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domingo, 8 de outubro de 2017

As cores das velas

"Branca: É a mistura de todas as cores; Alinhamento espiritual, limpeza, saúde, verdade, poder, pureza grandes realizações na vida, totalidade; Usada em rituais que envolvam a energia lunar. Aumenta a energia das outras velas usadas juntamente.

Amarela: Intelecto, criatividade, unidade, trazendo o poder da concentração e da imaginação para o ritual; use em rituais onde deseje obter dos outros uma confidencia ou persuadir alguém. Simboliza também a energia solar. Acção, atracção, inspiração e mudanças súbitas. 

Dourada ou Amarelo muito claro: Activa a compreensão e atrai as influências dos poderes cósmicos; beneficia rituais para atrair dinheiro ou sorte rápida. Simboliza também a energia solar. Poderes divinos masculinos. 

Rosa: Favorece o romance, a amizade; é uma cor usada em rituais para desenvolver sentimentos afectuosos; cor da feminilidade, honra, serviço, e favorece o diálogo em mesas de refeição familiar. Despertar espiritual, cura de espírito e comunhão. 

Vermelha: saúde, energia, potência sexual, paixão, amor, fertilidade, força, coragem, vontade de poder; aumenta o magnetismo em um ritual; Energia dos signos de Áries e escorpião. Para a conquista do medo ou da preguiça. 

Prateada ou cinza bem claro: Remove a negatividade e encoraja a estabilidade; ajuda a desenvolver as habilidades psíquicas. Atrai a energia da Grande Mãe. Vitória, meditação, poderes divinos femininos. 

Roxa ou Púrpura: Poder, sucesso, idealismo, progresso, protecção, honras, quebra de má sorte, afasta o mal, adivinhação, altas manifestações psíquicas; ideal para rituais de independência, contacto com entidades astrais. Energia de Neptuno. 


Magenta: Combinação de vermelho com violeta, esta cor oscila com alta frequência; para rituais que necessitem de uma acção rápida ou um poder bem elevado ou uma saúde espiritual requerida; rápidas mudanças, cura espiritual e exorcismo. 

Marrom ou Castanha: Cor da terra, equilíbrio; para rituais de força material; elimina a indecisão, atrai o poder da concentração, estudo, telepatia, sucesso financeiro. Serve também para encontrar objectos que foram perdidos. 

Índigo: Cor da inércia; para parar pessoas ou situações; use em um ritual que requeira um elevado estado de meditação; Neutraliza a magia lançada por alguém, quebra maledicência, mentiras ou competição indesejável. Equilíbrio do Karma. Energia de Saturno. 

Azul Royal: Promove a alegria e a jovialidade; use para atrair a energia de Júpiter ou para qualquer energia que queira potencializar. 

Azul Claro: Cor espiritual; ajuda nas meditações de devoção e inspiração; traz paz e tranquilidade para a casa. Erradia a energia do signo de Aquário; Sintetiza as situações. 

Azul: Cor primária e espiritual para rituais que necessitem de harmonia, luz, paz, sonhos e saúde. Simboliza a verdade, inspiração, sabedoria, poder oculto, protecção, compreensão, fidelidade, harmonia doméstica e paciência. 

Verde Esmeralda: Importante componente num ritual Venusiano; atrai amor, fertilidade e relação social. 

Verde Escuro: Cor da ambição, cobiça, inveja e ciúme; coloca as influências destas forças num ritual. 

Verde: Promove prosperidade, fertilidade, sucesso, abundância, generosidade, casamento, equilíbrio; estimula rituais para a boa sorte, dinheiro, harmonia e rejuvenescimento. 

Cinza: Cor neutra, ajuda a meditação; na magia, esta cor simboliza confusão, mas também nega ou neutraliza a influência negativa. 

Preta: Abre os níveis do inconsciente; usado em ritual para induzir um estado de meditação; simboliza também a negatividade a ser banida, no caso de rituais de devolução, reversão, desdobramento, anulação de forças negativas, discórdia, protecção, libertação, repelindo a magia negra e formas mentais negativas. Atrai a energia de Saturno."
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Gurus à solta


TRANSCRIÇÃO DA CRÔNICA DE WALCYR CARRASCO
PUBLICADA NA REVISTA VEJA SÃO PAULO DE 10 DE OUTUBRO DE 2007
(PARTE INTEGRANTE DE VEJA 40 - Nº 40) EDITORA ABRIL


Quando era adolescente, fui a uma cartomante próxima ao Cemitério da Consolação. "Ela acerta tudo", havia confidenciado uma amiga. Uma senhora gordinha me deixou entrar por uma fresta da porta. Na época, leitura de sorte dava cadeia. Talvez por não conseguir prever a própria prisão, ela era cuidadosa. Abriu o baralho. Fiz a pergunta clássica:

– Estou apaixonado por uma garota morena, mas ela não sabe...

A mulher fechou as cartas.

– Primeiro você tem de estudar, antes de pensar nessas coisas.

E ainda cobrou a consulta! Saí de lá furioso. Conselho assim meu pai já me dava, e de graça! Meu fascínio pelas previsões continuou. Eu mesmo estudei leitura de mão, tarô... Ao longo dos anos, conheci gurus. Havia uma garota loira e simpática, de família rica, que nunca mais vi. Perguntei por ela. Um amigo contou:

– Encontrou um guru. Ela e mais três amigas estão morando com ele. Lavam, passam, cozinham e fazem meditação. Segundo ele, o trabalho físico eleva o espírito.

– E certamente torna a vida dele muito confortável! – afirmei.

Estou sempre pesquisando grupos místicos, seitas, conhecimentos esotéricos. Gosto. Admiro. Tento me aprofundar. Mas me assusto com a recente inflação de gurus, cartomantes, adivinhos, astrólogos. Os convites para cursos, palestras, futurologias abundam em jornais, revistas, mensagens da internet! Há algum tempo fui fazer uma massagem com um mestre oriental. Caríssima. Sentamos um em frente ao outro.

– Você é uma pessoa introspectiva, que busca um objetivo – disse ele.

– Sim, sim!

– Sente falta de afeto sincero.

– Sim, sim!

Concordava com tudo! Estava com as costas doloridas de sentar diante do computador. E mais ainda por ficar no tatame de pernas cruzadas, ouvindo o blablablá. Finalmente ele parou de falar. Aliviado, tirei a camisa.

– Fique vestido. Nosso tempo se esgotou – afirmou mansamente.

– Mas... e a massagem?

– Você foi curado pela Prana, a energia cósmica que fluiu entre nós durante a conversa. Volte na semana que vem. Temos um longo caminho.

Quase dei uma entortada no sujeito. Não esticou um dedo, cobrou a massagem e ainda tive de pagar pela energia cósmica, que, supõe-se, é gratuita!

Encontro xamãs por todo lado. Faz pouco, em uma festa, um senhor se aproximou:

– Você é especial.

– Oh, obrigado! – concordei.

– Mas sua energia está presa. Vejo sombras, que você precisa vencer.

– Ah, é?

– Eu tenho um grupo que pode ajudá-lo muito e...

Fui correndo cercar a bandeja de salgadinhos!

Um amigo entrou para um grupo secreto, repleto de rituais. Descobriu que não podia comer carne nem fazer sexo na véspera e no dia dos encontros. Nem nos dias santos. Após vários cálculos, sobravam cerca de dez dias por semestre para o churrasco e... Na primeira semana, ele e a companheira dormiram castamente, de costas um para o outro. Na segunda, estavam nervosos e brigaram por causa do tempero da salada. Na terceira, desistiram de se elevar ao plano angelical! 

Pior, porém, foi o outro extremo. Um conhecido resolveu se dedicar a um grupo de ioga, em que atingiria o plano superior permanecendo de cinco a seis horas na mesma posição erótica com a mulher. Em vez de amor, teve cãibras!

