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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O passeio dos bois da páscoa - Póvoa de Varzim

O "passeio dos bois da páscoa" cumpria uma tradição cuja origem se desconhece e que nas últimas décadas foi caindo em desuso.

Realizava - se na Quinta Feira Santa e tinha por fim mostrar as gordas e luzidias rezes destinadas a abate para consumo na quadra da páscoa.

O gado carregava vistosas cangas em madeira lavrada ou pintada era enfeitado com garridos ramos de flores e fitas vermelhas, e arreados com típicos chocalhos que produziam o seu característco e festivo tilintar. Raparigas escolhidas pelo seu garbo e beleza, vestiam lindos trajes regionais em que sobressaiam arrecadas e grossos cordões de ouro com corações de filigrana e amuletos, o que emprestava cor e vida ao desfile, trasformando o passeio dos bois num interessante e colorido cortejo etnográfico. A "chamadeira", de fueiro em riste, seguia na frente, e tinha a seu lado o "marchante", proprietário do gado, com o seu melhor fato, e cajado na mão. As moças de soga conduziam o gado e os tangedores espicaçavam - no para lhe estimular o andar.

O luzido cortejo percorria assim as ruas da Póvoa de Varzim perante o olhar interessado da multidão entre a qual se encontravam criadores e marchantes de toda a região. De quando em quando o cortejo parava para que os marchantes oferecessem às suas comitivas refrescante vinho em canecas de barro, depois do que prosseguia até à praça do Almada.

Ali, frente ao edifício da câmara , esperavam - no as autoridades mais representativas do concelho que assistiam à passagem das rezes e classificavam as melhores, atribuindo prêmios e medalhas comemorativas aos respectivos proprietários e as "chamadeiras".

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quinta-feira, 12 de março de 2015

Oração Celta




















Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre
Encaradas como lições de vida.
Que a música seja tua companheira
De momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna
Que os teus olhos sejam dois sóis
Olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas
De tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da
Amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço,
Esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa E se transforma,
Quando a alma é Grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente,
Para que tu percebas a ternura invisível,
Tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalento te acompanhe,
Na terra ou no espaço, e por onde
Quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores,
O teu viver e a tua passagem pela vida,
Sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.
Aquele amor que não se explica, só se sente.
Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente
No Centro do teu ser.
Que este amor transforme os teus dramas em luz,
A tua tristeza em celebração, e
Os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças
Da presença que está em ti e em
Todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de
Paz e Luz!


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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Fogo e as Danças Associadas ao Antigo Festival de Beltaine



Nesta temporada ainda é feita memorável na Irlanda por fogos de iluminação em cada colina, de acordo com o uso pagão antigo, quando os fogos se acenderam Baal como parte do ritual de adoração do sol, ainda que agora eles são acesas em honra de St. John. A grande fogueira do ano ainda é feita na véspera de São João, (30 de abril), quando todos dançam o povo em volta dele, e cada jovem assume uma marca iluminada da pilha para trazer para casa com ele para a boa sorte para a casa.

Nos tempos antigos, o fogo sagrado era iluminado com grande cerimônia em Midsummer Eve (Solstício de Verão), e naquela noite todas as pessoas do país adjacente vigiavam fixa no promontório de Howth oeste, e no momento o primeiro flash era visto desde que ponto o fato de ignição foi anunciado com gritos selvagens e aplausos repetidos de aldeia em aldeia, quando todos os fogos locais começaram a arder, e Irlanda foi circundado por um cordão de fogo subindo em todas as colinas. Em seguida, a dança e a música começa em torno de cada fogo, e as aclamações selvagens encheram o ar com a folia mais frenético.

Druidic-People2.gif (77454 bytes)Muitos desses costumes antigos ainda continuou, e os incêndios ainda estão acesas na véspera de São João em todo o outeiro na Irlanda. Quando o fogo já queimou a uma luz vermelha dos jovens tira para a cintura e saltar por cima ou através das chamas, o que é feito frente e para trás várias vezes, e quem chama os maiores guerreiros é considerado o vencedor sobre os poderes do mal , e é recebido com aplausos tremenda. Quando o fogo queima-se ainda mais baixos, as jovens salto a chama, e aqueles que salto limpa mais de três vezes para trás e para frente serão determinados de um casamento rápido e boa sorte no após vida, com muitos filhos. 

As mulheres casadas, em seguida, percorrer as linhas do brasas, e quando o fogo é quase queimado e pisada, o gado ao sobreano são conduzidos através das cinzas quentes, e sua parte traseira é chamuscado com um iluminado galho de avelã. Essas varas são mantidas depois com segurança, sendo considerada de imenso poder para conduzir o gado para os locais de rega.  

Com o fogo cresce a euforia, a música, a dança começa, enquanto profissionais contadores de histórias narram contos de fadas, ou dos bons e velhos tempos há muito tempo, quando os reis e príncipes da Irlanda habitaram entre seu próprio povo, e havia comida para comer e para beber vinho para todos os cantos para a festa na casa do rei.

Quando a multidão finalmente se dispersa, cada um leva para casa uma marca do fogo e de grande virtude é anexado a iluminada Coroa que é transportado em segurança para a casa sem quebrar ou cair no chão. 
Muitas competições também surgem entre os jovens, para quem entra em sua casa pela primeira vez com o fogo sagrado traz a boa sorte do ano com ele.

