criou para a alimentação dos deuses, o divino Ticuanga, o bolo feito de massa de óleos e outras iguarias deliciosas para alimentar e deleitar os imortais. Mandou em seguida, preparar o sagrado Tapicurí, o vinho dos sacros deuses e Tamaquaré, a fina essência aromática usada pelos Senhores da Eternidade. Estabeleceu as horas, os minutos e os segundos. Fixou as estações e as mutações. Deu uma forma estável e regular ao Universo e instituiu o Nadir e o Zênite. Fez nascer a reciprocidade e criou:

Catú, o deus outonal

Mutin, o deus da primavera

Peurê, o senhor do verão

Nhará, que preside o inverno

Criou também Tainacam, a deusa das constelações. Igualmente deu vida as Tiriricas, as deusas da raiva, do ódio e da vingança. Colocou nas densas florestas o Caapora, deus vingativo, protetor das casas e dos animais e lhe deu o feroz porco caitetú, sobre o qual cavalgava o temido deus, protegendo os filhotes dos animais. Criou Aruanã, o deus da alegria e protetor dos Carajás e faz germinar no norte do Brasil as ricas e belas carnaubeiras, chamadas de árvores da vida.

Para concluir sua obra, Tupã veio ao mundo e fez o homem e deu-lhe como companheira a mulher e logo eles se multiplicaram e encheram toda a terra. O poderoso deus tomou então das suas criaturas e ensinou-lhes a arte de tirar do seio da terra, ricos legumes e frutas, trabalhar com barro e argila e do férreo Ubiratã, fazerem as mais fortes lanças e armas de guerra. Depois transmitiu aos homens todo o conhecimento sobre os remédios para todas as doenças. Finalmente, ensinou-lhes as artes que tornam a vida mais suave a amena. Abençoou o sagrado Ibiapaba, Monte Sagrado dos Deuses Brasileiros e nele permitiu a permanência das Parajás, do bondoso Inoquiué, das Parés, de Solfã e de outros deuses imortais. Até ele próprio lá comparecia, vez por outra.

Alegres viviam os homens, felizes cresciam as crianças. Todos os deuses gloriosos e imortais amavam-nos e davam-lhes formosos e ricos rebanhos de capivaras, pacas e cabras. Ao morrerem, os homens não sofriam, pois mergulhavam em doce sono, seus corpos voltavam à terra e suas almas subiam aos céus. A vida proporcionava todo o bem imaginável. A terra era fértil e produzia-lhes todas as árvores frutíferas que precisavam. Se algum mortal faltava com a veneração dos imortais, entretanto, era duramente castigado. Os deuses reuniam-se em assembléia na Monte Ibiapaba e enviavam as mensagens aos homens pelo alegre Curupira, o qual, possui os calcanhares para diante, os dedos para traz e habita as floresta, castigando todo aquele a destrói ou incendeia e é mais célebre do que Polo, o deus do vento.

Mas, eis que um dia, Anhangá, cheio de inveja, transformado numa bela e astuta jararaca gigante, soprou no ouvido dos homens a maldade e ainda que os outros deuses protetores vagassem em torno deles para ajudá-los, nada conseguiram. Então começaram os homens a serem dominados por grande ambição e as Parajás, deusas do bem, da honra e da justiça, que eram inseparáveis, envolveram o corpo com brancas plumas e abandonaram os mortais, voltando para junto dos deuses eternos e a escura deusa Sumá (deusa inimiga dos homens), envolvida em negra manta, feita de cipó chumbo, vagou pela terra, espalhando ódio e discórdia. Deste modo os maus sentimentos ganharam o mundo e os mortais tiveram o conhecimento do mal, da injustiça e amaram mais a maldade do que as belas virtudes.

No alto dos céus, com os outros deuses, Tupã dominava, desde o começo dos tempos e numa grande batalha, vencera o cruel deus Anhangá, senhor dos infernos e seu irmão, o deus Xandoré.

