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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Os Mitos e seus Tipos

O grande questionamento quanto à origem da vida e do universo (e de tudo o mais de que não se tem a explicação), presente na psique humana desde a antiguidade (mesmo que de modo pouco desenvolvido), é o grande motor cultural que faz surgir o mito. Como uma narrativa transmitida ao longo do tempo através da fala (pois a escrita só chegou muito depois das primeiras criações mitológicas), o mito foi carregando elementos das diversas culturas e mentalidades pelas quais foi transmitido. Sendo assim, a mitologia foi, cada vez mais, impregnada com as mais diversas tentativas de justificar o desconhecido; surgiram os mitos sobre a criação do mundo (Cosmogonia), sobre a origem dos deuses ou forças que o regem (Teogonia) e sobre a origem da morte e o que viria após o fim de tudo (Escatologia), além de outros – sempre tentando achar a resposta para o que parece impossível ou sobrenatural.

Mitos Cosmogônicos
Geralmente, os mitos mais importantes numa cultura, e que se tornam modelos para os demais mitos, são os que tratam da origem do mundo e da vida, um grande questionamento da humanidade.
Em alguns contos, como na primeira parte do Livro do Gênesis, a criação do mundo se dá a partir do nada (creatio ex nihilo). Também os mitos egípcios, australianos, gregos e maias falam de uma força criadora pré-existente (geralmente atemporal, surgida de si própria, retratada como o Oceano, o Caos ou a Terra), que gera a vida por si só. Na cosmogonia chinesa, por exemplo, de Pan Gu surgem as duas forças universais do Yin e Yang, das quais forma-se todos os elementos. No hinduísmo, o Rig-Veda fala do nada original, onde o Grande Espírito criador, o Brahm Eterno(Espírito Eterno, Brahman, Brahma ou Deus), cria todas as coisas com o calor de sua respiração cósmica. Outras cosmogonias também apresentam a origem do cosmo como fruto de emanações divinas, como a partir do suor, do sêmen ou do sangue de um deus.
Nesses mitos, a deidade é quase sempre onipotente. No decorrer da narrativa mitológica, essa deidade pode permanecer como vanguarda e tornar-se o centro da vida religiosa (como ocorre com os Hebreus), ou pode retirar-se, tornando-se uma deidade distante, periférica (como nos mitos de gregos, maias ou de aborígines australianos).
Em outros mitos cosmogônicos, a criação é descrita como o emergir de mundos inferiores. Para os índios Zuni (da América do Norte), os Navajos e os Hopis, a criação resulta da ascensão progressiva de mundos subterrâneos, e o surgimento do último mundo é a progressão final no mundo da humanidade. Um mito polinésio apresenta as várias camadas do surgimento do mundo numa casca de coco. De modo análogo, surgiram os mitos do Ovo primevo (de onde nasce todo o universo), conhecidos na África, China, Índia, Grécia, Japão, e no sul do pacífico. Nesse mitos, a criação é simbolizada pela ruptura do ovo da fertilidade. O ovo é a possibilidade para toda a vida, e em alguns casos, como nos mitos do povo Dogon (da África Ocidental), é referido como “a placenta do mundo”.
Há também o mito do mundo proveniente de uma união de duas forças personificadas (“os pais” do universo). Na história da criação babilônica, o Enuma Elish, o casal divino Apsu e Tiamat têm de enfrentar sua própria descendência, por quem são derrotados. Com o corpo de Tiamat (a deusa mãe, personificação do mar), Marduk (deus protetor da Babilônia) constrói o universo; e com o sangue de Kingu (outro deus rebelde que fora vencido), ele cria os homens. Em mitos egípcios e polinésios de temática semelhante, os “pais do mundo” tiveram sua descendência, mas permaneceram firmemente unidos; a descendência, presa na escuridão, busca a luz. Assim, dá-se uma violenta separação do casal primordial, gerando-se a luz e o espaço que permitirá o surgimento da vida.
Sendo a água o elemento primordial mais freqüente nas cosmogonias, é dela que, em mitos difundidos na Romênia e na Índia, emerge a terra, trazida à tona por um espírito ou animal.
Para muitos mitos cosmogônicos, o ato do sacrifício tem grande valor. Na mitologia babilônica, é do corpo esquartejado de Tiamat que surge a terra, e nos Vedas hindus, Prajapati (o homem primordial, senhor dos seres) é sacrificado para que dele surjam o mundo e todas as formas de vida. Há também os mitos que descrevem o surgimento da humanidade partir de uma rocha ou de alguma árvore de importância cultural.