Nada contra os gurus em si. Muitos são sérios! Mas com freqüência há uma relação de poder embutida. Querem dizer o que eu, você e a humanidade toda deveríamos fazer. A vida se torna um emaranhado de proibições. E, para mim, a felicidade é ainda o principal caminho para a paz interior. 
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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Feitiços, encantos, desejos


Desejos, estes são sempre a ruína do ser humano!

Quem nunca desejou algo na vida?

O desejo sempre vem recheado de emoção e sentimento, seja de paixão e amor ou de raiva e ódio.

O interessante é que a emoção sempre tem uma conotação mais forte, pois é o que nos

abate, como quando nos apaixonamos e perdemos completamente o controle das coisas.

Essa intensidade abre as portas para os sentimentos, que nesse caso podem ser tanto o amor como o ódio (ambos sentimentos fortes), mas que sabem aguardar o momento certo para a ação. São sentimentos tranquilos e que se mantêm dentro do seu propósito e objetivo.

A vingança nada mais é do que ter o propósito de alcançar um objetivo que advém de

uma forte emoção repleta de sentimentos, que faz com que as pessoas simplesmente desejem.

Muitas vezes alguém, num desses momentos de forte emoção, deseja impensadamente, já que razão e emoção não combinam nessa hora, que seu marido morra da pior forma possível, pois naquele momento é a única coisa que ela consegue "pensar" (a emoção engana nosso cérebro). Neste caso essa pessoa abriu duas vertentes mágicas, só que uma faz parte da magia de agirmos pelo inconsciente e a outra pela energia criada no momento do desejo que, dependendo da intensidade e força, faz o universo começar a agir quase que instantaneamente, e o objetivo se cumpre.

No caso da magia, quanto mais intenso e sincero for o desejo, mais rápido e eficaz serão os resultados, mesmo que esses não agradem a quem desejou, já que não houve razão, o pensar real... E aí aguentem os resultados, pois isso sempre funciona, pode muitas vezes tardar mas nunca falha.

E no caso em que relatei, se essa energia foi intensa o sulficiente para mover o universo a favor do objetivo que era ver o marido morto e da pior maneira possível (mesmo que o pior possível seja o pior que ela conhece), simplesmente a qualquer momento esse homem pode começar a ter insuficiência respiratória e ficar acamado por anos, como pode atravessar a rua e ser atropeladado por um caminhão, como também ela simplesmente pode, a partir daquele momento, não sentir absolutamente nada por ele, a ponto de não se importar com qualquer direito humano ferido; tudo seria simplesmente ignorado por seus sentimentos, a tão falada frieza... De um jeito ou de outro o marido chega ao objetivo gerado pelo desejo em termos mágicos e práticos.

No segundo exemplo o desejo foi gerado de uma forma mais intrínseca, ela desejou de forma a guardar toda a energia em seu inconsciente para ser trabalhada aos poucos, chegando ao objetivo, geralmente de uma forma calculista que não é percebida pela pessoa que age. Mas a cada dia dá-se um novo passo desse plano que não é revelado à razão consciente da pessoa.Isso pode acontecer na forma de manipulação no relacionamento de forma imperceptível e bem calculada, visando o lucro pessoal e levando o outro a ruína, financeira ou sentimental, que não deixa de ser uma morte lenta e dolorosa, quase sem retornos.

Porque falei sobre emoções, sentimentos, consciente e inconsciente?

Simplesmente porque eles geram os desejos e esses devem ser muito bem elaborados para se colocar em prática. Qualquer desejo desequilibrado que tenha sido gerado num momento de raiva ou de intensa paixão pode traduzir-se num problema com consequências gravíssimas para várias pessoas, começando por quem desejou, que muitas vezes nem se lembra de ter exposto tamanha emoção e depois não sabe o motivo de estar acontecendo tanta coisa em sua vida. E como vivemos numa imensa teia, quem está ao redor também recebe a dose desse desequilíbrio e suas consequências, sejam boas ou ruins.

Uma energia desse porte, uma vez lançada, não tem mais parada. Ela circula até atingir o alvo, leve o tempo que precisar, mas ela chega no alvo.

Isso tudo é um pequeno alerta sobre as consequências que podemos ter que arcar quando nos utilizamos de ímpetos e súbitos emocionais, sem pensamentos em equilíbrio com a sabedoria dos sentimentos que estão em nossos corações.

As palavras tem poder, e não são como contratos que podemos rasgar ou colocar uma cláusula de ruptura. Uma palavra dada tem o peso de sua alma, diria até que carrega a conotação de uma promessa. São coisas que não se quebram... Quebramos regras para cumprir uma palavra dada, mas não temos como quebrar uma palavra dada para cumprir uma regra, pois aí a palavra se vira contra nós, e de alguma forma receberemos toda essa energia que foi impregnada em nossas próprias palavras.

Essa é a grande essência da magia.

Se querem praticar a magia, fazer feitiços e moldar energias, saibam muito bem trabalhar com cada energia e sentimento empregado. Usem a sabedoria e questionem seus atos para ter certeza de que não estão se precipitando no momento da ação. A teia reverbera, a energia espirala e um dia retorna.

"Cuidado com o que desejas, pois podes conseguir!"

"As palavras tem poder!"

Bênçãos de Hécate

Althea

Obtido em: Chaos-Therion
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domingo, 19 de abril de 2015

Os Deuses dos Índios brasileiros





Nhanderu e a roda dos mundos


Nhanderu também chamdo de Iamandu (o deus sol) cuja expressão é Tupã (trovão) junto com Araci tambem chamada iaci ou jaci (a deusa lua) são as duas primeiras entidades do Edhen a cruzar a barreira com paradísia na América do Sul num lugar descrito como um Monte na região do Aregúa (paraguai). E de lá criaram os animais, plantas da américa do sul e as primeiras criaturas místicas , iniciando o povoamento de paradía.


Nhenderu criou Rupave e Sypave em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e do mal. Rupave e Sypave ("Pai dos povos" e "Mãe dos povos") tiveram três filhos e um grande número de filhas. O primeiro dos filhos foi Tumé Arandú, considerado o mais sábio dos homens e o grande profeta do povo Guarani. O segundo filho foi Marangatu, um líder generoso e benevolente do seu povo, e pai de Kerana, a mãe dos sete montros legendários do mito Guarani. Seu terceiro filho foi Japeusá, que foi, desde o nascimento, considerado um mentiroso, ladrão e trapaceiro, sempre fazendo tudo ao contrário para confundir as pessoas e tirar vantagem delas. Ele eventualmente cometeu suicídio, afogando-se, mas foi ressucitado como um caranguejo, e desde então todos os caranguejos foram amaldiçoados para andar para trás como Japeusá.



Mito guarani da criação

A figura primária na maioria das lendas guaranis da criação é Iamandu (ou Nhanderu ou Tupã), o deus Sol e realizador de toda a criação. Com a ajuda da deusa lua Araci, Tupã desceu à Terra num lugar descrito como um monte na região do Aregúa, Paraguai, e deste local criou tudo sobre a face da Terra, incluindo o oceano, florestas e animais. Também as estrelas foram colocadas no céu nesse momento.



Tupã então criou a humanidade (de acordo com a maioria dos mitos Guaranis, eles foram, naturalmente, a primeira raça criada, com todas as outras civilizações nascidas deles) em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e do mal e partiu.

Nhanderuvuçú é considerado Deus supremo na religião primitiva dos índios brasileiros.

Nhanderuvuçú não tem forma humana a chamada forma antropomórfica, é a energia que existe, sempre existiu e existirá para sempre, portanto Nhanderuvuçú existe mesmo antes de existir o Universo.

A única realidade que sempre existiu, existe e existirá para sempre é a energia a qual os índios brasileiros identificam como Nhanderuvuçú.