Com o seu poder, Tupã aprisionou o deus do ódio na sagrada serra do Ibiapaba. Algum tempo depois, ele foi solto por Jururá-Açu a bela imortal. Por castigo, Tupã, fez nascer nas costas desta deusa uma espécie de concha, e cobriu-lhe o corpo todo como uma cor amarelada e Jururá-Açu transformou-se na feia e horrível tartaruga que habita as águas doces dos rios. Assim, pode Tupã se gloriar de ter vencido todos os que se opunham à ele.

Mas agora Tupã arrependeu-se de ter criado os homens! Voltou ele então à Ibiapaba e se reuniu em assembléia com os imortais. Depois de muita discussão, chegaram à um consenso que deveriam destruir a terra e todos os homens.

Já Caramurú, deus que presidia as faíscas e as ondas revoltas dos grandes oceanos, por ordem do Conselho Divino, queria derramar sobre a terra os seus raios e curiscos, mas o deus do trovão decidiu que a terra deveria ser engolida pelas águas da chuva.

Desta forma, Polo aprisionou os ventos na forte e gigante palmeira ubuçú, mo Monte Araçatuba. Boto desceu à terra, convocou todos os grandes e pequenos rios e Iara, raivosa, ordenou as fontes e as chuvas que caíssem abundantemente durante quarenta dias e noites, sem cessar.
Os Sete Espíritos dos grandes oceanos por ordem do Boto, atiraram para a terra seca, bravias ondas dos mares e fortes aguaceiros despencaram dos céus. As janelas celestes se abriram e as plantações dos Tupis quedaram-se sob o peso das águas e da tempestade. As águas invadiram toda a terra levando com elas as ocas, as tabas, as árvores e os templos. Os animais se debatiam nas ondas. Tribos numerosas eram engolidas pela inundação e os que escapavam das águas, morriam nas alturas dos montes por determinação de Tupã.

Quando Tupã olhou para a terra, viu o mundo submerso em águas mortas e apenas um casal de homens reverentes para com os eternos, contemplava os céus: Açu e Pirá. Neste instante o senhor dos mundos, fez baixar as águas e surgiram novamente as montanhas, a planície e a terra seca.

Açu olhou a sua volta e viu tudo mergulhado no silêncio da morte. As lágrimas começaram a molhar sua face, quando perguntou a Pirá:

- Somente nós não sucumbimos no cataclismo, o que faremos sós e abandonados nesta imensidão?

Os dois suplicaram entre salgadas lágrimas que a meiga e doce deusa Caupé para que os ajudassem a recuperar toda a geração morta Ouvindo tais súplicas a deusa desceu e falou-lhes:

- Olhai três vezes para os céus e dizei: descobrimo-nos perante vós deuses imortais, curvamos as nossas cabeças perante vossas ordens. Depois, tomai grande porção de areia e atirai para o alto.

Não hesitando um só momento em executar os tais ensinamentos da deusa e mal atiraram os grãos de areia, viram que deles surgiram imagens, formas humanas. E, desse modo, com o auxílio divino, nasceram milhares de homens e mulheres e essa geração humana vindo de um só ramo Tupi, encheu todo o lendário Brasil.

Depois de algum tempo, Açú e Pirá tiveram um filho, Tujubá, o ascendente dos tupinambás. Os filhos deste foram: Arumã, o herói, Moema, Taparica, que foi pai de Paraguassú, Irapuã, Tibiriça que foi pai de Bartira, esposa do guaraciaba (João Ramalho), fundador de Piratininga, Tamará, Jucuré o semi mortal, Icundi, e o belo Gunzá, Araribóia, o valente, Taparica, o invencível, Paumá, o navegador, Inhampuambuçu, o vingativo, Poti, o guerreiro e Mendicapuba e a formosa Agniná.

Amor, Paz e Luz!
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domingo, 19 de abril de 2015

Os Deuses dos Índios brasileiros





Nhanderu e a roda dos mundos


Nhanderu também chamdo de Iamandu (o deus sol) cuja expressão é Tupã (trovão) junto com Araci tambem chamada iaci ou jaci (a deusa lua) são as duas primeiras entidades do Edhen a cruzar a barreira com paradísia na América do Sul num lugar descrito como um Monte na região do Aregúa (paraguai). E de lá criaram os animais, plantas da américa do sul e as primeiras criaturas místicas , iniciando o povoamento de paradía.