Mitos Escatológicos
Relacionados com os mitos cosmogônicos, mas de temática oposta, estão os mitos do fim do mundo (escatológicos) e da morte dos que nele vivem. Como a morte era apresentada na mitologia como algo estranho ao plano da criação, os mitos que versavam sobre sua origem traziam (de modo geral) três tipos diferentes de justificativa para seu surgimento. Em alguns mitos, fala-se de um tempo anterior em que se desconhecia a morte, uma era que foi interrompida por um acidente ou um erro cometido por alguém (instituindo-se a morte como castigo), ou mesmo para evitar a superpopulação. Outros mitos, geralmente de tradições culturais mais elaboradas, trazem a idéia de que, antes de surgir a morte, o homem era imortal e vivia no paraíso. A perda de sua imortalidade e sua expulsão do paraíso seriam punições aplicadas especificamente à humanidade, devido a alguma ofensa que esta praticara ao(s) seu(s) deus(es). No Gênesis, a morte sobreveio à humanidade quando esta desejou ultrapassar seus limites de conhecimento. Há também, em alguns mitos, a associação da morte como parte de um ciclo vital (análogo ao dos vegetais), tal como o nascimento e a sexualidade e perpetuação da vida. Esse era um pensamento possivelmente surgido de antigas comunidades agrícolas.
O mito escatológico pressupõe a criação do universo como obra de uma divindade que, como defensora da pureza da existência, haverá de destruir sua obra para dar lugar a uma outra, nova e melhorada. Enquanto este fim não chega, a humanidade é observada, julgada e preparada para uma existência posterior a seu fim, que pode ser paradisíaca ou de tormentos eternos, a depender de sua conduta nesta vida. Tais mitos podem ser vistos entre os ensinamentos dos hebreus, cristãos, mulçumanos e seguidores do zoroastrismo. Zoroastro (século VI a.C.) falou de Chinvat, uma ponte a ser atravessada após a morte, que permitia a passagem dos justos, mas estreitava-se aos malfeitores, fazendo-os cair no inferno. O zoroastrismo posterior elaborou a idéia de punição ou salvação, de ressurreição e de purificação final dos pecadores.
Na mitologia egípcia, a idéia desse julgamento pós-vida teve grande importância. Segundo suas lendas, o coração do morto era colocado num dos pratos de uma balança - no outro, colocava-se uma pena do deus Maat (simbolizando o que há de justo e verdadeiro) -, assim, Osíris julgava se o morto seria absolvido ou condenado. Na mitologia grega, segundo Homero, a morte representava a desintegração do corpo, permanecendo um espectro, que era levado ao Hades para ser julgado e condenado a vagar eternamente pelas sombras infernais. Mas no próprio pensamento mítico grego haviam outras correntes: os mistérios de Elêusis (referentes à deusa Deméter e sua filha Perséfone, símbolos da vida que renasce na primavera) prometiam aos seguidores a felicidade numa existência pós-morte; e o orfismo (referente a Orfeu, o primeiro mortal a descer ao Hades e retornar ao mundo superior), bem como a filosofia platônica, trazia a idéia da reencarnação (possivelmente oriunda do pensamento oriental).
O fim de toda a existência conhecida é retratado nos mitos escatológicos como conseqüência de um conflito em escala universal ou uma batalha final entre os deuses (situações típicas da mitologia Indo-européia, e muito presentes em seus ramos germânicos). Na mitologia Asteca, vários mundos são criados e destruídos pelos deuses até o surgimento do mundo habitado pelos homens. Há mitos que falam de uma grande devastação na terra ocasionada por uma inundação - não num futuro fim dos tempos, mas que já teria acontecido. A exemplo disso, há o famoso episódio do Antigo Testamento bíblico, em que Deus teria enviado como castigo à humanidade um dilúvio, do qual apenas seus eleitos foram salvos (não são raras as culturas em que se fala de um salvador que, antes da destruição final, surge para resgatar aqueles escolhidos para participar da futura reconstrução da existência). Quase todas as culturas pré-colombianas possuem mitos a respeito de dilúvios – temática que remonta aos antigos mitos mesopotâmicos.

Mitos Teogônicos
Nas várias mitologias, é comum a associação de acontecimentos como a morte ou fenômenos naturais a divindades reguladoras do universo. E, refletindo a estrutura das sociedades antigas, estas divindades possuíam distinções de poder entre si. E nessa hierarquia, geralmente preponderava um casal ou uma trindade divina.
Com o passar do tempo, esse poder podia mudar de mãos - tal como ocorria com os povos antigos (não eram raros os casos em que um povo, ao ser atacado e vencido por outro, tinha sua cultura e modo de vida modificados pelos novos dominadores). São freqüentes os mitos que falam de deuses que, tendo outrora governado (ou mesmo criado) a existência, são depostos por novos deuses (até mesmo seus descendentes); caracterizando uma freqüente disputa de poder, que não se dava somente entre deuses, mas entre diversas raças que, ao se julgarem suficientemente poderosas, tentavam tomar o poder universal.
Sendo toda a dinâmica da vida, bem como seus misteriosos ou inexplicáveis eventos (que não eram poucos à época dos “criadores” dos mitos), geralmente atribuídos aos desígnios de uma força divina, é comum às crenças antigas a formulação de mitos para explicar o surgimento de tais forças ou deuses. Assim, surgiram os mitos teogônicos (Teogonia vem das palavras gregas théos e gonia, significando “as coisas divinas, os seres divinos”, ou seja, os deuses).
Como uma das maiores referências desse gênero mitológico, temos a Teogonia, do poeta Hesíodo, do século VIII a.C. Na mitologia grega, Zeus (nome proveniente de dyeus pater, “o pai do céu” - da cultura proto-indo-européia, raiz de grande parte do que forma a cultura européia atual) é apresentado como o “pai dos deuses e dos homens”; não que ele os tivesse criado, mas que era o senhor supremo destes. Zeus conquistara seu poder ao derrotar o próprio pai, Cronos. Este, por sua vez, tornara-se o senhor do universo do mesmo modo, tomando o lugar de seu pai Urano, filho e esposo de Gaia (a Terra, que com Urano gerou Cronos e os demais titãs da raça dos uranianos - os primeiros controladores das forças universais -, além de outros seres de grande poder).
Havia uma freqüente tendência das mitologias européias a representar a soberania dividida em três funções divinas: um “soberano-sacerdote”, um “guerreiro” e um “cultivador-fecundardor”. Na mitologia escandinava, Odin, Thor e Freyr representavam estes papéis, respectivamente. Odin, senhor do Valhala (a grandiosa morada dos bravos heróis mortos em combate), era o soberano do cosmos. Thor, semelhante ao Indra védico ou o Ukko finlandês, era o deus guerreiro e senhor do trovão. A ele cabia a proteção da lei e da ordem em Midgard (a “terra do meio”, morada dos homens). Freyr, por sua vez, era o deus que regia o Sol, a chuva, os frutos e a fertilidade humana (sendo retratado com um gigantesco falo). No hinduísmo, há também uma divisão do poder cósmico entre três divindades: os deuses Brahma (o criador), Vishnu (o conservador) e Shiva (o destruidor), formando a Trimurti. Apesar dessa divisão nominal, para a crença hindu, todos os deuses citados em seus mitos são meramente manifestações do poder único que rege o cosmos, geralmente personificado em Brahman (Brahma, Brahm, Atman ou “O Grande Espírito”, o Absoluto). Brahma, como apenas criador do universo, não possui uma grande atuação nas narrações míticas. Vishnu, responsável por manter a ordem da criação, freqüentemente interfere nos problemas da terra, através de seus avataras (encarnações), sendo o mais conhecido deles o de Krishna (o grande transmissor dos ensinamentos trazidos no clássico Bhagavad Gita). Shiva é o deus encarregado de (ao fim de tudo) destruir toda a existência e guiar as almas de todos os seres ao reencontro com o Grande Espírito, seu lugar de origem.