No princípio ele criou a alma, que na língua tupi-guarani diz-se "Anhang" ou "añã" a alma; "gwea" significa velho(a); portanto anhangüera "añã'gwea" significa alma antiga.

Nhanderuvuçú criou as duas almas e, das duas almas (+) e (-) surgiu "anhandeci" a matéria.

Depois ele disse para haver lagos, neblina, cerração e rios.

Para proteger tudo isso, ele criou Iara.

Nhanderuvuçú criou também Caaporã o protetor das matas por si só nascidas e protetor dos animais que vivem nas florestas, nos campos, nos rios, nos oceanos, enfim o protetor de todos os seres vivos.

Caaporã quando é evocado para proteger as plantas plantadas junto aos roçados dos índios é chamado por eles de forma carinhosa com o cognome de Ceci.

Caaporã em língua tupi-guarani significa "boca da mata "Caa = boca e Porã = mata"

Dizem as lendas que no meio dos animais protegidos por Caaporã apareceu mais um casal de animais.

A primeira mulher, Amaú (Sypave) e, o primeiro homem, Poronominare (Rupave).



Primeiros humanos

Os humanos originais criados por Tupã eram Rupave e Sypave, nomes que significam "Pai dos povos" e "Mãe dos povos", respectivamente. O par teve três filhos e um grande número de filhas. O primeiro dos filhos foi Tumé Arandú, considerado o mais sábio dos homens e o grande profeta do povo Guarani. O segundo filho foi Marangatu, um líder generoso e benevolente do seu povo, e pai de Kerana, a mãe dos sete monstros legendários do mito Guarani (veja abaixo). 

Seu terceiro filho foi Japeusá, que foi, desde o nascimento, considerado um mentiroso, ladrão e trapaceiro, sempre fazendo tudo ao contrário para confundir as pessoas e tirar vantagem delas. Ele eventualmente cometeu suicídio, afogando-se, mas foi ressuscitado como um caranguejo, e desde então todos os caranguejos foram amaldiçoados para andar para trás como Japeusá.

Entre as filhas de Rupave e Sypave estava Porâsý, notável por sacrificar sua própria vida para livrar o mundo de um dos sete monstros legendários, diminuindo seu poder (e portanto o poder do mal como um todo).

Crê-se que vários dos primeiros humanos ascenderam em suas mortes e se tornaram entidades menores.



Os sete monstros legendários

Kerana, a bela filha de Marangatu, foi capturada pela personificação ou espírito mau chamado Tau. Juntos eles tiveram sete filhos, que foram amaldiçoados pela grande deusa Arasy, e todos exceto um nasceram como monstros horríveis. Os sete são considerados figuras primárias na mitologia Guarani, e enquanto vários dos deuses menores ou até os humanos originais são esquecidos na tradição verbal de algumas áreas, estes sete são geralmente mantidos nas lendas. Alguns são acreditados até tempos modernos em áreas rurais. Os sete filhos de Tau e Kerana são, em ordem de nascimento:

1 - Teju Jagua, deus ou espírito das cavernas e frutas
2 - Mboi Tu'i, deus dos cursos de água e criaturas aquáticas
3 - Moñai, deus dos campos abertos. Ele foi derrotado pelo sacrifício de Porâsý
4 - Yacy Yateré, deus da sesta, único dos sete a não aparecer como monstro
5 - Kurupi, deus da sexualidade e fertilidade
6 - Ao Ao, deus dos montes e montanhas
7 - Luison, deus da morte e tudo relacionado a ela


O Mito: A criação da Noite

Nas Aldeias de todo o mundo, nas terras dos índios, era sempre dia. Nunca havia noite, estava sempre claro. Os homens não paravam de caçar, nem as mulheres de limpar, tecer e cozinhar. O sol ia do leste ao oeste e depois refazia o caminho, ia do oeste ao leste, seguindo assim.

Mas teve um dia que o caso mudou. Quando Tupã, aquele que controlava tudo, havia saído para caçar, um homem muito curioso tocou no frágil Sol para saber como funciona. Então o Sol que dava luz e calor havia se apagado, havia quebrado em mil pedacinhos. Então as trevas haviam reinado na aldeia.

Tupã não se conformou com tal atitude do homem, e o transformou em um novo animal, que tinha as mão douradas como o Sol que brilhava. E deu-se o nome àquele bicho de macaquinho-de-mão-d'ouro. Tupã então tratou de refazer o Sol. Mas ele só ia ao oeste e não conseguia voltar. Então criou assim a Lua e as estrelas para iluminarem a noite. E assim ia, o Sol ia até o poente, não voltava, e então vinha a Lua e as estrelas. Acabava a noite e o Sol voltava. mas o sol sempre sorrindo ia e um dia viu a lua orgulhoso do que fez

Enfim os índios Brasileiros adoram o que existe de fato, adoram somente o que é realmente real, os fenômenos naturais, o clima, a natureza, apenas as coisas reais. "A realidade é a única verdade em que podemos acreditar".

"Tupã-Cinunga" ou "o trovão", cujo reflexo luminoso é tupãberaba, ou relâmpago cuja voz se faz ouvir nas tempestades sua morada é o Sol.

Tupã representa um ato divino, é o sopro da vida, e o homem a flauta em pé, que ganha a vida com o fluxo que por ele passa."





O PANTEÃO 

ANGATUPRI - Espírito ou personificação do bem

ANHANGÁ - Deus Infernal

ANHUM - Deus do Canto e da Música, neto de Tupã tocava Taré.

ARACI - Na mais longínqua e remota antiguidade, Itaquê, o mortal, amou a imortal Deusa Lua Jaci. Dessa união, nasceu Araci, que ao morrer, foi elevada aos céus por sua mãe, tornando-se a ninfa das manhãs e da aurora.

BOTO - Deus dos abismos dos mares, que governa os oceanos e habita a sagrada Loca, que é a habitação dos Deuses marinhos no fundo das águas. 

COROACY - Deusa Solar ou a Mãe do Dia. Ela representa a primeira visão do Sol matinal.

CURUPIRA - Foi enviado para terra por Tupã para proteger os campos e florestas.

CY - A Mãe de Todos, a encarnação da Terra e de todos os ventres grávidos.

DEUSA ARANHA - Deusa tecelã da vida que trouxe nos fios de sua teia os Caiapós do espaço para habitar a Terra.

GUARACY - Deus Sol.

IAVU-RÊ-CUNHÃ - Duende da Mata dos Kamaiurá.

JACY - Deusa-Lua, a poderosa Mãe da Noite e Senhora dos Deuses. Tem duas formas: Jacy Omunhã (Lua Nova) e Jacy Icaua (Lua Cheia).

JURUTI - A Mãe dos rios.

KATXURÉU - Deusa da Morte dos indígenas.

MARA- Deusa das Trevas.

MULHER ARARA - Deusa Mãe que possui o poder de transformar-se tanto em pássaro como em mulher.

NAIÁ - Fada que habita a flor da planta conhecida por Vitória-Régia.

NETE BEKU - Deusa Mãe que ensinou aos Kaninawás sobre o uso dos vegetais.

NHARÁ - Deus do Inverno.

PÉDLERÉ - Deusa da Morte dos índios krahôs.

PÔLO - Deus do Vento e Mensageiro dos Deuses.

POMBERO - Um espírito popular de travessura

PYTAJOVÁI - Deus da guerra

RUDÁ - Deus do Amor, encarregado da fertilidade e da reprodução.

SETE ESTRELO - O Deus das Plêiades.

SUMÁ - Deusa da Ira, que envolta em uma manta negra de cipó chumbo, vagava pela terra, espalhando ódio e discórdia. Era uma Deusa Guerreira que orientava e protegia a agricultura. Uma lenda bem antiga, afirma ser ela filha legítima de Tupã e Jaci.