No primeiro domingo de Verão todos os jovens costumava ficar em linhas depois de sair da capela, a ser contratado para o serviço - as meninas de mãos dadas e de branco, os homens jovens, cada um com um emblema de seu ofício. A noite terminou com uma dança e a folia foi mantido até o amanhecer do dia seguinte, chamado de "Triste segunda-feira," por causa do fim do prazer e da brincadeira.

Fonte: Wilde 'Speranza' Lady - Legends Antiga, Charms Mystic, e as superstições da Irlanda. publicado pela primeira vez 1888. Reproduzido por O'Gorman Ltd. Galway, na Irlanda. 1971.

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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Celebrando Oimelc


Por Nyctaluz Noctula em agradecimento pela celebração de Oimelc de 2012




Passaram as sombras do período escuro,
Dádiva de Samhain que nos transformou,
Abrem-se os olhos pra um novo futuro,
Com a paz da vitória a alegria chegou.


Brigid vem, é Oimelc novamente,
Já chegamos ao seu Festival,
Vejo o mundo fazer-se silente,

Vem trazendo inspiração sem igual.

Quando tudo está preparado
Os amigos encontro outra vez,
É maravilhoso ainda tê-los ao lado,
Com as mudanças que a vida fez.


Oferendas no altar, na alma alegria,
Celebrando Brigid, honrando a beleza,
Ao calor desse fogo a gente rodopia,
Bailando na luz em meio a natureza.


Ensinamentos que o caminho traz,
Purificam ainda mais nossa essência,
Renovação que tanto bem nos faz,
Aumentando sempre a consciência.


Na presença da nobre senhora,
Deusa da vida e da inspiração,
Festejamos e em muito boa hora,
A felicidade enche o coração.


Vem a força, a beleza a poesia
Em nossa percepção auxiliando,
Tudo claro, chegou o novo dia
 E o caminho seguimos trilhando.
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domingo, 4 de março de 2012

Contos e Lendas da Mitologia Celta.......






Contos e Lendas da Mitologia Celta
Ilustrado por Mauricio Negro

Talvez a Mitologia Celta seja menos conhecida que a grega ou romana, embora seus contos e lendas sobre os feitos de heróis e deuses de modo algum sejam de  inferior beleza.
Este é um livro recomendado para os admiradores das lendas célticas.  O autor Christian Léourier narra diversas de algumas das lendas mais importantes da Mitologia Celta.
Entre tais gloriosas lendas, Lug assegura o triunfo das tribos de Dana sobre os monstros vindos do caos. Enquanto Pwyll conquista o reino dos mortos e o amor de uma deusa. Cûchulainn, sozinho, enfrenta um exercito inteiro. Temos também a lenda sobre a paixão de Diarmaid e Grainne, que mais tarde inspiraria a lenda de Tristão e Isolda.
Chocando-se com o cristianismo, a mitologia celta logo foi caçada pela Igreja sob a alegação de eliminar os vestígios do paganismo. Tais lendas, portanto,  chegaram até nós pelas transcrições de monges irlandeses e do Pais de Gales, por escritos dos historiadores da Antiguidade e descobertas arqueológicas.

Contos e Lendas contidas no livro:
1. O erro do rei Nuada
2. A segunda batalha de Mag Tured
3. A busca dos filhos de Tuireann
4. O Príncipe do Abismo
5. A cavaleira de Aberth
6. A montanha sobre o mar
7. A mulher mais bonita do mundo
8. A fraqueza dos ulates
9. O pedaço do herói
10. O touro Castanho de Cualnge
11. Um voo de cisnes
12. O rei sem reino
13. O casamento de Fionn
14. O ciúme de Fionn
15. A ilha das mulheres
16. O príncipe dos bardos.
Posfácio
Mapa: a expansão dos celtas no século III a.C.
Mapa: A Irlanda e a Bretanha no tempo dos celtas
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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Lugos

 Lugos ou Lug, é um Deus Celta, representado em muitas Lendas como sendo o triunfo da Luz sobre a Escuridão. Ele é o Guardião legítimo da Lança Mágica de Glorias e era particularmente associado ao uso da funda (arma feita de pele de animal com a qual se lançam pedras), com a qual matou o seu terrível adversário, Balor.

Lugh é um Deus que está presente em todos os Panteões Celtas.. Em Gaulês antigo tinha o nome de Lugos, e ao longo do resto da Ilha Britânica, é conhecido como Lug. As Histórias e mitos sobre ele diferem em cada região onde é reverenciado de inúmeras formas e através de diferentes ritos.

Principalmente conhecido como Deus do Sol, Lugh também é um Deus Guerreiro, da Medicina, Druida, Bardo, Ferreiro, Cervejeiro, entre outras coisas.
As suas funções identificam-no como um Deus da Guerra e das Artes Mágicas, mas os poetas e todos os artistas também são por ele beneficiados, juntamente com os guerreiros e os magos. As suas armas sagradas em todas as tradições são a funda e a lança.