Outros tipos de Mito
Além destes três principais gêneros míticos, há também outras classificações que podem ser referidas, como os mitos que descrevem como uma determinada cultura evoluiu com a descoberta de novas técnicas ou artefatos. A exemplo disso, temos o mito grego de Prometeu (apresentado na Teogonia de Hesíodo), que rouba o fogo divino para dá-lo aos homens. Estes, ao dominar o fogo, garantiram sua superioridade em relação aos demais seres. Na cultura Dogon, o ferreiro que rouba para a humanidade as sementes do silo dos deuses assemelha-se a Prometeu.
Há também os mitos que falam da fundação de grandes cidades e reinos (por seu grande poder ou exuberância, considerava-se que estes grandes reinos só poderiam ter surgido por milagre ou obra de um grande herói). Um exemplo é o mito de Rômulo e Remo, os irmãos gêmeos que teriam fundado Roma. Também há referências quanto à cidade de Lisboa, que antes teria sido Ulissipo, fundada por Ulisses (Odisseu, para os gregos) em certo momento de suas viagens (relatadas na Odisséia, de Homero).


Bibliografia:
Enciclopédia Barsa,
Encarta 96 Encyclopedia (versão em inglês)
Do Olimpo a Camelot, de David Leeming.

Extraído do Site Templo do Conhecimento - por Rafael Brito
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domingo, 19 de abril de 2015

Os Deuses dos Índios brasileiros





Nhanderu e a roda dos mundos


Nhanderu também chamdo de Iamandu (o deus sol) cuja expressão é Tupã (trovão) junto com Araci tambem chamada iaci ou jaci (a deusa lua) são as duas primeiras entidades do Edhen a cruzar a barreira com paradísia na América do Sul num lugar descrito como um Monte na região do Aregúa (paraguai). E de lá criaram os animais, plantas da américa do sul e as primeiras criaturas místicas , iniciando o povoamento de paradía.


Nhenderu criou Rupave e Sypave em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e do mal. Rupave e Sypave ("Pai dos povos" e "Mãe dos povos") tiveram três filhos e um grande número de filhas. O primeiro dos filhos foi Tumé Arandú, considerado o mais sábio dos homens e o grande profeta do povo Guarani. O segundo filho foi Marangatu, um líder generoso e benevolente do seu povo, e pai de Kerana, a mãe dos sete montros legendários do mito Guarani. Seu terceiro filho foi Japeusá, que foi, desde o nascimento, considerado um mentiroso, ladrão e trapaceiro, sempre fazendo tudo ao contrário para confundir as pessoas e tirar vantagem delas. Ele eventualmente cometeu suicídio, afogando-se, mas foi ressucitado como um caranguejo, e desde então todos os caranguejos foram amaldiçoados para andar para trás como Japeusá.



Mito guarani da criação

A figura primária na maioria das lendas guaranis da criação é Iamandu (ou Nhanderu ou Tupã), o deus Sol e realizador de toda a criação. Com a ajuda da deusa lua Araci, Tupã desceu à Terra num lugar descrito como um monte na região do Aregúa, Paraguai, e deste local criou tudo sobre a face da Terra, incluindo o oceano, florestas e animais. Também as estrelas foram colocadas no céu nesse momento.



Tupã então criou a humanidade (de acordo com a maioria dos mitos Guaranis, eles foram, naturalmente, a primeira raça criada, com todas as outras civilizações nascidas deles) em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e do mal e partiu.

Nhanderuvuçú é considerado Deus supremo na religião primitiva dos índios brasileiros.

Nhanderuvuçú não tem forma humana a chamada forma antropomórfica, é a energia que existe, sempre existiu e existirá para sempre, portanto Nhanderuvuçú existe mesmo antes de existir o Universo.

A única realidade que sempre existiu, existe e existirá para sempre é a energia a qual os índios brasileiros identificam como Nhanderuvuçú.

No princípio ele criou a alma, que na língua tupi-guarani diz-se "Anhang" ou "añã" a alma; "gwea" significa velho(a); portanto anhangüera "añã'gwea" significa alma antiga.

Nhanderuvuçú criou as duas almas e, das duas almas (+) e (-) surgiu "anhandeci" a matéria.

Depois ele disse para haver lagos, neblina, cerração e rios.

Para proteger tudo isso, ele criou Iara.

Nhanderuvuçú criou também Caaporã o protetor das matas por si só nascidas e protetor dos animais que vivem nas florestas, nos campos, nos rios, nos oceanos, enfim o protetor de todos os seres vivos.

Caaporã quando é evocado para proteger as plantas plantadas junto aos roçados dos índios é chamado por eles de forma carinhosa com o cognome de Ceci.

Caaporã em língua tupi-guarani significa "boca da mata "Caa = boca e Porã = mata"

Dizem as lendas que no meio dos animais protegidos por Caaporã apareceu mais um casal de animais.

A primeira mulher, Amaú (Sypave) e, o primeiro homem, Poronominare (Rupave).



Primeiros humanos

Os humanos originais criados por Tupã eram Rupave e Sypave, nomes que significam "Pai dos povos" e "Mãe dos povos", respectivamente. O par teve três filhos e um grande número de filhas. O primeiro dos filhos foi Tumé Arandú, considerado o mais sábio dos homens e o grande profeta do povo Guarani. O segundo filho foi Marangatu, um líder generoso e benevolente do seu povo, e pai de Kerana, a mãe dos sete monstros legendários do mito Guarani (veja abaixo). 

Seu terceiro filho foi Japeusá, que foi, desde o nascimento, considerado um mentiroso, ladrão e trapaceiro, sempre fazendo tudo ao contrário para confundir as pessoas e tirar vantagem delas. Ele eventualmente cometeu suicídio, afogando-se, mas foi ressuscitado como um caranguejo, e desde então todos os caranguejos foram amaldiçoados para andar para trás como Japeusá.

Entre as filhas de Rupave e Sypave estava Porâsý, notável por sacrificar sua própria vida para livrar o mundo de um dos sete monstros legendários, diminuindo seu poder (e portanto o poder do mal como um todo).

Crê-se que vários dos primeiros humanos ascenderam em suas mortes e se tornaram entidades menores.