TAMBA-TAJÁ - Deus do Amor.

TAU - Deus/Espirito do Mau.

TATAMANHA - Deusa das Labaredas e das faíscas.

TICÊ - Esposa de Anhangá (Deus Infernal).

TIRIRICAS - Deusas da Raiva, do Ódio e da Vingança.

TOLORI - Deus da Tempestade e inimigo das mulheres.

TUPÃ - (que na língua tupi significa trovão) é uma entidade da mitologia tupi-guarani.

Os indígenas rezam a Nhanderuvuçu e seu mensageiro Tupã. Tupã não era exatamente um deus, mas sim uma manifestação de um deus na forma do som do trovão. É importante destacar esta confusão feita pelos jesuítas.Nhanderuete, "o liberador da palavra original", segundo a tradição mbyá, que é um dialeto da língua guarani, do tronco lingüístico tupi, seria algo mais próximo do que os catequizadores imaginavam.

Câmara Cascudo afirma que Tupã "é um trabalho de adaptação da catequese". Na verdade o conceito "Tupã" já existia: não como divindade, mas como conotativo para o som do trovão (Tu-pá, Tu-pã ou Tu-pana, golpe/baque estrondante), portanto, não passava de um efeito, cuja causa o índio desconhecia e, por isso mesmo, temia. Osvaldo Orico é da opinião de que os indígenas tinham noção da existência de uma Força, de um Deus superior a todos. Assim ele diz: "A despeito da singela idéia religiosa que os caracterizava, tinha noção de Ente Supremo, cuja voz se fazia ouvir nas tempestades – Tupã-cinunga, ou "o trovão", cujo reflexo luminoso era Tupãberaba, ou relâmpago. Os índios acreditavam ser o deus da criação, o deus da luz. Sua morada seria o sol

Para os indígenas, antes dos jesuítas os catequizarem, Tupã representava um ato divino, era o sopro, a vida, e o homem a flauta em pé, que ganha a vida com o fluxo que por ele passa.

UALAIMKÍPIA - Deusa-Pássaro da Morte equivalente a Deusa grega Hécate.

UIAPURU - O Deus do amor do mundo alado, o pássaro encantado considerado o orfeu amazônico.

VITÓRIA RÉGIA - Deusa-fada do reino vegetal.

XUNDARUÁ - Deusa Peixe-Boi padroeira da pesca e dos pescadores. 

YARA - (também chamada de "Mãe das Águas"), segundo o Mitologia Índigena, é uma lindissima Sereia morena, de longos cabelos negros e olhos castanhos, que costuma banhar-se nos Rios e Cachoeiras, cantando uma Melodia de Beleza irresistível. Os homens que a vêem não conseguem resistir a seus desejos e pulam nas Águas, e ela então os leva para o fundo; quase sempre não voltam vivos. Os que voltam ficam loucos, e apenas uma benzedeira ou algum ritual realizado por um Pajé consegue curá-los. Os Índios têm tanto medo da Iara que procuram evitar os lagos ao entardecer.Iara antes de ser sereia era uma índia guerreira, a melhor de sua tribo. Seus irmãos ficaram com inveja de Iara pois ela só recebia elogios de seu pai que era pajé, e um dia eles resolveram tentar matá-la. De noite quando Iara estava dormindo seus irmãos entraram em sua cabana só que como Iara tinha a audição aguçada os ouviu e teve que matá-los para se defender, e com medo de seu pai fugiu. Seu pai propôs uma busca implacável por Iara. E conseguiram pegá-la, como punição Iara foi jogada bem no encontro do rio Negro e Solimões, os peixes a trouxeram a superfície e de noite a lua cheia a transformou em uma linda sereia, de longos cabelos negros e olhos castanhos.
Era o deus dos peixes. Era , segundo outros, a Sereia ou Mãe d'água, pois Y-Yára quer dizer - a que mora na água. A raça desses monstros marinhos chamavam de Y-Yára-ruoiara.

YANUBÊRI - Avó ancestral indígena muito poderosa.

YEBÁ BELÓ - A Avó do Universo.
“Yebá Beló fez a si mesma a partir de utensílios invisíveis e pensava em como deveria criar o mundo. Ainda não havia luz, Yebá então criou três trovões, do primeiro fez surgir Emeko, um ser invisível, do segundo Emeko criou o Sol e com poder concedido por Yebá Beló criou o homem. Do último trovão Emeko criou os animais. Yebá formou ainda a terra, com sementes do seu seio esquerdo e adubando com leite do seio direito. A criação se dá por completo, quando dois índios, Curu e Rairu, enviados por Tupã, estendem uma corda e puxam pessoas por um buraco na terra, dando início a povoação do mundo”

YUSHÃ KURU - Deusa feiticeira ou curandeira que ensinou os xamãs kaxinawás a curar. Conhecida também como a Fêmea Roxa, deu muitos conselhos e surgiram os remédios. Uns eram venenos para matar: olho forte, Beru Paepa. Mijo amargo, Isü Muka. Outro para coceira, Nui. A velha Fêmea Roxa observava bem as folhas e os pés das árvores: ─ Esse mato não é remédio forte.

E assim foi... Surgiram muitos remédios, todos os remédios que têm na mata. Remédio bom que cura as pessoas. Bom para picada de cobra, picada de escorpião, aranha, reumatismo e fígado.A Fêmea Roxa,
Yushã Kuru, conhecia bem todas as folhas desses remédios.

Depois não ensinava vira mais ninguém. Usava todos esses remédios sempre escondida de todo mundo. Até que um dia, a velha Fêmea começou a ensinar para neto dela, o tubo de sua filha. Ensinava a ele todos os remédios da mata que sabia. Ensinava também como preparar estes remédios. Também ensinava o remédio forte e venenoso para colocar feitiçono outro. E experimentava com ele para saber se ele tinha aprendido tudo que sua avó sabia.
Aprendeu a preparar o veneno para botar feitiço no outro. E, as vezes, com mato venenoso, tirar o espírito da pessoa.Quando a mulher moça ou o homem rapaz crescia bonito, ela botava feitiço. Quando o homem era trabalhador, a mulher fazia artesanato e quando esculhambava com a velha Fêmea Roxa ela também botava feitiço para essas pessoas morrerem.

Na aldeia, o povo nau sabia o que a Fêmea Roxa fazia. Passou muito tempo sem ninguém perceber a situação.


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sábado, 20 de julho de 2013

Reprogramando a Mente por meio da Sugestão...

 Autoria de Ivo Maioli

Depois de analizarmos em profundidade a questão da sugestão mental, através do artigo "A Força da

Sabemos que nos dias atuais, os Buscadores da Verdade, tem encontrado formas equilibradas de compreenderem a espiritualidade com uma visão um pouco mais científica. Estamos olhando para a ciência com vistas a uma maior abertura espiritual.

Compreender os mecanismos de aprendizagem humana, para podemos reprogramar nossa mente, alterando estados de consciência, tem sido um desafio. Precisamos ser um pouco cientistas... entender mais acerca da psicologia, estudando o comportamento humano. Agregar espiritualidade. reposicionando "Deus" dentro de nós próprios. Isso nos devolverá o poder criativo, nos motivará a que efetuemos as mudanças que são necessárias. Este é o novo modelo de Fé que o Ser Humano está convidado a desenvolver no Séc. 21!

O conhecimento do modo por que funciona a sugestão e os melhores métodos para torna-la eficaz, são meios de influenciar nossa mente interior satisfatoriamente. Por meio de sugestões, podemos capacitar nosso subconsciente para o trabalho, assim como enfatizar motivações e a necessidade de nos livrarmos de mossas importunas, reflexos, compulsões e velhos hábitos. ...

