domingo, 22 de julho de 2012

A BORBOLETA, SÍMBOLO DA ALMA...........

A Dimensão Filosófica da Vida De Um Inseto




Carlos Cardoso Aveline



A vida da borboleta ilustra o ciclo da reencarnação humana




A vida só pode ser compreendida quando a vemos como um processo que inclui morte e renascimento, vigília e sonho.

O corpo humano abriga uma alma que também é mortal, embora seja sutil e só morra algum tempo depois do corpo. Mas a alma contém em si um Espírito que não morre e que “renascerá” uma e outra vez. Ao contrário do corpo físico, a alma-espírito  pode voar como se tivesse asas.

Chuang,  um antigo sábio chinês, confessou:





“Certa vez, eu, Chuang Chou, sonhei que era uma borboleta, a voar para lá e para cá;  borboleta para todos os fins e em todos os sentidos. Tinha consciência apenas de minha felicidade como borboleta, sem saber que era Chou. Logo despertei, e ali me achava, de novo e verdadeiramente eu mesmo.  Agora, não sei se eu era antes um homem a sonhar que era uma borboleta, ou se sou agora uma borboleta a sonhar que sou homem.” [1]

No Oriente e no Ocidente, a borboleta é um antigo símbolo da alma humana. Alguns indivíduos ficam em dúvida: eles não sabem se são seres físicos que, enquanto dormem, fluem como almas, ou se são almas, capazes de voar, que, durante o estado de vigília, têm a ilusão de pensar que são seres físicos.





A imagem do espírito-alma como borboleta não é uma exclusividade da China.  Na Grécia antiga, Psiquê, a alma, era descrita como uma borboleta que escapava do corpo com a morte.[2] 

A filosofia esotérica ensina que a alma mortal (Kama-Manas) contém em si o Espírito imortal (Atma-Buddhi),  que seguirá a jornada mesmo quando ela morrer,  e que, muito mais  tarde, viverá uma nova encarnação.  A vida da borboleta, em suas várias etapas, reflete o processo do corpo-alma-espírito.





O autor Henry Thomas escreveu:

“A reencarnação ocorre com mais clareza no caso das lagartas. E que gloriosa reencarnação! As lagartas parecem morrer, e depois subitamente renascem como belas mariposas e borboletas. O que realmente ocorre é o seguinte. A lagarta, desde que nasce, só faz uma coisa,  e a faz bem. Come.  E como come! Uma lagarta come muitas vezes mais que o seu próprio peso  durante um dia. Come tanto que sua pele não suporta mais. Nós, humanos, nunca somos perturbados por este tipo de dificuldade, porque nossa pele se expande à  medida que nosso corpo cresce.  A pele da lagarta, porém, permanece inelástica, enquanto o corpo engorda. Por isso, deve-se dizer literalmente que a lagarta come até rebentar, isto é, ela rompe a pele e sai fora  dela.  Enquanto isso, uma pele nova e mais larga cresceu por baixo da velha. Em breve, porém, a mesma dificuldade ocorre de novo, e outra mudança se opera, até que a lagarta tenha mudado de pele cerca de cinco vezes. Neste ponto a lagarta encolhe-se, enruga-se e parece estar pronta para morrer. E  então ocorre o milagre. A pele racha pela última vez, mas por baixo dessa pele não encontramos mais outra pele de lagarta, e sim uma criatura de aspecto estranho, que não tem boca, nem pés, nem olhos. Essa existência cataléptica, em estado de crisálida, pode durar somente dez dias, ou pode durar do outono de um ano até o verão seguinte.”

Este é o período que simboliza o repouso entre uma vida e outra, entre uma dimensão e outra.





Henry Thomas prossegue:

“Quando a época de renascer chega afinal, o estupendo processo se realiza quase que subitamente. A pele da crisálida rasga-se e uma criatura, úmida e frágil, esforça-se por obter ar livre, procurando um lugar ao sol, onde possa ficar pendurada pelos pés.  Agita e desdobra suas asas enlameadas e injeta-lhes sangue. Depois de uma hora ou mais, as asas gradualmente secam e tornam-se menos enrugadas.  E então, quase num abrir de olhos, o inseto já está completamente limpo e você poderá ver diante de si uma esplêndida borboleta. Poderá ter asas azuis do tom mais puro, ou flamantes asas vermelhas, ou combinações inumeráveis de cores, tintas e matizes. A lagarta rastejante e feia renasceu, na forma de uma  das mais belas criaturas de Deus: a alada flor dos ares.” [3]

A teosofia explica que Deus monoteísta é uma invenção humana que só existe nas igrejas e na imaginação do público leigo. O que há de fato é uma imensa pluralidade de inteligências divinas, e uma Lei Universal Impessoal e eterna, a lei do Equilíbrio e da Justiça.





De que modo a borboleta é um símbolo da reencarnação humana?





A sucessiva troca de peles da lagarta corresponde à troca da infância pela condição de adulto jovem, pela meia idade, pela velhice, e pela velhice extrema.

A ponte ou escada que liga a alma imortal à alma mortal, e que une os estados de sonho, sono e vigília, é chamada em teosofia de Antahkarana.

Graças a ela, podemos desenvolver gradualmente uma consciência da continuidade de todos os estados mentais ao longo das 24 horas do dia, e ao longo de várias vidas.