Lugh é um Deus do céu e está fortemente ligado com o fogo, com o Sol e com o tempo. Em várias representações suas, Ele aparece com um Torc ( (peça de joalharia Celta ), e uma lança brilhante, que por vezes aparece como sendo um raio.
Ele é o Deus de todas as habilidades, artes e da excelência em todo o empenho imaginável. Ele é visto como o Protetor e Guia do seu Povo. Animais que lhe são especialmente sagrados são, as águias e os corvos que mantêm vigia sobre tudo aquilo que acontece na Terra. A sua Árvore Sagrada é o Freixo.
Embora ele seja representado das mais diversas formas e com atributos diferentes, existem alguns pontos em comum encontrados nos Mitos sobre Lugh em diferentes Tribos Celtas:

Ele é um Deus Jovem com longos cabelos e com a face brilhante como o Sol
Ele é qualificado em várias Artes
Ele é sobrevivente de gêmeos no nascimento
Ele é adotado em criança (na Irlanda por Tailtu e em Gales por Gwydion)
As suas armas principais são a lança e a funda
A sua associação com pássaros e a capacidade de se transformar neles. Lugh, assim como Morrighan, está associado com corvos e gralhas, embora na mitologia Gaulesa ele se transforme em Águia.

Lendas e Narrativas

A história de Lugh começa com o amor secreto entre Cian ( (um Dannan ) e Eithne ( filha de Balor , o Fomoriano.
Balor, para proteger a sua filha, prende-a numa torre muito alta, inalcansável por qualquer meio a não ser pelo voo. Cian, apaixonado por Eithne, pede a uma Druidesa que o torne capaz de voar sobre uma nuvem em cima da torre.

Meses depois, Eithne dá á luz duas lindas crianças (o que comprova que o pai não era um Fomoriano porque os Fomorianos são seres míticos que não devem muito á beleza ). Balor, preocupado e enfurecido com isto, lança as crianças ao mar.
Mas, uma profecia tinha sido feita anos antes, dizendo que uma criança Fomoriana de sangue Dannan provocaria a morte de Balor e este quis prevenir aquele destino fatal.

Uma das crianças afoga-se e a outra começa a nadar. Esta criança é descoberta pelo Deus do Mar, Mannanann Mac Lir que o envia a uma mulher guerreira e feiticeira, Tailtiu , para ser adoptado e cuidado até chegar o tempo em que o menino estivesse crescido o bastante para voltar com os 4 tesouros do Outro Mundo para derrotar os Fomorianos.

O Jovem Lugh foi então levado por Tailtiu que o ensinou e criou. Ele aprendeu depressa. Ela ensinou-lhe tudo o que pôde e enviou-o a outros para ele aprender o que ela não podia ensinar. Lugh teria então de voltar para Mannanan e cumprir o seu destino.


A Cidade de Tara

Os Formorianos dominavam os Dannan através da sua força opressiva. Nuada, o Rei, tinha perdido a sua mão numa batalha. Embora uma outra mão, feita de prata, funcionasse tão bem ou melhor do que a natural, lhe tivesse sido colocada em substituição, ele foi forçado a abdicar do trono devido á lei Celta que proibia qualquer governante a tomar o cargo se tivesse um defeito no corpo.
No seu lugar ficou Bres, um homem bem parecido mas com um semblante rude.
Foi precisamente quando Nuada Argentam "O braço de Prata" estava a celebrar o seu retorno ao trono que Lugh chegou a Tara. Chovia muito e Lugh aproximou-se dos portões e pediu para entrar.
"Como te chamas e o que fazes?" perguntou-lhe o Guarda dos portões.
"Sou Lugh, neto de Diancecht o Curandeiro e filho de Cian e Ethine filha de Balor o Formoriano" respondeu Lugh.
"A que vens?" perguntou-lhe o Guarda
"Vim para oferecer os meu préstimos ao teu Povo."
"Que sabes então tu fazer e que artes dominas ?" disse o Guarda " Ninguém entra aqui sem ser Mestre em alguma Arte!"
"Eu sou carpinteiro" disse Lugh.
"Não precisamos de carpinteiros! Já temos um e bom, o seu nome é Luchtainne." Disse o Guarda.
"Eu sou um excelente ferreiro" disse Lugh.
"Também não precisamos de ferreiros! Temos um e também excelente. O seu nome é Goibniu " disse o Guarda.
" Eu sou Guerreiro profissional" disse Lugh.
"Não precisamos de guerreiros. Temos Ogma e ele é o nosso campeão!" disse o Guarda.
"Eu sou arpista" disse Lugh.
"Também temos um e é perfeito no toque da arpa!" disse o Guarda.
"Eu sou poeta e conheço inúmeros contos" disse Lugh.
"Também temos um e conta contos como ninguém!" disse o Guarda.
"Eu sou Feiticeiro" disse Lugh.
"Também temos muitos feiticeiros e Druidas!" disse o Guarda.
"Então pergunta ao Rei", disse Lugh, "se ele tem um homem que faça todas estas coisas. Se tiver então não tenho razão para entrar". Assim o Guarda foi ter com o Rei descrevendo-lhe o estrangeiro que pretendia entrar e contando-lhe a história. Nuada mandou então que o seu melhor jogador de xadrez para jogar contra o estranho. Lugh venceu com louvor. Oghma , que era campeão do reino, foi exibir a sua força, lançando uma grande pedra pela porta fora. Lugh saiu, agarrou a mesma pedra e pegando nela, atirou-a para o sítio exacto de onde Oghma a tinha tirado. Então pediram-lhe que tocasse arpa. Primeiro, Lugh tocou uma melodia de sono, de forma que todos os que a ouviram, incluindo o rei, dormiram até ao dia seguinte. Depois lançou um feitiço da melancolia, espalhando a melodia de tristeza pelos ares e todos ficaram profundamente tristes. De novo, lançou um feitiço de alegria na melodia, trazendo de volta o bem estar e a alegria a todos.
Quando Nuada viu todos estes talentos, imaginou que este homem poderia ser de grande utilidade contra os Formorianos. Lugh não só entrou em Tara como se tornou Rei durante 13 dias e 13 noites, tendo Nuada ficou sendo o seu conselheiro durante este seu reinado.