Nhenderu criou Rupave e Sypave em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e do mal. Rupave e Sypave ("Pai dos povos" e "Mãe dos povos") tiveram três filhos e um grande número de filhas. O primeiro dos filhos foi Tumé Arandú, considerado o mais sábio dos homens e o grande profeta do povo Guarani. O segundo filho foi Marangatu, um líder generoso e benevolente do seu povo, e pai de Kerana, a mãe dos sete montros legendários do mito Guarani. Seu terceiro filho foi Japeusá, que foi, desde o nascimento, considerado um mentiroso, ladrão e trapaceiro, sempre fazendo tudo ao contrário para confundir as pessoas e tirar vantagem delas. Ele eventualmente cometeu suicídio, afogando-se, mas foi ressucitado como um caranguejo, e desde então todos os caranguejos foram amaldiçoados para andar para trás como Japeusá.



Mito guarani da criação

A figura primária na maioria das lendas guaranis da criação é Iamandu (ou Nhanderu ou Tupã), o deus Sol e realizador de toda a criação. Com a ajuda da deusa lua Araci, Tupã desceu à Terra num lugar descrito como um monte na região do Aregúa, Paraguai, e deste local criou tudo sobre a face da Terra, incluindo o oceano, florestas e animais. Também as estrelas foram colocadas no céu nesse momento.



Tupã então criou a humanidade (de acordo com a maioria dos mitos Guaranis, eles foram, naturalmente, a primeira raça criada, com todas as outras civilizações nascidas deles) em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e do mal e partiu.

Nhanderuvuçú é considerado Deus supremo na religião primitiva dos índios brasileiros.

Nhanderuvuçú não tem forma humana a chamada forma antropomórfica, é a energia que existe, sempre existiu e existirá para sempre, portanto Nhanderuvuçú existe mesmo antes de existir o Universo.

A única realidade que sempre existiu, existe e existirá para sempre é a energia a qual os índios brasileiros identificam como Nhanderuvuçú.

No princípio ele criou a alma, que na língua tupi-guarani diz-se "Anhang" ou "añã" a alma; "gwea" significa velho(a); portanto anhangüera "añã'gwea" significa alma antiga.

Nhanderuvuçú criou as duas almas e, das duas almas (+) e (-) surgiu "anhandeci" a matéria.

Depois ele disse para haver lagos, neblina, cerração e rios.

Para proteger tudo isso, ele criou Iara.

Nhanderuvuçú criou também Caaporã o protetor das matas por si só nascidas e protetor dos animais que vivem nas florestas, nos campos, nos rios, nos oceanos, enfim o protetor de todos os seres vivos.

Caaporã quando é evocado para proteger as plantas plantadas junto aos roçados dos índios é chamado por eles de forma carinhosa com o cognome de Ceci.

Caaporã em língua tupi-guarani significa "boca da mata "Caa = boca e Porã = mata"

Dizem as lendas que no meio dos animais protegidos por Caaporã apareceu mais um casal de animais.

A primeira mulher, Amaú (Sypave) e, o primeiro homem, Poronominare (Rupave).



Primeiros humanos

Os humanos originais criados por Tupã eram Rupave e Sypave, nomes que significam "Pai dos povos" e "Mãe dos povos", respectivamente. O par teve três filhos e um grande número de filhas. O primeiro dos filhos foi Tumé Arandú, considerado o mais sábio dos homens e o grande profeta do povo Guarani. O segundo filho foi Marangatu, um líder generoso e benevolente do seu povo, e pai de Kerana, a mãe dos sete monstros legendários do mito Guarani (veja abaixo). 

Seu terceiro filho foi Japeusá, que foi, desde o nascimento, considerado um mentiroso, ladrão e trapaceiro, sempre fazendo tudo ao contrário para confundir as pessoas e tirar vantagem delas. Ele eventualmente cometeu suicídio, afogando-se, mas foi ressuscitado como um caranguejo, e desde então todos os caranguejos foram amaldiçoados para andar para trás como Japeusá.