Os sete monstros legendários

Kerana, a bela filha de Marangatu, foi capturada pela personificação ou espírito mau chamado Tau. Juntos eles tiveram sete filhos, que foram amaldiçoados pela grande deusa Arasy, e todos exceto um nasceram como monstros horríveis. Os sete são considerados figuras primárias na mitologia Guarani, e enquanto vários dos deuses menores ou até os humanos originais são esquecidos na tradição verbal de algumas áreas, estes sete são geralmente mantidos nas lendas. Alguns são acreditados até tempos modernos em áreas rurais. Os sete filhos de Tau e Kerana são, em ordem de nascimento:

1 - Teju Jagua, deus ou espírito das cavernas e frutas
2 - Mboi Tu'i, deus dos cursos de água e criaturas aquáticas
3 - Moñai, deus dos campos abertos. Ele foi derrotado pelo sacrifício de Porâsý
4 - Yacy Yateré, deus da sesta, único dos sete a não aparecer como monstro
5 - Kurupi, deus da sexualidade e fertilidade
6 - Ao Ao, deus dos montes e montanhas
7 - Luison, deus da morte e tudo relacionado a ela


O Mito: A criação da Noite

Nas Aldeias de todo o mundo, nas terras dos índios, era sempre dia. Nunca havia noite, estava sempre claro. Os homens não paravam de caçar, nem as mulheres de limpar, tecer e cozinhar. O sol ia do leste ao oeste e depois refazia o caminho, ia do oeste ao leste, seguindo assim.

Mas teve um dia que o caso mudou. Quando Tupã, aquele que controlava tudo, havia saído para caçar, um homem muito curioso tocou no frágil Sol para saber como funciona. Então o Sol que dava luz e calor havia se apagado, havia quebrado em mil pedacinhos. Então as trevas haviam reinado na aldeia.

Tupã não se conformou com tal atitude do homem, e o transformou em um novo animal, que tinha as mão douradas como o Sol que brilhava. E deu-se o nome àquele bicho de macaquinho-de-mão-d'ouro. Tupã então tratou de refazer o Sol. Mas ele só ia ao oeste e não conseguia voltar. Então criou assim a Lua e as estrelas para iluminarem a noite. E assim ia, o Sol ia até o poente, não voltava, e então vinha a Lua e as estrelas. Acabava a noite e o Sol voltava. mas o sol sempre sorrindo ia e um dia viu a lua orgulhoso do que fez

Enfim os índios Brasileiros adoram o que existe de fato, adoram somente o que é realmente real, os fenômenos naturais, o clima, a natureza, apenas as coisas reais. "A realidade é a única verdade em que podemos acreditar".

"Tupã-Cinunga" ou "o trovão", cujo reflexo luminoso é tupãberaba, ou relâmpago cuja voz se faz ouvir nas tempestades sua morada é o Sol.

Tupã representa um ato divino, é o sopro da vida, e o homem a flauta em pé, que ganha a vida com o fluxo que por ele passa."





O PANTEÃO 

ANGATUPRI - Espírito ou personificação do bem

ANHANGÁ - Deus Infernal

ANHUM - Deus do Canto e da Música, neto de Tupã tocava Taré.

ARACI - Na mais longínqua e remota antiguidade, Itaquê, o mortal, amou a imortal Deusa Lua Jaci. Dessa união, nasceu Araci, que ao morrer, foi elevada aos céus por sua mãe, tornando-se a ninfa das manhãs e da aurora.

BOTO - Deus dos abismos dos mares, que governa os oceanos e habita a sagrada Loca, que é a habitação dos Deuses marinhos no fundo das águas. 

COROACY - Deusa Solar ou a Mãe do Dia. Ela representa a primeira visão do Sol matinal.

CURUPIRA - Foi enviado para terra por Tupã para proteger os campos e florestas.

CY - A Mãe de Todos, a encarnação da Terra e de todos os ventres grávidos.

DEUSA ARANHA - Deusa tecelã da vida que trouxe nos fios de sua teia os Caiapós do espaço para habitar a Terra.

GUARACY - Deus Sol.

IAVU-RÊ-CUNHÃ - Duende da Mata dos Kamaiurá.

JACY - Deusa-Lua, a poderosa Mãe da Noite e Senhora dos Deuses. Tem duas formas: Jacy Omunhã (Lua Nova) e Jacy Icaua (Lua Cheia).

JURUTI - A Mãe dos rios.

KATXURÉU - Deusa da Morte dos indígenas.

MARA- Deusa das Trevas.

MULHER ARARA - Deusa Mãe que possui o poder de transformar-se tanto em pássaro como em mulher.

NAIÁ - Fada que habita a flor da planta conhecida por Vitória-Régia.

NETE BEKU - Deusa Mãe que ensinou aos Kaninawás sobre o uso dos vegetais.

NHARÁ - Deus do Inverno.

PÉDLERÉ - Deusa da Morte dos índios krahôs.

PÔLO - Deus do Vento e Mensageiro dos Deuses.

POMBERO - Um espírito popular de travessura

PYTAJOVÁI - Deus da guerra

RUDÁ - Deus do Amor, encarregado da fertilidade e da reprodução.

SETE ESTRELO - O Deus das Plêiades.

SUMÁ - Deusa da Ira, que envolta em uma manta negra de cipó chumbo, vagava pela terra, espalhando ódio e discórdia. Era uma Deusa Guerreira que orientava e protegia a agricultura. Uma lenda bem antiga, afirma ser ela filha legítima de Tupã e Jaci.

TAMBA-TAJÁ - Deus do Amor.

TAU - Deus/Espirito do Mau.

TATAMANHA - Deusa das Labaredas e das faíscas.

TICÊ - Esposa de Anhangá (Deus Infernal).

TIRIRICAS - Deusas da Raiva, do Ódio e da Vingança.

TOLORI - Deus da Tempestade e inimigo das mulheres.

TUPÃ - (que na língua tupi significa trovão) é uma entidade da mitologia tupi-guarani.

Os indígenas rezam a Nhanderuvuçu e seu mensageiro Tupã. Tupã não era exatamente um deus, mas sim uma manifestação de um deus na forma do som do trovão. É importante destacar esta confusão feita pelos jesuítas.Nhanderuete, "o liberador da palavra original", segundo a tradição mbyá, que é um dialeto da língua guarani, do tronco lingüístico tupi, seria algo mais próximo do que os catequizadores imaginavam.

Câmara Cascudo afirma que Tupã "é um trabalho de adaptação da catequese". Na verdade o conceito "Tupã" já existia: não como divindade, mas como conotativo para o som do trovão (Tu-pá, Tu-pã ou Tu-pana, golpe/baque estrondante), portanto, não passava de um efeito, cuja causa o índio desconhecia e, por isso mesmo, temia. Osvaldo Orico é da opinião de que os indígenas tinham noção da existência de uma Força, de um Deus superior a todos. Assim ele diz: "A despeito da singela idéia religiosa que os caracterizava, tinha noção de Ente Supremo, cuja voz se fazia ouvir nas tempestades – Tupã-cinunga, ou "o trovão", cujo reflexo luminoso era Tupãberaba, ou relâmpago. Os índios acreditavam ser o deus da criação, o deus da luz. Sua morada seria o sol

Para os indígenas, antes dos jesuítas os catequizarem, Tupã representava um ato divino, era o sopro, a vida, e o homem a flauta em pé, que ganha a vida com o fluxo que por ele passa.