Com o passar das épocas, Lugh se transformou no símbolo essencial entre todos os festivais, lendas e histórias irlandesas. Sendo conhecido e venerado como o Deus de todas as habilidades.
Senhor da Luz celta.

O festival de Lugnassadh ostenta seu nome, o qual significa a luz ou o brilho.
Também foi associado com o Deus romano Mercúrio.

http://www.guardioesdaluz.org/index.php?option=com_content&view=article&id=93:deus-lugh&catid=34:mitologia&Itemid=49








Contam as lendas que Lugh, estando no Reino de Lochlann (terra-natal fomoriana), tomou conhecimento das más intenções dos Fomorianos com os Tuatha Dé Danann e prontamente foi correndo pra avisa-los. Assim, depois de atravessar terras hostis e mares bravios finalmente chegou a Tara, a capital dananiana, só que lá enfrentou o mais insólito obstáculo entre todas as aventuras de sua vida : Um velho guerreiro que fazia guarda na porta do reino dananiano não queria deixa-lo entrar!


Sem dúvida seria fácil para Lugh vencer aquele reles ´´porteiro´´ , porém, iria com isso revelar sua identidade que com tamanho zelo ocultou durante toda a viagem para que os Fomorianos não suspeitassem dos propósitos de sua presença no Reino Dananiano. Igualmente corria o risco dos Tuatha Dé Danann encarassem isto como um ato de grande desrespeito e como efeito tentassem mata-lo antes que tivesse chance de dar qualquer explicação.

A solução
Ocorre que Lugh era um bom guerreiro não só nos punhos como também no uso da palavras , daí partiu para convencer o guerreiro a permitir a sua entrada em Tara sem que em nenhum momento podendo revelar sua intenções ou mesmo quem era. Finalmente depois de muito papo o "porteiro" argumentou que até poderia deixa-lo entrar só que havia uma rígida regra no reino de que só poderia viver entre os dananianos àqueles que demonstrassem serem úteis seja em suas habilidades ou no exercício de algum oficio entre os quais não houvesse nenhum expert entre os Tuatha Dé Danann.
Infelizmente para cada arte e oficio que Lugh dizia ser um conhecedor o porteiro retrucava que já havia no reino alguém ocupado de exercer a mesma arte e oficio, o que salientava o fato de ser proibida a sua presença entre os dananianos por conta dos costumes locais.
Pensativo, então Lugh finalmente indagou ao velho guerreiro se havia alguém entre os Tuatha Dé Danann que fosse conhecedor de todas as artes e ofícios tal como ele bem como também reforçou o argumento se o rei não ficaria furioso com o "porteiro" se soubesse ter sido ele o responsável por ter deixado ir embora alguém tão valioso.
O velho guerreiro engolindo seco e temeroso da ira do rei deixou que Lugh entrasse , só que exigindo que se apresentasse provas do que dizia pessoalmente ao monarca sob pena de ter a língua cortada por tamanha mentira.

O desafio
Eram tempos de grandes festas e celebrações entre os dananianos por que tinham se livrado da tirania fomoriana e recuperado o trono para um dos seus como rei dos Tuatha Dé Danann, fazendo o valoroso Nuada Mão de Prata como regente daquele povo. Neste clima bem festivo chega um forasteiro que vinha trajado com roupas suntuosas alegando ser um mestre em todas as artes e ofícios para se apresentar ao rei e requerer o direito de morar no reino.
Nuada Mão de Prata ouvia divertido o que dizia o velho guerreiro sobre a conversa que ele teve com aquele estrangeiro a sombra do portão da entrada do reino e com bom humor disse que até permitiria a entrada do estranho já que tamanha imaginação e criatividade para mentir realmente era um "dom" que nenhum dananiano possuía. Para tanto bastaria que o enigmático homem bem trajado confessasse que mentiu...
Lugh não se fez rogado e declarou em alto e bom som para todos os presentes que não estava de forma nenhuma mentindo, exigindo em nome de sua honra e do bom nome dos seus ancestrais que o rei permitisse prová-lo mesmo que as custas da própria vida se porventura falhasse. Dito isto jogou sua espada aos pés de Nuada fazendo uma mesura com as mãos para indicar que podia usa-la para dar fim a sua vida, não dando alternativa ao rei senão aceitar o desafio.
Um por um cada dananiano foi chamado para demonstrar perante o rei sua excelência no domínio de uma arte ou oficio, dando chance para Lugh fazer o mesmo com o desafio de mostrar que podia faze-lo bem melhor . Ao final o impossível parecia ter ocorrido e realmente Lugh triunfou sobre todos.