Entre as filhas de Rupave e Sypave estava Porâsý, notável por sacrificar sua própria vida para livrar o mundo de um dos sete monstros legendários, diminuindo seu poder (e portanto o poder do mal como um todo).

Crê-se que vários dos primeiros humanos ascenderam em suas mortes e se tornaram entidades menores.



Os sete monstros legendários

Kerana, a bela filha de Marangatu, foi capturada pela personificação ou espírito mau chamado Tau. Juntos eles tiveram sete filhos, que foram amaldiçoados pela grande deusa Arasy, e todos exceto um nasceram como monstros horríveis. Os sete são considerados figuras primárias na mitologia Guarani, e enquanto vários dos deuses menores ou até os humanos originais são esquecidos na tradição verbal de algumas áreas, estes sete são geralmente mantidos nas lendas. Alguns são acreditados até tempos modernos em áreas rurais. Os sete filhos de Tau e Kerana são, em ordem de nascimento:

1 - Teju Jagua, deus ou espírito das cavernas e frutas
2 - Mboi Tu'i, deus dos cursos de água e criaturas aquáticas
3 - Moñai, deus dos campos abertos. Ele foi derrotado pelo sacrifício de Porâsý
4 - Yacy Yateré, deus da sesta, único dos sete a não aparecer como monstro
5 - Kurupi, deus da sexualidade e fertilidade
6 - Ao Ao, deus dos montes e montanhas
7 - Luison, deus da morte e tudo relacionado a ela


O Mito: A criação da Noite

Nas Aldeias de todo o mundo, nas terras dos índios, era sempre dia. Nunca havia noite, estava sempre claro. Os homens não paravam de caçar, nem as mulheres de limpar, tecer e cozinhar. O sol ia do leste ao oeste e depois refazia o caminho, ia do oeste ao leste, seguindo assim.

Mas teve um dia que o caso mudou. Quando Tupã, aquele que controlava tudo, havia saído para caçar, um homem muito curioso tocou no frágil Sol para saber como funciona. Então o Sol que dava luz e calor havia se apagado, havia quebrado em mil pedacinhos. Então as trevas haviam reinado na aldeia.

Tupã não se conformou com tal atitude do homem, e o transformou em um novo animal, que tinha as mão douradas como o Sol que brilhava. E deu-se o nome àquele bicho de macaquinho-de-mão-d'ouro. Tupã então tratou de refazer o Sol. Mas ele só ia ao oeste e não conseguia voltar. Então criou assim a Lua e as estrelas para iluminarem a noite. E assim ia, o Sol ia até o poente, não voltava, e então vinha a Lua e as estrelas. Acabava a noite e o Sol voltava. mas o sol sempre sorrindo ia e um dia viu a lua orgulhoso do que fez

Enfim os índios Brasileiros adoram o que existe de fato, adoram somente o que é realmente real, os fenômenos naturais, o clima, a natureza, apenas as coisas reais. "A realidade é a única verdade em que podemos acreditar".

"Tupã-Cinunga" ou "o trovão", cujo reflexo luminoso é tupãberaba, ou relâmpago cuja voz se faz ouvir nas tempestades sua morada é o Sol.

Tupã representa um ato divino, é o sopro da vida, e o homem a flauta em pé, que ganha a vida com o fluxo que por ele passa."





O PANTEÃO 

ANGATUPRI - Espírito ou personificação do bem

ANHANGÁ - Deus Infernal

ANHUM - Deus do Canto e da Música, neto de Tupã tocava Taré.

ARACI - Na mais longínqua e remota antiguidade, Itaquê, o mortal, amou a imortal Deusa Lua Jaci. Dessa união, nasceu Araci, que ao morrer, foi elevada aos céus por sua mãe, tornando-se a ninfa das manhãs e da aurora.

BOTO - Deus dos abismos dos mares, que governa os oceanos e habita a sagrada Loca, que é a habitação dos Deuses marinhos no fundo das águas. 

COROACY - Deusa Solar ou a Mãe do Dia. Ela representa a primeira visão do Sol matinal.

CURUPIRA - Foi enviado para terra por Tupã para proteger os campos e florestas.

CY - A Mãe de Todos, a encarnação da Terra e de todos os ventres grávidos.