O conhecimento do emprego da sugestão pode ser muito util a um programa para uma vida melhor, proporcionando mudanças benéficas em nosso carater, além de outras. Até modificações fisiológicas em nosso corpo poderemos obter pela sugestão pois, sem dúvida, o subconsciente controla todo o mecanismo do corpo e pode ser influenciado para alterar suas funções. Todos somos de certo modo sugestionáveis, alguns mais que outros.

Confunde-se, as vezes, sugestibilidade com credulidade, coisas muito diferentes. Crédula é a pessoa que se deixa engodar com facilidade, que aceita, sem analisa-las, idéias de outrem. Já a sugestão pode ser definida como um processo de comunicação que resulta na assimilação convicta de uma idéia sem fundamento lógico.

É util a sugestibilidade; a credulidade nos traz desvantagem em benefício de outrem.

 
A FORÇA DA SUGESTÃO

A sugestão pode ser utilizada para disciplinar-nos e controlar-nos, mas pode também ser usada para assumir o controle e dominar outras pessoas que não conheçam as leis da mente. Em seus aspectos negativos, é um dos mais destruidores padrões de reação da mente, causando miséria, fracasso, sofrimento, doença e desastre. Desde a infância que a maioria de nós tem recebido sugestões negativas. Não sabendo como impedi-las, aceitamo-las inconscientemente. A menos que, quando adulto, utilizemos auto-sugestões construtivas, as impressões feitas no passado podem causar padrões de comportamento que serão responsáveis pelo fracasso em nossa vida pessoal e social.

Se olharmos para trás, podemos facilmente recordar como nossos pais, amigos, parentes, professores e companheiros contribuiram para uma campanha de sugestões negativas. Se estudarmos as coisas que nos foram ditas, descobriremos que muitas sugestões negativas vieram sob a forma de propaganda. O objetivo da maior parte do que se disse, foi para controlar-nos ou instilar medo. Esse processo de heterosugestão executa-se em cada casa, escritório, fábrica e clube. Descobriremos que muitas dessas sugestões tem o propósito de fazer-nos sentir, pensar e agir como os outros querem e da maneira que lhes seja mais vantajosa.


CONTROLANDO POR SUGESTÃO O SUBCONSCIENTE

O homem controla por sugestão as operações do seu próprio subconsciente, Ainda que a sugestão esteja em direta contradição com sua própria crença objetiva. E isso é verdade mesmo que a sugestão seja contrária a razão, a experiência ou a evidência dos sentidos. Se resultados tão drásticos podem produzir-se quando em oposição aos mais poderosos instintos da natureza humana (os da sobrevivência) quanto mais facil não será produzir resultados de igual modo espantosos, quando se opera construtivamente, em harmonia com esses instintos, ou seja, na linha de menor resistência.

Para bem compreendermos os fenômenos da sugestão, é preciso saber que há em nós dois indivíduos completamente distintos um do outro. Ambos são inteligentes, mas enquanto um é consciente o outro é inconsciente. É a razão pela qual a sua existência, geralmente, passa despercebida. Se compararmos o ser consciente ao ser inconsciente, constatamos que, enquanto o consciente é frequentemente dotado de uma memória falha, o inconsciente é, ao contrário, provido de uma memória maravilhosa, impecavel, que guarda, sem o sabermos, os menores acontecimentos, e os mais insignificantes fatos da nossa vida. E, como é ele quem preside o funcionamento de todos os nossos órgãos, por intermédio do cérebro, dá-se um fato, que decerto parecerá paradoxal: se ele julgar que sentimos esta ou aquela impressão, de fato sentiremos esta ou aquela impressão; ou julgar que um órgão funciona bem ou mal, de fato o órgão funcionará bem ou mal.

O Subconsciente não preside somente as funções do nosso organismo, preside tambem o acabamento de todas as nossas ações, quaisquer que sejam elas. A ele é que chamamos imaginação, e é quem, ao contrário do que se admite nos faz agir, mesmo contra a nossa vontade, principalmente quando há antagonismo entre essas duas forças - VONTADE e IMAGINAÇÃO.

Todos nós somos sugestionáveis, em intensidade variavel. Logo, nosso subconsciente pode positivamente ser influenciado pela sugestão. É mais facil mudar os pontos de vista e as idéias do consciente do que do subconsciente, mas a sugestão pode ser de grande valia para influenciar nossa mente interior a também aceitar as idéias novas que trazemos conscientemente.
Sugestão Mental", retornamos à este tema.

 
TIPOS DE SUGESTÃO


As sugestões podem ser diretas ou indiretas. Pode-se sugerir por meio de insinuação ou ordem. Se nos disserem de modo positivo, que temos de fazer alguma coisa, é uma ordem. Será insinuação, se usarem a expressão: “Voce pode fazer isto?”. Quase ninguem gosta de ser mandado. Portanto, aceitamos melhor a insinuação que a ordem. Entretanto, tudo depende da pessoa, pois há quem atende melhor a ordem. É provavel que exista neste caso necessidade inconsciente de ser dominado.


O PODER DA SUGESTÃO ESTÁ NA CRENÇA


A eficácia da sugestão depende em grande parte da crença e da fé. A dúvida bloqueia os resultados e nega a sugestão. Devemos pensar positivamente e estar certos de que virá o resultado que esperamos. Se dizemos: “Vou tentar”, estaremos admitindo dúvida em relação aquilo que pretendemos efetuar. O que esperamos é o fracasso, e ele virá.

Nossa atitude deve ser a de quem quer fazer alguma coisa e não tenta-la somente. Para sermos mais explícitos, devemos aceitar a sugestão feita a nós mesmos, como se fosse verdadeira.

Naturalmente, devemos dar a nós mesmos sugestões reais. Mas se pensarmos que não funcionarão, elas realmente não funcionarão.

Se acharmos que elas vão agir, efetivamente agirão.

Se aceitarmos as sugestões como se fossem um fato consumado, elas se consumarão. 


A CURA PELA SUGESTÃO


Toda doença, quase sem exceção, pode ceder a sugestão, por mais ousada e inverossimil que possa parecer a afirmação. Não digo, cede sempre, digo pode ceder, o que é diferente, pois depende da atitude de cada individuo.

A sugestão é um instrumento com o qual brincamos inconscientemente toda a nossa vida. Mas é instrumento perigoso, pode ferir, e mesmo matar, se o manejarmos imprudentemente. Ao contrário, salva quando sabemos emprega-la de maneira consciente. Com a sugestão pode-se determinar mudanças no funcionamento dos órgão e das glândulas. A circulação do sangue pode ser atingida e a cura de uma ferida apressada. Por sugestão o sangramento que se segue a extração de um dente pode ser controlado, etc.


VISUALIZAÇÃO CRIATIVA: A CHAVE PARA A AUTO-SUGESTÃO


A chave para a auto-sugestão é a visualização, enquanto o corpo e a mente estão relaxados. Visualizar é permitir ao subconsciente aceitar a imagem para armazenamento. Relaxar é expor o subconsciente mais sensivelmente a essa mensagem. No estado de relaxamento, a mente é receptiva e mesmo ávida de todas as imagens construtivas e positivas que se possa enviar. Não há nada místico ou misterioso sobre isso. É um modo de viver normal e bem sucedido. Essa é uma das razões por que as pessoas saudaveis, que em seus momentos de relaxamento pensam em sua saude, se tornam mais sadias. E é a razão por que as pessoas que contemplam a sua pobreza se tornam mais pobres. É tambem a razão por que as pessoas indolentes que contemplam obstáculos e limitações se atolam cada vez mais, etc. Por isso é importante compreender o grande alcance do poder da sugestão e aprender a usa-lo melhor. Se não temos esse conhecimento, trabalharemos debaixo da incredulidade. Ser incrédulo significa trazer a tona tudo o que imaginamos e acreditamos que seja fracasso. A imagística visual é uma forma de sugestão. É somente visual, sem o emprego de palavras ou pensamentos. O método consiste na formação de uma imagem visual em nossa mente, como queremos. Faz-se isto com os olhos fechados. Um bom momento para a prática desta técnica é imediatamente antes do sono da noite e logo depois que a gente desperta pela manhã. Em outras palavras, é quando nos encontramos sonolentos. O método se baseia no fato de que o subconsciente tem forte tendência para veicular qualquer imagem visual frequentemente repetida. A repetição é o segredo. Para alcançar o efeito desejado, devemos visualizar o fato muitas vezes. É bom variar as imagens, tendo sempre em vista o mesmo resultado.