O triunfo
Entre espantado e admirado o bom rei Nuada pegou a espada de Lugh e disse que a guardaria como lembrança de que os Tuatha Dé Danann devem também confiar nos estranhos que chegam as portas do reino para desfrutar do seu convívio, proclamando que dali em diante aquele estranho deveria ter o direito de viver entre os dananianos. Dito isto Nuada percebeu surpreso que até então não sabia o nome do forasteiro, porém, sem dúvida alegou que um bom título a ele seria chama-lo de Ioldanach que quer dizer Mestre dos Mil Talentos.
Retribuindo a lisonja, aquele "forasteiro" passou a declinar sua origem desde o mais remoto ancestral até que para curiosidade dos presentes foi citado que ele era o filho nascido da união de Cian com Ethniu, neto pelo lado paterno do honorável mestre nas artes da cura entre os Tuatha Dé Danann que era Diancechet e pela parte materna do não menos lendário entre os Fomorianos do gigante Balor. Dando uma pausa e deixando cair ao chão o disfarce que ocultava sua identidade ele arremata dizendo alto como um trovão: Eu sou Lugh!
Antes que todos os presentes recuperassem o fôlego perdido pelo grande espanto causado pela revelação, Lugh relata em detalhes os planos sórdidos dos Fomorianos de invadir o reino dos Tuatha Dé Danann e reduzir a todos dananianos a condição de seus escravos. Esta alerta de Lugh foi providencial para os Tuatha Dé Danann saíssem vitoriosos na guerra que se avizinhava...

A Verdadeira Fonte da Força de Lugh
Lugh foi criado desde da tenra infância com grande carinho por Tailtui, mulher que na origem era uma simples serva das mais humildes entre os Tuatha Dé Danann, mas que pelo o qual o "Mestre dos Mil Talentos" sempre nutriu mais carinho e respeito do que por seus verdadeiros pais biológicos (Cian e Ethniu) - apenas casados por conta de acordos políticos para selar aliança entre os Formorianos e Tuatha Dé Danann.
Explica-se tamanho amor filial de Lugh , pois como mestiço era visto com desconfiança e até desprezo tanto pelos familiares do lado materno quanto paterno, apenas restando como apoio aquele dado de maneira solitária por Tailtui que impossibilitada de ter seus próprios filhos correspondeu dando a ele tudo o que podia em afeto maternal possível de ser humanamente concedido.
Não resta dúvida que foi Tailtui a principal responsável em motivar o jovem Lugh lutar por um lugar ao Sol de destaque tanto entre Formorianos quanto os Tuatha Dé Danann, impelindo desde cedo a praticar esportes e estudar com afinco ao ponto de ficar invencível como guerreiro, virar o mais habilidoso dos artesões e um sábio reconhecido pelo valor da extensão de seu conhecimento enciclopédico.
Não por menos em nome de honrar a memória e sabedoria de sua mãe de criação Lugh fez questão de instituir na data da morte de Tailtui (01 de agosto) uma espécie de "feriado" religioso. Posteriormente que consolidou-se o Lugnassad como uma data anual de esportes em honra a Lugh que sempre se revelou um aficionado por todo tipo de disputa.

Lugh, o Guerreiro Sábio
Ele carregava em seu sangue a ascendência de dois povos eternamente inimigos desde a aurora dos tempos, contando com a rara beleza e inata sabedoria mística dos Tuatha Dé Danann aliada com a estupenda força e fúria de combate que apenas um verdadeiro membro da raça dos fomorianos poderia demonstrar.
Este era o filho nascido da união de Cian com Ethniu, neto pelo lado paterno do honorável mestre nas artes da cura entre os Tuatha Dé Danann que era Diancechet e pela parte materna do não menos lendário entre os Fomorianos do gigante Balor que com o mero olhar trazia a morte de seus inimigos. Este era Lugh!
Apesar de ser um nascimento resultante de um dos vários casamentos que foram arranjados intencionalmente com o desejo de conseguir selar uma aliança duradoura entre Fomorianos e os Tuatha Dé Danann , o fato que Lugh era um filho amado por Cian e Ethniu que com o tempo fizeram frutificar o amor desta união oriunda de uma obrigação política infligida em nome da Paz .
Desde cedo revelou ser um hábil guerreiro e grande caçador o que rendeu o apelido entre os Fomorianos de "Lamhfada" (Mão Comprida ou Atirador a Distância) numa referencia a maestria como manejava armas como a funda, correntes e lanças.
Por sua vez, os Tuatha Dé Danann conheciam Lugh principalmente pelo título de "Ioldanach" (Mestre de Todas as Artes ou Senhor dos Mil Talentos), pois dominava com excelência todos os ofícios, era um artista consagrado em todas as Artes e não havia saber humano que lhe fosse estranho.
No campo de batalha Lugh podia ser visto a grande distancia, destacando-se do meio da multidão não só por sua alta estatura como pelo fato de carregar um enorme lança de prata que reluzia com uma luz cegante e vir sempre de perto acompanhado de um cão de pelo tão negro como a noite.
A lança dizem foi trazida pelos Tuatha Dé Danann de seu lar original(a mítica cidade de Gorias), possuindo propriedade mágicas que a faziam ter vida própria e sendo tão sedenta de sangue que era preciso até o momento de usa-la botar na sua ponta um preparado sonífero feito de folhas papoula sob o risco dela sair matando a todos a sua volta!
O cão de Lugh, chamado em algumas lendas de "Failius", mantinha-se fiel ao lado do dono durante todo tempo do combate como um feroz companheiro nas batalhas e possuindo virtudes mágicas em sua pele que fazia transformar em vinho qualquer água corrente em que se banhasse.
Lugh era uma rara prova de como superada as inimizades entre os Tuatha Dé Danann e Fomorianos poderia a união daqueles povos gerar como prole seres que estariam condenados pela mão do destino em sua superioridade a serem Mestres da Humanidade e Deuses entre os Homens!
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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Feitiço para Ferida.......