DEUSA ARANHA - Deusa tecelã da vida que trouxe nos fios de sua teia os Caiapós do espaço para habitar a Terra.

GUARACY - Deus Sol.

IAVU-RÊ-CUNHÃ - Duende da Mata dos Kamaiurá.

JACY - Deusa-Lua, a poderosa Mãe da Noite e Senhora dos Deuses. Tem duas formas: Jacy Omunhã (Lua Nova) e Jacy Icaua (Lua Cheia).

JURUTI - A Mãe dos rios.

KATXURÉU - Deusa da Morte dos indígenas.

MARA- Deusa das Trevas.

MULHER ARARA - Deusa Mãe que possui o poder de transformar-se tanto em pássaro como em mulher.

NAIÁ - Fada que habita a flor da planta conhecida por Vitória-Régia.

NETE BEKU - Deusa Mãe que ensinou aos Kaninawás sobre o uso dos vegetais.

NHARÁ - Deus do Inverno.

PÉDLERÉ - Deusa da Morte dos índios krahôs.

PÔLO - Deus do Vento e Mensageiro dos Deuses.

POMBERO - Um espírito popular de travessura

PYTAJOVÁI - Deus da guerra

RUDÁ - Deus do Amor, encarregado da fertilidade e da reprodução.

SETE ESTRELO - O Deus das Plêiades.

SUMÁ - Deusa da Ira, que envolta em uma manta negra de cipó chumbo, vagava pela terra, espalhando ódio e discórdia. Era uma Deusa Guerreira que orientava e protegia a agricultura. Uma lenda bem antiga, afirma ser ela filha legítima de Tupã e Jaci.

TAMBA-TAJÁ - Deus do Amor.

TAU - Deus/Espirito do Mau.

TATAMANHA - Deusa das Labaredas e das faíscas.

TICÊ - Esposa de Anhangá (Deus Infernal).

TIRIRICAS - Deusas da Raiva, do Ódio e da Vingança.

TOLORI - Deus da Tempestade e inimigo das mulheres.

TUPÃ - (que na língua tupi significa trovão) é uma entidade da mitologia tupi-guarani.

Os indígenas rezam a Nhanderuvuçu e seu mensageiro Tupã. Tupã não era exatamente um deus, mas sim uma manifestação de um deus na forma do som do trovão. É importante destacar esta confusão feita pelos jesuítas.Nhanderuete, "o liberador da palavra original", segundo a tradição mbyá, que é um dialeto da língua guarani, do tronco lingüístico tupi, seria algo mais próximo do que os catequizadores imaginavam.

Câmara Cascudo afirma que Tupã "é um trabalho de adaptação da catequese". Na verdade o conceito "Tupã" já existia: não como divindade, mas como conotativo para o som do trovão (Tu-pá, Tu-pã ou Tu-pana, golpe/baque estrondante), portanto, não passava de um efeito, cuja causa o índio desconhecia e, por isso mesmo, temia. Osvaldo Orico é da opinião de que os indígenas tinham noção da existência de uma Força, de um Deus superior a todos. Assim ele diz: "A despeito da singela idéia religiosa que os caracterizava, tinha noção de Ente Supremo, cuja voz se fazia ouvir nas tempestades – Tupã-cinunga, ou "o trovão", cujo reflexo luminoso era Tupãberaba, ou relâmpago. Os índios acreditavam ser o deus da criação, o deus da luz. Sua morada seria o sol

Para os indígenas, antes dos jesuítas os catequizarem, Tupã representava um ato divino, era o sopro, a vida, e o homem a flauta em pé, que ganha a vida com o fluxo que por ele passa.

UALAIMKÍPIA - Deusa-Pássaro da Morte equivalente a Deusa grega Hécate.

UIAPURU - O Deus do amor do mundo alado, o pássaro encantado considerado o orfeu amazônico.

VITÓRIA RÉGIA - Deusa-fada do reino vegetal.

XUNDARUÁ - Deusa Peixe-Boi padroeira da pesca e dos pescadores. 