Tempo é necessário para que uma sugestão seja absorvida e levada avante pela mente interior. A sugestão verbal, quando utilizada, terá mais fôrça se a ligarem a imagem visual. Apenas pensando, podemos obter sugestão, mas é sempre bom pô-la em alavras, falando alto se possivel.


COMO APLICAR A AUTO-SUGESTÃO

É comum querermos dar a nós mesmos sugestões; a isto se chama auto-sugestão. Hetero-sugestão é a que é dada por outra pessoa. A hetero-sugestão dá melhores resultados e em certos casos, acharemos melhor que alguém nos faça verbalmente a sugestão. Mas quando formos nos auto-sugestionar é sempre bom observarmos certas regrinhas. Por exemplo: é muito bom que escrevamos, com detalhes, exatamente o que queremos realizar. Depois, em uma ou duas frases, fazemos uma síntese, enunciando apenas o resultado final. Devemos entao repeti-la a nós mesmos muitas vezes. Depois de repetir, devemos procurar distrair-nos para que o subconsciente absorva e leve avante a sugestão sem interferência do consciente.

Já Emile Coué sustentava que a sugestão global, não específica era mais eficiente que a detalhada. Ele achava que apenas o resultado final devia ser sugerido, e não insinuada ao subconsciente como faze-lo. Este, o subconsciente, estaria mais apto a decidir quanto aos detalhes e meios a serem empregados. Coué imaginou uma fórmula geral que alcançou um vasto campo. Consiste na repetição diária e frequente da seguinte frase: “TODOS OS DIAS, SOB TODOS OS PONTOS DE VISTA, EU VOU CADA VEZ MELHOR”.

A repetição é um dos principais segredos para se obter resultado da sugestão, que deve ser repetida tanto quanto possivel. Temos prova disso com os anúncios/propaganda, que nada mais são que sugestões.Quando pela primeira vez, se ouve a fórmula de Emile Coué, a gente sente, mais é vontade de rir, porque a achamos um tanto infantil ou ridícula, se, neste sentido, a julgarmos, pelos resultados que é capaz de oferecer e que, diariamente, oferece. Não obstante, encerra, na sua simplicidade, seis palavras de uma importância enorme:“SOB TODOS OS PONTOS DE VISTA”. Que quer isso dizer? Isso quer dizer tudo, absolutamente tudo, todas as coisas em que se pensa, mesmo aquelas em que não se pensa, porque se não pensarmos conscientemente nelas, nosso subconsciente se encarrega de pensar por nós. É, portanto, uma fórmula geral, pois se refere a tudo e, sendo geral, encerra em si todas as fórmulas particulares que cada um acredita necessárias a si próprio. Não queremos dizer que com ela podemos conseguir tudo. NÃO. Mas podemos conseguir tudo o que é possivel, e o campo para isso, é muito vasto.

Quando fizermos conscientemente uma sugestão, devemos faze-la muito naturalmente, muito simplesmente, com convicção e, sobretudo, sem nenhum esfôrço. Se a sugestão inconsciente, é muitas vezes má, e se realiza tão facilmente, é porque é feita sem esfôrço. Se algumas pessoas não obtém resultados satisfatórios com a sugestão, é porque não tem confiança ou porque fazem esforços, que é o caso mais frequente. Para se fazer uma boa sugestão, é absolutamente necessário não fazer nenhum esfôrço. Este envolve o emprego da vontade enquanto esta deve ser necessariamente posta de lado. É a imaginação, exclusivamente, que se deve recorrer. É essencial também que pronunciemos as palavras bem depressa para que não haja o menor intervalo por onde possa penetrar a idéia contrária, entre duas vezes que as pronunciamos.

Quando se está repetindo uma sugestão, não tem importância alguma o que o Consciente esteja pensando no momento. Se a fórmula é repetida mecanicamente, com os lábios, em voz alta, de modo que o ouvido escute as palavras pronunciadas, estas, por ele, penetram, no subconsciente que depois de registra-las, opera de acordo com o sentido das mesmas. Se recomendamos que se faça a sugestão nessas condições, é porque são justamente essas as circunstâncias em que a gente se coloca, conscientemente, para fazer a sugestão nociva, a qual a pessoa executa como mestre, sem jamais ter tomado lições. E por que essa sugestão nocivaé tão bem sucedida? É porque a fazemos maquinalmente, sem nenhum esforço, sem tratarmos de nos concentrar. 

 
A SUGESTÃO E SEUS PRINCÍPIOS


Se pretendemos conseguir algum melhoramento em alguma determinada área da vida, é preciso que tenhamos um conhecimento minucioso dos princípios básicos da sugestão. É importante também sabermos que durante o tempo em que estamos escrevendo e reescrevendo uma sugestão, estamos convencendo o subconsciente do que desejamos e, uma vez, de quando em quando, isto é o suficiente para a consecução da melhoria desejada. Eis os princípios básicos:


1) LEI DO MOTIVADOR EMOCIONAL POSITIVO


As emoções são os principais motivadores dos homens. Todos os hábitos, todas as configurações de comportamento recebem seu ímpeto da emoção. O segredo do sucesso e da felicidade na vida está em ser capaz de dirigir e até certo ponto controlar as emoções. Por isso se desejamos melhorar determinado aspecto de nossa vida, modificar um hábito, ou sobrepujar um embaraço, precisamos encontrar o motivador emocional que será mais forte do que a emoção, que atualmente nos domine. O próprio fato de que desejamos efetuar uma modificação em tal área, implica em que o atual fator emocional dominante é uma força negativa em nossa vida.


2) LEI DA AUTO-APROVAÇÃO


Todos nós em vários graus, preocupamo-nos com o que os outros pensam a nosso respeito. Desejamos que eles nos aprovem. Isto começa na infância, quando queremos a aprovação de nossos pais. E continua através da vida. Contudo existe algo mais importante que a aprovação por parte dos outros: é aprovar-nos a nós mesmos. Para ter paz de espírito e equilíbrio emocional, precisamos da aprovação própria. Esse princípio é importante porque uma sugestão não será eficaz, se for contrária a uma profunda convicção moral. Por exemplo, internamente, podemos estar abrigando a crença de que o dinheiro é basicamente um mal. Antes que uma sugestão relativamente ao sucesso financeiro, possa trazer resultados, é preciso que nos reeduquemos internamente quanto ao dinheiro.


3) LEI DO EFEITO INVERSO


Todas as vezes em que tentamos fazer uma modificação em nossa vida por meio de um esfôrço consciente, não teremos êxito. Na verdade, estaremos fortalecendo o hábito ou idéia que desejamos modificar. Por exemplo, quanto mais tentamos dormir durante a noite, mais ficamos acordados. Quanto mais tentamos lembrar de uma coisa tanto menos provavel será que lembremos. Quanto mais tentamos remover uma idéia da mente, mais arraigada ela se torna, etc. Portanto, a vontade não deve intervir quando estivermos utilizando a sugestão; porque, se ela não estiver de acordo com a imaginação, não somente não se consegue o que se quer, mas ainda se obtém exatamente o contrário.