Instruções: Fechar a ferida firmemente com os dois dedos, e repetir estas palavras lentamente -

"Em nome de Dagda, Bridget e Diancecht a ferida era vermelha, o corte foi profundo, e a carne foi ferida;. mas não haverá mais sangue e dor, não mais, até que os deuses descem à Terra de novo."

Nota: Esta é uma adaptação de um charme cristianizada, tiradas de Wilde 'Speranza' Senhora - Legends Antiga, Charms Mystic e Superstições da Irlanda. publicado 1888.

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Belenos se aproxima.......





Ele tem o cavalo branco de crina brilhante
Sua prata brilha enquanto cavalga sobre o prado
Sua espada é a luz do Sol
Cabelos libertos em tom dourado
Brilham em sua cabeça

E as patas do seu cavalo tocam a terra
A fecunda
E ele caminha do leste ao Oeste

Belenos o Brilhante
Que de seu arco dourado cruze flechas ao horizonte
Brilha e incendeia o céu azul

E todos os seres o reverenciam
E as fogueiras são acessas
E o fogo a pureza em bênçãos

Belenos da sabedoria e da cura
Da procriação e da prosperidade
Aceita minhas honras em tua homenagem

Faz de mim sábio e horonso
Fértil e viril
Própero e Simples


AF-DR
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Visão geral sobre os mitos celtas

Visão geral sobre os mitos celtas


Os mitos celtas foram preservados através das tradições orais e através dos registros escritos de monges cristãos, poetas e escribas medievais, que se ocupavam em traduzir as lendas e os contos, que os celtas e seus descendentes contavam entre si.

O universo irlandês foi o que melhor conservou as tradições celtas, pois a Irlanda nunca fora invadida por Roma, portanto, seus mitos se tornaram mais precisos, mesmo que de forma oral. A escrita entre os celtas se deu, por volta do século V d.C. com a chegada do cristianismo através do monge São Patrício.

Os mitos irlandeses

Muitos dos mitos irlandeses sofreram modificações conforme o contexto cristão, como é o caso dos contos irlandeses de "Lebor Gabála Érenn - O Livro das Invasões", uma coleção de manuscritos redigidos em forma de poema e prosa, que narram as origens míticas e histórias da Irlanda até o século XI.

O mais antigo manuscrito irlandês é o compêndio conhecido como, "O Livro da vaca marrom - Leabhar na hUidre", que contém parte da "Invasão do gado de Cooley - Cúailnge Tain Bó", no Ciclo de Ulster e que nos conta a saga do grande herói celta CuChulainn e suas façanhas.

A maioria dos registros históricos sobre os mitos celtas na mitologia irlandesa, está guardada e preservada em universidades e bibliotecas nacionais da Irlanda. Os manuscritos mais famosos são:

- Lebor Gabála Érenn (O Livro das Conquistas).

- Lebar na Núachongbála (O Livro de Leinster).

- Leabhar Baile an Mhota (O Livro de Ballymote).

- Leabhar Mór Mhic Fhir Bhisigh (O Grande Livro de Lecan).

- Leabhar Buidhe Lecain (O Livro Amarelo de Lecan).

- Leabhar Feirmoithe (O Livro dos Fermoy).

Existem algumas versões diferentes dos mesmos contos em cada um desses manuscritos. O mais famoso deles "Lebor Gabála Érenn - O Livro das Conquistas" possui interpretações mais detalhadas sobre vários contos, que também estão descritas no "Livro de Leinster", no "Livro de Ballymote", no "Livro Amarelo de Lecan" e no "Livro dos Fermoy".

Diante das várias formas de descrever os mitos irlandeses, citaremos uma visão geral sobre os contos celtas mais conhecidos, facilitando a pesquisa e o estudo, os quais foram divididos em quatro grandes ciclos principais:

1°- O Ciclo Mitológico Irlandês: o ciclo sobre a história mítica da Irlanda e suas origens, com uma série de invasões, dos Tuatha Dé Danann até a chegada dos Milesianos.

2°- O Ciclo de Ulster: ciclo sobre o reinado de Conchobar Mac Ness, Rei de Ulster, no início da era cristã e os feitos do herói CuChulainn e os guerreiros Ulaid, chamado antigamente de "Ciclo do Ramo Vermelho".