YARA - (também chamada de "Mãe das Águas"), segundo o Mitologia Índigena, é uma lindissima Sereia morena, de longos cabelos negros e olhos castanhos, que costuma banhar-se nos Rios e Cachoeiras, cantando uma Melodia de Beleza irresistível. Os homens que a vêem não conseguem resistir a seus desejos e pulam nas Águas, e ela então os leva para o fundo; quase sempre não voltam vivos. Os que voltam ficam loucos, e apenas uma benzedeira ou algum ritual realizado por um Pajé consegue curá-los. Os Índios têm tanto medo da Iara que procuram evitar os lagos ao entardecer.Iara antes de ser sereia era uma índia guerreira, a melhor de sua tribo. Seus irmãos ficaram com inveja de Iara pois ela só recebia elogios de seu pai que era pajé, e um dia eles resolveram tentar matá-la. De noite quando Iara estava dormindo seus irmãos entraram em sua cabana só que como Iara tinha a audição aguçada os ouviu e teve que matá-los para se defender, e com medo de seu pai fugiu. Seu pai propôs uma busca implacável por Iara. E conseguiram pegá-la, como punição Iara foi jogada bem no encontro do rio Negro e Solimões, os peixes a trouxeram a superfície e de noite a lua cheia a transformou em uma linda sereia, de longos cabelos negros e olhos castanhos.
Era o deus dos peixes. Era , segundo outros, a Sereia ou Mãe d'água, pois Y-Yára quer dizer - a que mora na água. A raça desses monstros marinhos chamavam de Y-Yára-ruoiara.

YANUBÊRI - Avó ancestral indígena muito poderosa.

YEBÁ BELÓ - A Avó do Universo.
“Yebá Beló fez a si mesma a partir de utensílios invisíveis e pensava em como deveria criar o mundo. Ainda não havia luz, Yebá então criou três trovões, do primeiro fez surgir Emeko, um ser invisível, do segundo Emeko criou o Sol e com poder concedido por Yebá Beló criou o homem. Do último trovão Emeko criou os animais. Yebá formou ainda a terra, com sementes do seu seio esquerdo e adubando com leite do seio direito. A criação se dá por completo, quando dois índios, Curu e Rairu, enviados por Tupã, estendem uma corda e puxam pessoas por um buraco na terra, dando início a povoação do mundo”

YUSHÃ KURU - Deusa feiticeira ou curandeira que ensinou os xamãs kaxinawás a curar. Conhecida também como a Fêmea Roxa, deu muitos conselhos e surgiram os remédios. Uns eram venenos para matar: olho forte, Beru Paepa. Mijo amargo, Isü Muka. Outro para coceira, Nui. A velha Fêmea Roxa observava bem as folhas e os pés das árvores: ─ Esse mato não é remédio forte.

E assim foi... Surgiram muitos remédios, todos os remédios que têm na mata. Remédio bom que cura as pessoas. Bom para picada de cobra, picada de escorpião, aranha, reumatismo e fígado.A Fêmea Roxa,
Yushã Kuru, conhecia bem todas as folhas desses remédios.

Depois não ensinava vira mais ninguém. Usava todos esses remédios sempre escondida de todo mundo. Até que um dia, a velha Fêmea começou a ensinar para neto dela, o tubo de sua filha. Ensinava a ele todos os remédios da mata que sabia. Ensinava também como preparar estes remédios. Também ensinava o remédio forte e venenoso para colocar feitiçono outro. E experimentava com ele para saber se ele tinha aprendido tudo que sua avó sabia.
Aprendeu a preparar o veneno para botar feitiço no outro. E, as vezes, com mato venenoso, tirar o espírito da pessoa.Quando a mulher moça ou o homem rapaz crescia bonito, ela botava feitiço. Quando o homem era trabalhador, a mulher fazia artesanato e quando esculhambava com a velha Fêmea Roxa ela também botava feitiço para essas pessoas morrerem.

Na aldeia, o povo nau sabia o que a Fêmea Roxa fazia. Passou muito tempo sem ninguém perceber a situação.