UALAIMKÍPIA - Deusa-Pássaro da Morte equivalente a Deusa grega Hécate.

UIAPURU - O Deus do amor do mundo alado, o pássaro encantado considerado o orfeu amazônico.

VITÓRIA RÉGIA - Deusa-fada do reino vegetal.

XUNDARUÁ - Deusa Peixe-Boi padroeira da pesca e dos pescadores. 

YARA - (também chamada de "Mãe das Águas"), segundo o Mitologia Índigena, é uma lindissima Sereia morena, de longos cabelos negros e olhos castanhos, que costuma banhar-se nos Rios e Cachoeiras, cantando uma Melodia de Beleza irresistível. Os homens que a vêem não conseguem resistir a seus desejos e pulam nas Águas, e ela então os leva para o fundo; quase sempre não voltam vivos. Os que voltam ficam loucos, e apenas uma benzedeira ou algum ritual realizado por um Pajé consegue curá-los. Os Índios têm tanto medo da Iara que procuram evitar os lagos ao entardecer.Iara antes de ser sereia era uma índia guerreira, a melhor de sua tribo. Seus irmãos ficaram com inveja de Iara pois ela só recebia elogios de seu pai que era pajé, e um dia eles resolveram tentar matá-la. De noite quando Iara estava dormindo seus irmãos entraram em sua cabana só que como Iara tinha a audição aguçada os ouviu e teve que matá-los para se defender, e com medo de seu pai fugiu. Seu pai propôs uma busca implacável por Iara. E conseguiram pegá-la, como punição Iara foi jogada bem no encontro do rio Negro e Solimões, os peixes a trouxeram a superfície e de noite a lua cheia a transformou em uma linda sereia, de longos cabelos negros e olhos castanhos.
Era o deus dos peixes. Era , segundo outros, a Sereia ou Mãe d'água, pois Y-Yára quer dizer - a que mora na água. A raça desses monstros marinhos chamavam de Y-Yára-ruoiara.

YANUBÊRI - Avó ancestral indígena muito poderosa.

YEBÁ BELÓ - A Avó do Universo.
“Yebá Beló fez a si mesma a partir de utensílios invisíveis e pensava em como deveria criar o mundo. Ainda não havia luz, Yebá então criou três trovões, do primeiro fez surgir Emeko, um ser invisível, do segundo Emeko criou o Sol e com poder concedido por Yebá Beló criou o homem. Do último trovão Emeko criou os animais. Yebá formou ainda a terra, com sementes do seu seio esquerdo e adubando com leite do seio direito. A criação se dá por completo, quando dois índios, Curu e Rairu, enviados por Tupã, estendem uma corda e puxam pessoas por um buraco na terra, dando início a povoação do mundo”

YUSHÃ KURU - Deusa feiticeira ou curandeira que ensinou os xamãs kaxinawás a curar. Conhecida também como a Fêmea Roxa, deu muitos conselhos e surgiram os remédios. Uns eram venenos para matar: olho forte, Beru Paepa. Mijo amargo, Isü Muka. Outro para coceira, Nui. A velha Fêmea Roxa observava bem as folhas e os pés das árvores: ─ Esse mato não é remédio forte.

E assim foi... Surgiram muitos remédios, todos os remédios que têm na mata. Remédio bom que cura as pessoas. Bom para picada de cobra, picada de escorpião, aranha, reumatismo e fígado.A Fêmea Roxa,
Yushã Kuru, conhecia bem todas as folhas desses remédios.

Depois não ensinava vira mais ninguém. Usava todos esses remédios sempre escondida de todo mundo. Até que um dia, a velha Fêmea começou a ensinar para neto dela, o tubo de sua filha. Ensinava a ele todos os remédios da mata que sabia. Ensinava também como preparar estes remédios. Também ensinava o remédio forte e venenoso para colocar feitiçono outro. E experimentava com ele para saber se ele tinha aprendido tudo que sua avó sabia.
Aprendeu a preparar o veneno para botar feitiço no outro. E, as vezes, com mato venenoso, tirar o espírito da pessoa.Quando a mulher moça ou o homem rapaz crescia bonito, ela botava feitiço. Quando o homem era trabalhador, a mulher fazia artesanato e quando esculhambava com a velha Fêmea Roxa ela também botava feitiço para essas pessoas morrerem.

Na aldeia, o povo nau sabia o que a Fêmea Roxa fazia. Passou muito tempo sem ninguém perceber a situação.


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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Fogo e as Danças Associadas ao Antigo Festival de Beltaine



Nesta temporada ainda é feita memorável na Irlanda por fogos de iluminação em cada colina, de acordo com o uso pagão antigo, quando os fogos se acenderam Baal como parte do ritual de adoração do sol, ainda que agora eles são acesas em honra de St. John. A grande fogueira do ano ainda é feita na véspera de São João, (30 de abril), quando todos dançam o povo em volta dele, e cada jovem assume uma marca iluminada da pilha para trazer para casa com ele para a boa sorte para a casa.

Nos tempos antigos, o fogo sagrado era iluminado com grande cerimônia em Midsummer Eve (Solstício de Verão), e naquela noite todas as pessoas do país adjacente vigiavam fixa no promontório de Howth oeste, e no momento o primeiro flash era visto desde que ponto o fato de ignição foi anunciado com gritos selvagens e aplausos repetidos de aldeia em aldeia, quando todos os fogos locais começaram a arder, e Irlanda foi circundado por um cordão de fogo subindo em todas as colinas. Em seguida, a dança e a música começa em torno de cada fogo, e as aclamações selvagens encheram o ar com a folia mais frenético.

Druidic-People2.gif (77454 bytes)Muitos desses costumes antigos ainda continuou, e os incêndios ainda estão acesas na véspera de São João em todo o outeiro na Irlanda. Quando o fogo já queimou a uma luz vermelha dos jovens tira para a cintura e saltar por cima ou através das chamas, o que é feito frente e para trás várias vezes, e quem chama os maiores guerreiros é considerado o vencedor sobre os poderes do mal , e é recebido com aplausos tremenda. Quando o fogo queima-se ainda mais baixos, as jovens salto a chama, e aqueles que salto limpa mais de três vezes para trás e para frente serão determinados de um casamento rápido e boa sorte no após vida, com muitos filhos. 