3°- O Ciclo Feniano: ciclo das histórias populares, por volta do século III, conhecido também como Ciclo Ossiânico, que conta a trajetória de Finn Mac Cumhail e os Fianna.

4°- O Ciclo Histórico ou dos Reis: ciclo das histórias e feitos dos reis Milesianos, que inclui alguns períodos históricos do Ciclo do Ulster, contada pelos antigos bardos.

Há ainda outras histórias que não se enquadram em nenhum desses ciclos e que falam sobre aventuras e viagens ao Outro Mundo, associados ao oeste e à água, conhecidas como immram ou immrama, no plural, em que se descrevem as jornadas místicas de heróis pelo mar rumo a Tir na nÓg.

Os mitos galeses

Os mitos celtas também são retratados através da mitologia galesa, seguindo a tradição oral e conservados, nos onze contos do Mabionogion, agrupados em três grupos, uma coletânea de manuscritos em prosa escritos em galês medieval, nome dado à coletânea pela tradutora inglesa Lady Charlotte Guest, em 1849. São eles:

Quatro Ramos do Mabinogi: ciclo mitológico das três famílias de Deuses.

- Pwyll, Príncipe de Dyfed
- Branwen, a Filha de Llyr
- Manawyddan, o Filho de Llyr
- Math, o Filho de Mathonwy

Contos Nativos: lendas célticas compiladas por Lady Charlotte Guest.

- Magnus Maximus
- Lludd e Llefelys
- Culhwch e Olwen
- Hanes Taliesin

Romances Arthurianos: versões galesas dos contos arthurianos.

- Owain, a Dama da Fonte
- Peredur, filho de Efrawg
- Geraint e Enid

Conheçamos, então, os grandes ciclos e seus contos extraordinários.

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Fontes da pesquisa:
BELLINGHAM, David - Introdução à Mitologia Céltica - Lisboa: Ed. Estampa, 1999.
GUEST, Lady Charlotte - The Mabinogion - Ed. Kinkley, 1887.
MACCULLOCH, J.A. - A Religião dos Antigos Celtas - Edinburgh: T. & T. CLARK, 1911.
MONAGHAN, Patricia - The Encyclopedia of Celtic Mythology and Folklore - Facts On File: New York, 2004.
SQUIRE, Charles - Mitos e Lendas Celtas - Ed. Nova Era, 2003.

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

Website:
www.templodeavalon.com
Brumas do Tempo:
http://brumasdotempo.blogspot.com
E-mail:
rowena@templodeavalon.com

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Mais uma celebração!

Mais uma celebração!






Nyctaluz Noctula





Gira a roda do ano de novo
é momento de celebração
alegria ao rever nosso povo
só contento vai no coração
Encontramos na hora marcada
combinados, de novo afinal
organizados, já a hora passada
é chegado mais um festival
Lá Brigid nos espera radiante
com seu fogo intenso a brilhar
Novamente estamos no instante
com os irmãos outro comemorar
Alegiras, a noite vem calma
Trazendo os seres da floresta
Felicidade e energia vai nalma
Tudo vibra, é hora de festa
Auxiliando companheiros antigos
E também aos rescém chegados
É tão bom estar-se entre amigos
Vendo todos assim maravilhados
Voltando aos nossos lares agora
Vivenciando ainda esta celebração
Sabedoria que passou em boa hora
Nos trazendo aprendizado e lição
Mais um Oimelc já se passou
Gira a roda do ano outra vez
Na primavera que tempo esquentou
Na semente que ao chão se fez


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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

ENERGIAS TELÚRICAS - DOS CELTAS AOS DIAS ATUAIS

ENERGIAS TELÚRICAS - DOS CELTAS AOS DIAS ATUAIS


Envoltos numa aura de mistério e magia, os celtas despertam um grande fascínio sobre nós através de seus antigos símbolos perdidos no tempo, da arte e dos mitos, onde espirais e círculos sagrados vibram intensamente até os dias de hoje, com tamanha vivacidade, que nos chega a ser irreal.

Os antigos montes de Newgrange, Knowth, Dowth, Fourknocks, Loughcrew e Tara, na Irlanda, são maravilhosos exemplos de espirais celtas, conhecidos como "As Espirais da Vida", representando de um modo geral o ciclo da vida, da morte e do renascimento.

As primeiras referências que temos sobre os povos celtas encontram-se na literatura greco-romana, por volta de 500 a.C., considerados como sendo os introdutores da metalurgia do ferro na Europa, dando origem à Idade do Ferro, neste continente. Há indícios, também, de uma cultura pré-cética ao redor do Danúbio, no ano de 1000 a.C., chegando à Idade do Bronze por volta do ano 1500 a.C.

Os celtas eram compostos de várias tribos, sendo que cada uma possuía seu próprio chefe e, apesar de serem bem diferentes entre si, possuíam uma cultura em comum, uma raça guerreira, o parentesco das línguas, os costumes, a religião e, conseqüentemente, os sacerdotes.

Os druidas eram os sacerdotes dessas tribos e o druidismo, por sua vez, um fenômeno exclusivamente celta, ou seja, o druidismo era a religião dos celtas. É quase impossível falar dos celtas sem falar dos druidas e vice-versa.