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quinta-feira, 12 de março de 2015

Oração Celta




















Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre
Encaradas como lições de vida.
Que a música seja tua companheira
De momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna
Que os teus olhos sejam dois sóis
Olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas
De tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da
Amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço,
Esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa E se transforma,
Quando a alma é Grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente,
Para que tu percebas a ternura invisível,
Tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalento te acompanhe,
Na terra ou no espaço, e por onde
Quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores,
O teu viver e a tua passagem pela vida,
Sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.
Aquele amor que não se explica, só se sente.
Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente
No Centro do teu ser.
Que este amor transforme os teus dramas em luz,
A tua tristeza em celebração, e
Os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças
Da presença que está em ti e em
Todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de
Paz e Luz!


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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Fogo e as Danças Associadas ao Antigo Festival de Beltaine



Nesta temporada ainda é feita memorável na Irlanda por fogos de iluminação em cada colina, de acordo com o uso pagão antigo, quando os fogos se acenderam Baal como parte do ritual de adoração do sol, ainda que agora eles são acesas em honra de St. John. A grande fogueira do ano ainda é feita na véspera de São João, (30 de abril), quando todos dançam o povo em volta dele, e cada jovem assume uma marca iluminada da pilha para trazer para casa com ele para a boa sorte para a casa.

Nos tempos antigos, o fogo sagrado era iluminado com grande cerimônia em Midsummer Eve (Solstício de Verão), e naquela noite todas as pessoas do país adjacente vigiavam fixa no promontório de Howth oeste, e no momento o primeiro flash era visto desde que ponto o fato de ignição foi anunciado com gritos selvagens e aplausos repetidos de aldeia em aldeia, quando todos os fogos locais começaram a arder, e Irlanda foi circundado por um cordão de fogo subindo em todas as colinas. Em seguida, a dança e a música começa em torno de cada fogo, e as aclamações selvagens encheram o ar com a folia mais frenético.

Druidic-People2.gif (77454 bytes)Muitos desses costumes antigos ainda continuou, e os incêndios ainda estão acesas na véspera de São João em todo o outeiro na Irlanda. Quando o fogo já queimou a uma luz vermelha dos jovens tira para a cintura e saltar por cima ou através das chamas, o que é feito frente e para trás várias vezes, e quem chama os maiores guerreiros é considerado o vencedor sobre os poderes do mal , e é recebido com aplausos tremenda. Quando o fogo queima-se ainda mais baixos, as jovens salto a chama, e aqueles que salto limpa mais de três vezes para trás e para frente serão determinados de um casamento rápido e boa sorte no após vida, com muitos filhos. 

As mulheres casadas, em seguida, percorrer as linhas do brasas, e quando o fogo é quase queimado e pisada, o gado ao sobreano são conduzidos através das cinzas quentes, e sua parte traseira é chamuscado com um iluminado galho de avelã. Essas varas são mantidas depois com segurança, sendo considerada de imenso poder para conduzir o gado para os locais de rega.  

Com o fogo cresce a euforia, a música, a dança começa, enquanto profissionais contadores de histórias narram contos de fadas, ou dos bons e velhos tempos há muito tempo, quando os reis e príncipes da Irlanda habitaram entre seu próprio povo, e havia comida para comer e para beber vinho para todos os cantos para a festa na casa do rei.

Quando a multidão finalmente se dispersa, cada um leva para casa uma marca do fogo e de grande virtude é anexado a iluminada Coroa que é transportado em segurança para a casa sem quebrar ou cair no chão. 
Muitas competições também surgem entre os jovens, para quem entra em sua casa pela primeira vez com o fogo sagrado traz a boa sorte do ano com ele.

No primeiro domingo de Verão todos os jovens costumava ficar em linhas depois de sair da capela, a ser contratado para o serviço - as meninas de mãos dadas e de branco, os homens jovens, cada um com um emblema de seu ofício. A noite terminou com uma dança e a folia foi mantido até o amanhecer do dia seguinte, chamado de "Triste segunda-feira," por causa do fim do prazer e da brincadeira.

Fonte: Wilde 'Speranza' Lady - Legends Antiga, Charms Mystic, e as superstições da Irlanda. publicado pela primeira vez 1888. Reproduzido por O'Gorman Ltd. Galway, na Irlanda. 1971.

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