As mulheres casadas, em seguida, percorrer as linhas do brasas, e quando o fogo é quase queimado e pisada, o gado ao sobreano são conduzidos através das cinzas quentes, e sua parte traseira é chamuscado com um iluminado galho de avelã. Essas varas são mantidas depois com segurança, sendo considerada de imenso poder para conduzir o gado para os locais de rega.  

Com o fogo cresce a euforia, a música, a dança começa, enquanto profissionais contadores de histórias narram contos de fadas, ou dos bons e velhos tempos há muito tempo, quando os reis e príncipes da Irlanda habitaram entre seu próprio povo, e havia comida para comer e para beber vinho para todos os cantos para a festa na casa do rei.

Quando a multidão finalmente se dispersa, cada um leva para casa uma marca do fogo e de grande virtude é anexado a iluminada Coroa que é transportado em segurança para a casa sem quebrar ou cair no chão. 
Muitas competições também surgem entre os jovens, para quem entra em sua casa pela primeira vez com o fogo sagrado traz a boa sorte do ano com ele.

No primeiro domingo de Verão todos os jovens costumava ficar em linhas depois de sair da capela, a ser contratado para o serviço - as meninas de mãos dadas e de branco, os homens jovens, cada um com um emblema de seu ofício. A noite terminou com uma dança e a folia foi mantido até o amanhecer do dia seguinte, chamado de "Triste segunda-feira," por causa do fim do prazer e da brincadeira.

Fonte: Wilde 'Speranza' Lady - Legends Antiga, Charms Mystic, e as superstições da Irlanda. publicado pela primeira vez 1888. Reproduzido por O'Gorman Ltd. Galway, na Irlanda. 1971.

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quarta-feira, 14 de março de 2012

Um Demônio no Espelho........


Prazer, meu nome é demônio,
os gregos me chamavam de psyche
Mas eu prefiro me chamar de um nome:
o seu nome.


Eu sou fingido, sou artista
um hábil malabarista
velho, já encarnei mais vezes
do que você pode imaginar
Sou orgulhoso, metido
para você eu sou um doido varrido
E talvez seja mesmo, quem sabe?
Adoro Netzach


Na lonjura da sua loucura
eu procuro a tua figura
e ai de ti, se eu te achar
Queres saber quem eu sou, pois então
vê se presta atenção
porque só uma vez vou te falar


Eu sou teu sonho, teu corpo, tua mão
sou a árvore que você vê, o céu e o chão
mas apenas quando estes estão
refletidos no teu ego bruto, embora desafiador
Eu sou a tua realidade, a tua projeção
sou a tua cidade, a tua nação
quando tu vês alguém, tu me vês
Mas eu não sou esta pessoa, assim como não sou tu,
eu sou tu em consciência desta grande alucinação
a qual tu chamas tua vida

Quando me encontras tu entra em chamas
teu coração bate forte, tua mente, quase insana
ninguém me aguenta, mas admito, tem gente que tenta,
mas em vão, ser meu amigo
Eu amigo? Não sou bem nem mal, sou o Conhecimento
me chamaram de Choronzon, que nome horrendo!
eu sou rico, bonito e poderoso
se você é mulher, sou charmosa, gostosa, cheirosa, perceptiva
Enfim, vou resumir senão te embaralho:
sou teu Ego, teu desejo, tua ânsia, teu ser
tua incapacidade de amar e de se dar
Eu sou o teu apego


Alguns pensaram que eu era inimigo,
mas vou te dizer,
sem mim tu estarias perdido,
ou melhor, nem teria existido
Portanto, vou te dar um conselho porque estou de bom humor
Eu sou o escaravelho, a vida, tu, o ator
Mas não caia tu na tolice de me adorar ou render culto
pois eu sou tu, imbecil inculto!
Agora de novo vou resumir brevemente para que
clarifique a tua mente:
EU SOU A NEGAÇÃO DO OUTRO


O que é a negação do outro?
tu me perguntaste assustado
Eu respondi, meio irritado
"É A NEGAÇÃO DO QUE TU
TOLAMENTE CHAMAS DE REALIDADE!"
Por isso cedo ou tarde tu vais me conhecer
Se teus pés forem o caminho da iluminação percorrer
E se de mim passares, se eu não te conseguir seduzir
Serás Mestre dos mortais, do rei e do vizir,
não terás mais nada, terás o fruto que eu escondo
e proíbo os homens de pegarem:
a imortalidade no vazio
do que chamaram de Dharma


Quando tu me encontras?
Quando abres mão da tua realidade, sem dó nem piedade
Quando o poder está em ti, não fora,
mas erradamente, o usas para ver o teu mundo
como se fosse uma lente
e vês a ti mesmo e nada mais!
Eu sou o que os Hindus chamaram de Atman, Chaitanya
quando tu me vês, tu vês o mundo todo
como se fosse de ti mesmo projetado

E quando tens essa visão, se assusta,
tua boca falastrona e tua mente boba
rapidamente calam e amadurecem
como eu faço bem para os mortais!
Quando tu me encontras tu vês
o quanto tu gostas desta ilusão
que tu chamas vida, e reencarnação
Tu vês o quanto tu gosta da separação,
pois sem ela acaba o amor,
e só há solidão, solidão,
mil vezes solidão
e dor!


Porém aí há uma passagem estreita
que não arrisques te jogar com toda tua força
antes que estejas preparado, para teu bem:
O teu Grande Sacrifício, quando és crucificado
ou não, se teu ego ilusório for acorrentado
então, futuro, presente e passado,
se tu tiveres sucesso, se dissolvem na divina compaixão


Agora te explico que não sou quem tu chamas de Lúcifer
este é por mim odiado Eu sou o que chamam de Jeová,
o deus do ego, o vingador, o imolador, o amaldiçoador,
o deus da matéria eu sou teu ego mais baixo
se eu pudesse resumir ainda outra vez
eu sou a beleza da tua ilusão,
aquela mulher, aquele homem, aquele carrão


Lúcifer, meu abnegado irmão
é tu mesmo, preso na ilusão
caído, perdido, lembrando aquele paraíso
pensando que existes, que teu eu é real
Lúcifer é o amor do sábio
O brilho no olho do mago
O Mestre, o que tem a luz

Mas te digo uma coisa agora e escutes bem
eu não gosto de ninguém
eu sou teu sonho, tua ilusão
Quando tu olhar o outro
e erradamente veres ele como tua projeção,
ao invés de veres ele como tua irmã ou irmão
Então saibas tu que estarás brincando comigo
Então busca para isso o antídoto:
lê o que falou o Buddha, o Iluminado
sobre a compaixão, sobre o Anatman
o não-eu, e então terás o prêmio, que é a libertação
pois terás abrido mão do teu ego, então,
serás um Mestre deste teu sonho, desta tua ilusão


Mas comigo não se brinca
Eu sou cruel, rio, torturo, xingo, te humilho
no monturo do teu ego eu te pilho
Eu sou o Coringa
E muitos caem na minha loucura
com mentes imaturas
lhes falta amor, compreensão
e mergulham de cabeça na minha visão
achando se tratar de solução !!!