4) ENUNCIADOS NEGATIVOS


Todas as vezes que um pensamento negativo é acrescentado ao nosso esfôrço, arruinaremos completamente nossas possibilidades de sucesso. Por exemplo: “Eu não terei medo”, “Eu não esquecerei”, “Eu não comerei mais”. Enunciados desta espécie derrotam-se a si mesmo. Eles implantam na mente um vácuo negativo. Não teremos medo, mas o que teremos então? Não comeremos excessivamente, mas quanto comeremos? Não fumaremos, mas o que tomará o lugar do fumo em nossa vida? É da maior importância que expressemos as sugestões de modo positivo. Se possivel, não devemos usar uma negativa na formação de uma sugestão. Outra fraqueza dos enunciados negativos é que mencionam as coisas que queremos modificar, mas que fazem um apelo direto a nossa imaginação. Quando declaramos: “Não terei medo”, imediatamente forma-se em nossa mente a imagem do medo. Em resultados, o medo torna-se o fator dominante em nossas pensamentos. Seria muito melhor se disséssemos: “Estarei calmo e confiante o tempo todo, em todas as situações”. Quando fazemos uma afirmativa desta espécie, nossa mente percebe a imagem que desejamos que ela veja.


5) LEI DO JULGAMENTO ANTECIPADO


No emprego da sugestão, convém dar a nós mesmos um determinado prazo. Isto porque trabalhamos mais constantemente e construtivamente quando temos um horário ou prazo a cumprir. Outro motivo para introduzir o elemento de tempo é que o subconsciente não percebe o tempo no sentido ordinário da palavra. É muito facil, por exemplo, distorcer o tempo quando sob hipnose. Por simples sugestão os minutos podem parecer horas e as horas podem parecer minutos. Não obstante, o subconsciente pode ser minuciosamente preciso quanto ao tempo. Por exemplo, podemos sugerir ao subconsciente que nos desperte as 5h30m da manhã, e ele será de mais confiança do que o melhor despertador.


6) LEI DO DESEMPENHO DE PAPEL


Se fizermos de conta que acreditamos em determinada coisa, ou se agirmos como se fosse alguma outra pessoa, isto terá algum efeito definido em nossa atitude e comportamento. Todos nós possuimos o que os psicólogos chamam de “auto-imagem”. Nossa auto-imagem é a maneira pela qual percebemos determinado papel que desempenhamos na vida. Se nos visualizarmos como um sucesso, desempenharemos o papel de uma pessoa de sucesso, se nos imaginamos como um fracasso, seremos fracassados, etc.


7) LEI DA EXPOSIÇÃO CONCENTRADA REPETIDA
 

Quanto mais nos expomos a uma idéia, tanto mais ela se torna parte de nossos pensamentos. Quando uma sugestão é repetida com bastante frequência, ela se torna altamente eficaz. De fato, quando uma idéia, verdadeira ou falsa, é repetida com frequência, geralmente alguém passa a acreditar nela. Os resultados de uma sugestão são temporários, porém cumulativos. Da primeira vez que propomos uma sugestão a nós ou a outra pessoa, os efeitos duram poucas horas. Cada vez a duração será maior, até que, finalmente, passa a ser um hábito padrão.


RECAPITULANDO PONTOS IMPORTANTES


Os pontos importantes que deveremos ter sempre em mente é que a sugestão que contém um motivo fica sobrecarregada. Portanto, o exame dos motivos pelos quais uma sugestão deve ser levada avante será um incentivo para que a mente interior execute o que desejamos. Devemos lembrar também, ao expressarmos sugestões, que o subconsciente toma tudo literalmente “ao pé da letra”.

Logo, nada de expressões ambíguas. É importante também, não sobrecarregarmos o subconsciente com muitas sugestões diferentes ao mesmo tempo. A sugestão deve ser dada de modo positivo sem que seja uma ordem. É melhor sermos positivos que dubitativo. É mais enfático. A mente interior deve saber que estamos falando sério.

Praticando auto-sugestão de manhã e de noite, destruiremos o mal que porventura nós tenhamos feito, durante as horas de vigília, por meio de sugestão inconsciente e nociva. Por isso, devemos considerar a sugestão, como um meio de alimento moral, tão necessário, ou mais, do que o alimento físico de que nos servimos diariamente, muitas vezes até sem apetite, com o pretexto de que, para viver, é preciso comer bem. O indivíduo bem sucedido é aquele que aprendeu a controlar a sugestão de modo que atende, em grande parte, somente aquilo que é bom para ele e rejeita o que é nocivo.


AUTO-SUGESTÃO
 
Foi estudando a hipnose que Émile Coué chegou a preciosas conclusões sobre a influência recíproca entre a imaginação, controlada pelo inconsciente, e a vontade, controlada pelo consciente. Formulou a este respeito quatro leis explicando de maneira simples o que se passa em nossa mente apavorada pelos fantasmas do subconsciente. E terminou elaborando uma eficiente técnica de controle mental pela auto-sugestão, convencido de que, vivemos criando para nós mesmos situações aparentemente intransponíveis; “Quem não experimentou esta impotência da vontade, quando somos impelidos a agir contra o que nos parece justo e bom?

Quem não sentiu na própria carne a tirania dos maus hábitos e o poder do medo na imaginação?” Depois de vinte anos de experiências diárias, Coué transformou em fórmulas as complexas relações imaginação-vontade:

1- Quando a vontade e a imaginação estão em luta, é sempre a imaginação a vencedora, sem exceção alguma.

2- No conflito entre a vontade e a imaginação, a fôrça da imaginação está na razão direta do quadrado da vontade: Quando uma idéia sugere algo ao nosso espírito, quanto mais nos desesperamos com a sugestão desencadeada, mais ela será ativada. Em termos práticos: quanto mais nos esforçamos para nos libertar de traços negativos da nossa personalidade, mais sentimos que eles se impõem. Quanto mais a pessoa tímida luta para não se ruborizar, mais facilmente se ruboriza. Quanto mais o insone se esforça por dormir, mais difícil se torna conciliar o sono. E tarefas simples se transformam em impossíveis; hábitos inicialmente superficiais terminam por nos escravizar. Charles Baudouin, discípulo de Coué, chama a esta segunda lei de “Lei do esforço convertido”. Seu enunciado engloba também a lei anterior: “Quando uma idéia deflagra uma sugestão, enquanto esta idéia domina o espírito, todos os esforços que possa fazer o indivíduo contra a sugestão deflagrada, não servirão senão para fortalecê-la”.

Baudouin vê nesta lei o ponto mais alto das descobertas de Coué: “O fato de não levá-la em conta, de forçar a vontade em vez de educar a imaginaçáo, de usar esfôrço em vez de pensamento positivo, é responsável por muito fracasso no auto-domínio”.

John Duckworth, da Clínica de Oxford para Distúrbios Nervosos, tenta esclarecer os mecanismos psíquicos em que se fundamenta a lei do esforço convertido: “Como isso se explica psicologicamente? A meu ver, desta forma: quando a gente faz algo em estado de ansiedade ou nervosismo, o pensamento se torna agudamente consciente e dirigido em torno do medo de errar, transformando-se na emoção do medo. Esta emoção pode ser subconsciente ou mesmo consciente. De qualquer forma, surge um efeito de sugestão de direção oposta ao que queremos, com resultados evidentemente negativos”. O esforço feito converte-se em força contra nós.