Para os celtas, os fenômenos naturais eram forças sobrenaturais reconhecidas, na sua maioria, como divindades femininas na forma de Deusas Mãe e veneradas de alguma forma. Eles acreditavam que toda árvore, montanha, pedra ou fonte de água possuía um espírito próprio e, por isso, eram dignos de veneração.

A mulher na sociedade celta era vista como a imagem simbólica da soberania e da fertilidade. Eram reconhecidamente guerreiras, mães, mulheres feéricas (fadas), rainhas, druidesas e sacerdotisas.

"As heroínas femininas épicas apresentam múltiplas aparências, múltiplos rostos, múltiplos semblantes, geralmente três, tendo em consideração o número simbólico sagrado dos celtas, o qual tanto se apresenta com a forma de tríade como o triskel, a tripla espiral que, girando à volta de um ponto central, simboliza por excelência o universo em expansão." Jean Markale - A Grande Epopéia dos Celtas.

O triskelion é considerado um antigo símbolo indo-europeu, palavra de origem grega, que literalmente significa "três pernas". Este símbolo nos lembra três pernas correndo ou três pontas curvadas, uma referência ao movimento da vida, do universo e aos três reinos: a Terra, o Céu e o Mar.

Sacralidade da Terra

A ligação entre o sagrado e o mundano é muito estreita, na visão druídica, chegando a ser quase impossível separar o profano do espiritual ou o divino dos aspectos comuns da sociedade.

Os pensamentos, palavras e ações é que tornam todo este processo sagrado. Alguns lugares com características especiais, como os montes, as rochas, as árvores, os lagos, as fontes e os rios, também são considerados sagrados, constituindo o elo dessa ligação e representando assim, uma passagem entre o mundo profano e o divino.

Essas passagens, consequentemente, irradiam uma vibração muito forte, conhecidas como correntes telúricas, que são correntes elétricas de baixa freqüência que e se movem através do subsolo ou do mar, irradiando energias formidáveis, conectando-nos às grandes forças cósmicas.

Uma vez estabelecido este contato podemos observar um perfeito estado de harmonia e um equilíbrio muito grande em nosso interior, favorecendo as celebrações solares, lunares e a meditação.

Portanto, toda natureza em si é considerada um princípio sagrado!

Correntes Telúricas

Os druidas transmitiam seus ensinamentos apenas de forma oral, então, tudo o que sabemos hoje sobre os druidas, fora o fato de que eles adoravam o carvalho e o visco, vem dos relatos de militares e historiadores greco-romanos e, posteriormente, na Idade Média, de monges e abades.

Na visão druídica, os gigantescos blocos de granito e construções megalíticas, incluindo Stonehenge, eram utilizados como captadores de correntes telúricas. Lembrando que os druidas não construíram Stonehenge (monumento megalítico situado em Salisbury - Inglaterra), eles utilizaram os círculos de pedras, conhecidos como "cromlech", para fins religiosos, eventos astronômicos e também para prever outros acontecimentos, como eclipses e as mudanças nas estações do ano.

Atualmente, podemos usufruir dos benefícios das correntes telúricas positivas, de uma maneira prática, através da técnica conhecida como Radiestesia. Ao que se sabe, essa técnica não tem nenhuma ligação com os celtas, nem com os antigos druidas.

A Radiestesia ficou mais conhecida na Europa a partir do início do século XX, apesar das suas referências históricas virem de tempos longínquos. Ela era usada principalmente para encontrar veios de água, poços artesianos e jazidas subterrâneas de minérios, utilizando-se de uma varinha de madeira em forma de forquilha.

Essa investigação energética também pode ser feita nos ambientes de casas ou escritórios, com o auxilio de um pêndulo, que irá captar as vibrações emitidas por um objeto e todo o seu campo de atuação.

Para identificar se as correntes telúricas estão fluindo de forma positiva ou não, coloque o pêndulo no local onde será medida a vibração e observe: se ele girar no sentido horário quer dizer que a energia está positiva, se girar no sentido anti-horário quer dizer que a energia está negativa.

Caso ele se mantenha parado ou trêmulo significa que há falta de energia.

Para corrigir essas falhas energéticas, podemos contar com o auxilio de pedras ou cristais, como o quartzo branco, por exemplo, que serão colocados no local afetado. As pedras preciosas são canais de energia, que possuem centros vibratórios e, por serem sagradas, nos remetem novamente à espiritualidade dos druidas.

Que assim seja... Bênçãos plenas do céu, da terra e do mar!

Referências bibliográficas:
BOSTRÖM, Francisco - A sabedorias das Pedras - Ed.Best Seller, 1994.
GREEN, MIRANDA JANE ALDHOUSE - Exploring the World of the Druids - London: Thames and Hudson, 1997.
JUBAINVILLE, Henri-Marie D‘ Arbois - Os Druidas. Os Deuses Celtas com Formas de
Animais - São Paulo: Ed. Madras, 2003.
MACCULLOCH, J.A. - A Religião dos Antigos Celtas - Edinburgh: T. & T. CLARK, 1911.
MARKALE, Jean - A Grande Epopéia dos Celtas - Ed. Ésquilo, 1994.
SIQUEIRA, Renato Guedes - Cinestesia do Saber - Radiestesia - Ed. Roka, 1996.

Rowena Arnehoy Seneween ®


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