É o caso das lendas dos que vocês chamam vampiros
eles mergulham fundo no ego e me encontram
Eu cuspo neles, rio deles e os aprisiono
e para sempre eles estão sozinhos, sem alma, sem o sentir,
o corpo astral deles eu tomo para mim,
muitos não aguentam a caem na loucura, que sou eu próprio
Se você quer saber os que são meus olha os corpos astrais deles
estão sempre deslocados, para o lado,
por isso nas tuas lendas eles são frios, pálidos,
o Sol lhes queima a pele e possuem péssimos hábitos


São poucos, é verdade, pois a falsidade
não aprisiona os homens como eu teria desejado
Então eles vêem mesmo sem perceber,
o vazio do sonho, mas sem enlouquecer,
eles se entregam em amor pelo sonho,
e o amor os salva de mim.
 Portanto o amor não é algo,
um ideal bonito que tu deverias ter
o amor é o teu salvador
é a tua chance de viver
o amor e a sabedoria
te dão mais do que te daria
em mil anos de loucuras



Derf ed airotua
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Gaia


Gaia - A Mãe Terra

  • Raça: Deusa Primordial
  • Aspectos: Deusa-Mãe; Deusa-Terra, Deusa da Natureza.
  • Cônjuge: Urano
  • Filiação: Não possui.
  • Descendentes: Urano; Pontos; Óreas; ciclopes; hecatônquiros; Titãs; Píton; Ceto; Euríbia; Nereu; Fórcis; Taumante; Equídna; Tífon; dentre outros.
  • Aliados: Todos os seus descendentes da linhagem do Céu.
  • Plantas relaccionadas: Todas
  • Atributos e símbolos: Gestação; árvore; cereais.

Os romanos a chamavam de Tellus, os vikings de Nerthus, os yorubás de Oduduwá. Todos esses epitetos e nomes são a mesma Deusa, a Terra. Gaia (ou Géia) é a Terra, foi a primeira Deusa a ser cultuada como principal divindade. Gaia foi uma das primeiras divindades do Universo. Sem intervensão masculina, ela pariu Urano (o Céu), Pontos (o Mar) e os Óreas (montanhas). Ela teve relações com muitos Deuses, mas sua principal linhagem é com o Céu. Com ele, Gaia gerou várias criaturas, gerou ciclopes, hecatônquiros (centímanos), e os Titãs e Titanides. Podemos dizer que Gaia (a Terra) com Urano (o Céu) gerou a vida terrestre, gerou todos nós.
Neste tempo, Urano se tornou líder de todo o Universo e mantinha seus filhos trancados no ventre de Gaia (seu ventre é o Tártaro). Gaia não aguentava constante dor, e então pediu a seus filho Titãs que cortassem os testículos do pai com uma foice. O Titã que aceitou o plano foi Cronos (Saturno). Quando o Céu estava prestes a fecundar com a Terra (com a chuva vinda do Céu), Cronos aproveitou e cortou os testículos dele e salvou os irmãos. Entretanto, ele salvou apenas os Titãs, enquanto os ciclopes e hecatônquiros mantinham presos no Tártaro. Mais Tarde, Zeus, filho de Cronos, destronou o pai, salvou os irmãos, os ciclopes e os hecatônquiros e deixou preso os Titãs.
Gaia odiava (e ainda odeia) essa rivalidade entre seus descendentes. Ela só quer que todos os seus filhos sejam fraternos, não quer ver ninguém se odiando, fazendo guerra ou preso no Tártaro. Ela odiou quando Cronos prendeu os outros irmãos, e odiou quando seu neto Zeus prendeu os Titãs. Hoje em dia, Gaia está em constante perigo por causa de seus descendentes, nós mesmos, que Lhe devastamos, poluímos e acabamos com Seus recursos. Temos que preservar o que resta, temos que consumir com responsabilidade, para que a Terra possa novamente se erguer e continuar nos sustentando. Precisamos ajudar nossa matriarca, Gaia, assim como Ela nos ajuda.







Antes do homem ser criado, só havia terra e ar e antes mesmo de existir o ar e a terra, se necessitava de um lugar para estes se manifestarem. Este lugar era o Caos: que era o lugar onde existia só a possibilidade de ser. No sonho do Caos só existia o Pensamento, que crescia e palpitava e este Pensamento estabeleceu a Ordem. Tão poderoso e eficaz foi este Pensamento que chamou a si mesmo de Eros, e ao pronunciar aquele nome, o Caos se transformou no Momento. Do Caos e Eros surgiram a obscuridade chamada Nyx e o movimento chamado Boreas, o vento. Em sua primeira dança cósmica, Nyx e Boreas, giraram em movimento arrebatado e frenético até que tudo que era denso e pesado descendeu, e tudo que era leve ascendeu. A matéria densa era Gaia e de sua chuva e de sua semente proveu sua descendência. 
A princípio, de Gaia nasceu Urano ou o Céu, que uniu-se a ela gerando os Titãs, os Titânides, incluindo Cronos, o Devorador Pai do Tempo. Entretanto, Urano tomou-se de aversão a todos os seus filhos: desde que nasciam, encerrava-os em um abismo e não os deixava ver o dia. Tal atitude motivou uma grande revolta e acabou, com o consentimento de Gaia, castrado pelo seu filho Cronos. O sangue de Urano jorrou sobre a terra gerando outros Deuses, como as Erínias (Fúrias), as Meliae (ninfas do espírito das árvores) e os Gigantes. Cheio de mágoa e em conseqüência da mutiliação de que fora vítima, Urano morreu. 