3- Quando a vontade e a imaginação estão de acordo, uma não se ajusta à outra, mas se multiplica pela outra: Isto é, quando a vontade e a imaginação entram em conflito, gastamos energias de ambos os lados; quando ambas concordam, uma reforça, multiplica positivamente a outra. E os resultados serão surpreendentes. Nesta terceira lei reside, portanto, a chave para a liberação construtiva de grande soma de energia mental normalmente desperdiçada, ou mesmo usada contra nós. Quando harmonizamos a vontade e a imaginação, multiplicamos o poder de ambos e nos sentimos transportados, impelidos poderosamente para uma vida realizadora. Imagine o que é agir livre de medos, inibições, falta de confiança. Pois este é o fruto da harmonia entre imaginação e vontade. É que em toda atividade humana entram sentimentos positivos como a consciência do dever, a fé, o amor, a autoconfiança, e negativos como o medo, o bloqueio, a descrença. Educando a imaginação, a principal projetora de sombras sobre nossa maneira de agir, nos tornamos produtivos: não gastamos energia inutilmente tentando superar os sentimentos negativos. E temos assim a imaginação a nosso favor.

4- A imaginação pode ser governada: Por quem? Pela vontade mesmo, responde Coué. Mas uma vontade bem treinada por técnicas de auto-sugestão. Para ele, este é o método mais simples, eficiente e econômico de influirmos sobre o nosso próprio subconsciente.

A técnica de Coué é teoricamente tão simples que só os sucessos práticos demonstram sua validade. Trata-se apenas de repetir vinte vezes à noite e pela manhã a seguinte frase:“Todos os dias, sob todos os pontos de vista, vou cada vez melhor”.

A frase deve ser dita com os olhos fechados e de forma que possamos ouvir nossas próprias palavras, como quem reza uma ladainha. O momento mais adequado para o exercício é quando estamos entre o sono e a vigilia, pouco antes de adormecer ou pouco depois de acordar. A mente fica sensível a mensagens sugestivas que, gravadas mais facilmente no subconsciente, passam a operar melhorias sob todos os pontos de vista. Não há mágica no número vinte ressalta Coué. Mera convenção. Para facilitar a contagem e evitar distrações, ele recomenda o uso de um cordão com vinte nós. Como as palavras sob todos os pontos de vista incluem tudo, torna-se inútil fazer sugestões específicas. O importante é reforçar positivamente a vontade em geral. “A pessoa”, acrescenta Coué, “deve seguir este método durante toda a vida, uma vez que ele é não apenas curativo, mas preventivo”.

Sofrimentos físicos e morais podem também ser curado pela auto-sugestão. Basta procurar um lugar tranquilo e, com os olhos fechados, passar a mão sobre o local dolorido - ou pela fronte se a dor for moral - repetindo durante certo tempo as palavras “isto passa...isto passa ...” Segundo Coué, com a prática, a dor cessa quase instantaneamente. Importante: o processo da auto-sugestão não dispensa tratamento médico ou psicoterapêutico. Não adianta curar os sintomas, se nem sabemos da causa permanente do transtôrno.

A dor deve ser levada a sério pelos que empregam este método. Ela é um aviso que o corpo envia ao cérebro no sentido de que algo não vai bem. Tratando corretamente as causas, a auto-sugestão apressará a cura e, só então, diminuirão as dores. Por outro lado, diante de uma forma muito intensa e na impossibilidade de obter tratamento médico imediato a auto-sugestão poderá reduzir a dor a limites mais suportáveis. A correção de uma falha de personalidade ou um mau hábito há muito tempo arraigados exige longa persistência nos exercícios.

Quando bem aplicado, é indiscutível a eficiência desde método tão simples, pois ele se baseia num fato irrefutável: a sugestão produz efeitos reais sobre a mente e o organismo. Sem notar, vivemos usando auto-sugestão, só que em nosso prejuízo. Colocamos mil idéias negativas no subconsciente: não podemos fazer isso ou aquilo, não conseguimos romper com tal hábitos.

Se a auto-sugestão é inevitável, por que não usá-la em nosso benefício? Toda idéia que passa por nossa mente tem influência (grande ou pequena) em nossa maneira de pensar e agir. Não só frases repetidas de manhã e à noite atuam sugestivamente. Isso também acontece com as que dizemos no decorrer de todo o dia, para os outros ou para nós mesmos.

Prova deste fenômeno, a hétero-sugestão (sugestão de alguém para outro) tem sido empregada com sucesso na correção dos maus hábitos infantis, como roer unhas, chupar o dedo, ranger os dentes, urinar na cama, medo da escuridão.

Os pais devem agir da seguinte maneira: logo que a criança adormece, aproximar-se a uma distância de 50 centímetros a 1 metro de sua cabeça e repetir quinze ou vinte vezes - de forma audível mas suave para não despertá-la - uma frase curta escolhida com cuidado.

É preferível que não contenha a palavra “não”. Após dizer o nome da criança, explicar brevemente porque ela deve corrigir o mau hábito. Repetir durante dez dias, ou mais, se necessário.

No decorrer do dia, não chame a atenção da criança para o defeito em causa, pois pode despertar um negativismo inibitório. Forçada durante o dia a não fazer o que está acostumada, ela, à noite, poderá resistir às ordens positivas da hétero-sugestão. Mas lembre-se: tudo isso não dispensa a necessidade de se procurar as reais causas dos maus hábitos, que podem se originar em problemas de relacionamento, carência afetiva etc.

É mais eficiente dirigir a sugestão para a causa dos sintomas. Há, por exemplo, uma frase que atinge diretamente a necessidade de afeição, fonte da maior parte das pertubações emocionais das crianças: “Papai e mamãe gostam muito, muito, de voce”. Esta frase fará bem aos próprios pais, às vezes inconscientemente inseguros do seu amor pela criança. Para obter melhor resultados, você mesmo deverá descobrir, por conta própria e através da prática, os pequenos detalhes que aperfeiçoam o método de Coué. É impossível prevê-los minuciosamente, mesmo porque os efeitos variam de pessoa para pessoa.

Tenha em mente as seguintes observações de ordem geral:

Dê tempo ao tempo: Você quer por exemplo, erradicar um velho mau hábito de sua personalidade. Primeiro: não fique ansioso por resultados imediatos. Lembre-se da segunda lei: na pressa de ver os resultados, você força a vontade e, com a idéia de esfôrço, a sugestão vira-se contra você agravando o defeito. Paciência, persistência, e os frutos virão naturalmente.

Junte ação à sugestão: Para consolidar os resultados já obtidos, desenvolva ação de refôrço. Você conseguiu, por exemplo, melhorar sua memória pela auto-sugestão. O progresso obtido só se tornará permanente se você continuar os exercícios. Caso contrário, poderá perder terreno.

Alterne sugestões detalhadas com resumidas: Foi verificado experimentalmente que, de vez em quando, convém fazer ao subconsciente sugestões mais detalhadas, como se estivéssemos explicando as frases mais resumidas. No momento de adormecer ou acordar é mais indicado usar as sugestões resumidas, dentro da fórmula preconizada por Coué. Durante o dia, deixe o corpo bem relaxado, procure um lugar sereno e vá detalhando pontos específicos da sua auto-sugestão.

Evite o emprego da palavra “não”: Coloque ênfase nas qualidades positivas. Reforçadas em sua mente, elas, por si, eliminarão o defeito. Por exemplo, em vez de sugerir “não devo irritar-me”, diga simplesmente “vou permanecer calmo e tranquilo”.

Não tente convencer-se contra as evidências: O subconsciente não aceita idéias que o consciente tem como falsas. Assim, se você está sentido alguma dor, é inútil repetir; “Não estou sentindo dor alguma”. Diga: “Está passando, está passando...”, ou “Sinto-me cada vez melhor...” Não faça referência à dor, isso chama atenção sobre ela.

Não desanime com eventuais retrocessos. Muitos desanimam ao perceber certa regressão depois do gratificante progresso inicil. Na verdade, tudo que é vivo passa por fases cíclicas de crescimento e estagnação. Se você prestar bem atenção verá que, mesmo retrocedendo, está bem acima do ponto de artida.
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