As representações de Cronos que se seguiram não são muito consistentes; de um lado, dizem que seu reino constituiu a Idade do Ouro da inocência e da pureza, e, por outro lado, ele é qualificado como um monstro, que devorava os próprios filhos. Em grego Cronos quer dizer o Tempo. Este Deus que devora os filhos é, diz Cícero, o Tempo, o Tempo que não sacia dos anos e que consome todos aqueles que passam. 

Da união de Gaia e Urano nasceram também: Hipérion, Japeto, Réia ou Cibele, Temis, Febe, Tetis, Brontes, Steropes, Argeu, Coto, Briareu, Giges. 

Dizia-se que o homem nascera da terra molhada aquecida pelos raios de Sol. Deste modo, a sua natureza participa e todos os elementos e quando morre, sua mãe venerável o recolhe e o guarda em seu seio.
A Terra, às vezes tomada pela Natureza, tinha vários nomes: Titéia, Ops, Vesta e mesmo Cibele. 

Algumas vezes a Terra é representada pela figura de uma mulher sentada em um rochedo. As alegorias moderna descrevem-na sob traços de uma venerável matrona, sentada sobre um globo, coroada de torres, empunhando uma cornucópia cheia de frutos. Outras vezes aparece coroada de flores, tendo ao seu lado um boi que lavra a terra, o carneiro que se ceva e o mesmo leão que está aos pés de Cibele. Em um quadro de Lebrum, a Terra é personificada por uma mulher que faz jorrar o leite de seus seios, enquanto se desembaraça do seu manto, e do manto surge uma nuvem de pássaros que revoa nos ares. 

Gaia foi também, a profetiza original do centro de advinhação da Grécia Antiga: o Oráculo do Delfos. O Oráculo, considerado o umbigo da Terra, situava-se onde a sabedoria da terra e da humanidade se encontravam. 

Gaia é o ser primordial de onde todos os outros Deuses se originaram, mas sua adoração entrou em declínio e foi suplantada mais tarde por outros deuses. Na mitologia romana é conhecida como Tellus. Gaia é a energia da própria vida, Deusa pré-histórica da Mãe Terra, é símbolo da unidade de toda a vida na natureza. Seu poder é encontrado na água e na pedra, no túmulo e na caverna, nos animais terrestres e nos pássaros, nas serpentes e nos peixes, nas montanhas e nas árvores. 

ARQUÉTIPO DA TERRA 

Quando falamos do arquétipo da Terra, estamos também inevitavelmente nos referindo ao arquétipo do Céu, e à relação entre os dois. É só depois que separmos o que está aqui embaixo com o que está lá em cima, que entenderemos o simbolismo do que está acima que é leve, claro, masculino e ativo, e a Terra, que está abaixo e é pesada, escura, feminina e passiva. 

A humanidade como um todo reunida em torno do arquétipo Terra está associada tanto à este mundo que é corpóreo, tangível, material e estático, quando ao seu simbolismo oposto do Céu que está ligado ao outro mundo, incorpóreo, intangível, espiritual e dinâmico. Para entendermos o arquétipo da Terra e da Deusa Mãe Terra, devemos entrar em contato com as contradições Céu e Terra, Espírito e Natureza. 

A imagem patriarcal cristã da Terra, durante a Idade Média, era sem nenhuma ambigüidade, negativa, ao passo que o arquétipo positivo do Céu era dominante. A parte decaída inferior da alma pertencia ao mundo da Terra, enquanto que sua verdadeira essência que é o "espírito", se originava no lado celestial masculino de "Deus", ou do Mundo Superior. O lado terreno então, deveria ser sacrificado em nome do Céu, porque a Terra era feminina, pertencendo ao mundo dos instintos, representanda pela sexualidade, sedução e o pecado. 

Esta autonegação do homem, desperta em nós não apenas espanto, mas horror, em virtude da natureza humana terrena, ser considerada repulsiva e má. Depreciação da Terra, hostilidade para com a Terra, que nos alimenta e protege, são expressão de uma consciência patriarcal fraca, que não reconhece outro modo de ajudar a si mesma a não ser fugir violentamente do domínio fascinante e avassalador do terreno. 

Foi somente a partir da Renascença que a Terra libertou-se desta maldição, tornando-se Natureza e um mundo a ser descoberto que aparece com toda a sua riqueza de criatura viva, que já não estava em oposição com um Espírito Céu da divindade, mas na qual a essência divina se manifesta. O espírito que de agora em diante será buscado é espírito da Terra e da humanidade.

RECONHECENDO A DEUSA

As imagens mitológicas da Grande Mãe, Criadora do Universo, são numerosas, como numerosos são estágios da revelação do ser dela, mas a forma mais difundida e conhecida de sua manifestação, a forma que define sua essência é a de Terra Mãe.
Reverenciar os princípios femininos e a consciência da Deusa Gaia, nos ajuda a nos colocar em contato com a beleza e a magia da natureza e todas as suas criaturas.
Reconhecer esta Deusa da Natureza, como nossa Mãe Terra amorosa, ajuda a expandir nosso respeito ao meio ambiente e nossa busca do equilíbrio entre as energias masculinas e femininas, para que, em lugar de competir, trabalhemos juntos, para o bem individual e coletivo.
A maioria das mulheres, já lançam mão da sabedoria da Deusa, para ocupar seu espaço na terra e no presente milênio.
Vamos deixar que a Deusa renasça e se expresse em nossas intenções, vontades e desejos, para que possamos extrair de nosso corpo os movimentos sagrados de sua dança e deixar que embale nossos sonhos.

NUTRI TEU AMOR PELA TERRA

Reverenciar Gaia não requer nenhuma fé, a simples consciência das manifestações da natureza que ocorrem a nossa volta, já é o bastante para absorvermos sua energia. Nos conectarmos com Gaia é mais simples ainda:
Caminhe descalços na terra, areia ou grama, a sensação é deliciosa;
Em uma praça ou jardim, feche os olhos e tente identificar o cheiro das flores;
Coma seu alimento de cada dia consciente que tudo é presente de nossa Mãe Terra;
Abrace um bebê e admire conscientemente o milagre da vida;
Sente-se na grama e observe as formigas trabalhadeiras em seu diário trabalho de sobrevivência;
Coloque os pés descalços na terra e brinque de árvore, enraizando-se e sugando a seiva da Terra;
Você mesma pode inventar seu ritual, desde que esteja em contato com a Natureza, tudo é válido. 

Texto pesquisado e desenvolvido porRosane Volpatto


Fontes: http://dodecateismo.blogspot.com.br/2011/06/gaia.html
http://www.xamanismo.com.br/Consciencia/SubConsciencia1191766640It003

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