Esta ponte entre  mundos também é chamada de “Escada de Jacó”, na imagem simbólica de Gênesis, 28: 10-13. Ela possibilita compreender o processo do renascimento, porque um dia de 24 horas inclui uma pequena reencarnação: a cada manhã, voltamos renovados.





NOTAS:


[1] Chuang-tzu, citado por Lin Yutang em sua obra “A Importância de Compreender”, Círculo do Livro S.A., SP, 458 pp., ver p. 95.


[2] “Dicionário de Mitologia Grega”, Ruth Guimarães, Cultrix, 318 pp., item “Psiquê”,  p. 267.


[3] “As Maravilhas do Conhecimento Humano”, Henry Thomas, vol. II, Edição da Livraria do Globo, Porto Alegre, 1941, 400 pp., ver pp. 312-313.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Porta para o Infinito (Relatos de Poder)..........



Carlos Castaneda – frases de Don Juan Matus – Porta para o Infinito (Relatos de Poder) – parte I
A autoconfiança do guerreiro não é a mesma que a do homem comum. Este busca a certeza aos olhos do espectador e chama a isso autoconfiança. O guerreiro busca a impecabilidade a seus próprios olhos e chama a isso humildade. O homem comum está agarrado a seus semelhantes, enquanto o guerreiro só se agarra a si mesmo. Talvez você esteja perseguindo uma quimera. Busca a autoconfiança do homem comum, enquanto devia estar atrás da humildade do guerreiro. A diferença, entre os dois é notável. A confiança em si significa saber algo com certeza; a humildade significa ser impecável em suas ações e sentimentos.

Não importa o que se revela e o que se guarda para si. Tudo o que fazemos, tudo o que somos, reside em nosso poder pessoal. Se temos o suficiente, uma palavra que nos for pronunciada pode ser suficiente para mudar o rumo de nossas vidas. Mas, se não tivermos suficiente poder pessoal, o fato de sabedoria mais magnífico nos poderá ser revelado sem que tal revelação faça a menor diferença.
Cada guerreiro tem seu modo próprio de sonhar. Cada modo é diferente. A única coisa que todos temos em comum é que fazemos truques para nos obrigar a abandonar a busca. O antídoto é insistir, apesar de todos os obstáculos e desapontamentos.
Se quisermos ter êxito em alguma coisa, o sucesso deve chegar devagar, com muito esforço, mas sem tensões nem obsessão.

Um guerreiro aceita seu destino, seja qual for, e o aceita na mais total humildade. Aceita com humildade aquilo que ele é, não como fonte de pesar, mas como um desafio vivo. É preciso tempo para cada um de nós compreender este ponto e vivê-lo plenamente. Eu, por exemplo, detestava a simples menção à palavra humildade. Sou índio, e nós índios sempre fomos humildes e nunca fizemos outra coisa senão curvar a cabeça. Pensei que a humildade não fazia parte da vida de um guerreiro. Mas estava enganado.

 Hoje sei que a humildade do guerreiro não é a humildade de um mendigo. O guerreiro não curva a cabeça para ninguém, mas ao mesmo tempo não permite que ninguém curve a cabeça para ele. O mendigo, ao contrário, prostra-se de joelhos por qualquer coisa e lambe as botas de quem quer que ele considera superior, mas, ao mesmo tempo exige que alguém que ele considera inferior lhe lamba as botas.

Foi por isto que eu lhe disse que eu não sabia como se sentiam os mestres. Só conheço a humildade do guerreiro e isto nunca permitirá que eu seja mestre de alguém. Você gosta da humildade de um mendigo. Curva a cabeça diante da razão.
A liberdade é dispendiosa, mas o preço não é impossível.
Nós todos passamos pelas mesmas funções. O único jeito de vencê-las é persistir em agir como guerreiro. O resto vem sozinho e por si. O resto é o conhecimento e o poder. Os homens de conhecimento possuem ambos. No entanto, nenhum deles poderia dizer como os adquirira, a não ser que continuou a agir como guerreiro e, num dado momento, tudo se modificou.

Um guerreiro deve ficar calmo e controlado e nunca deve perder o pulso.
Eis o defeito das palavras. Sempre nos obrigam a sentir-nos esclarecidos, mas, quando nos viramos para enfrentar o mundo, elas sempre nos falham e terminamos enfrentando o mundo como sempre o fizemos, sem esclarecimento. Por este motivo, o feiticeiro procura agir em vez de falar e para isso ele consegue uma nova descrição do mundo: uma nova descrição em que falar não é assim tão importante, e em que novos atos têm novos reflexos.

Um guerreiro começa com a certeza de que seu espírito está desequilibrado; aí, vivendo num controle e consciência completos, mas sem pressa nem compulsão, ele faz o máximo para conseguir esse equilíbrio.
Não fique nervoso. Nada há neste mundo que um guerreiro não possa enfrentar. Entenda: um guerreiro já se considera morto, de modo que nada tem a perder. O pior já lhe aconteceu, e portanto ele está lúcido e calmo. A julgá-lo por seus atos ou suas palavras, nunca se suspeitaria de que ele tenha presenciado tudo.Sempre que o diálogo interno pára o mundo entra em colapso, e facetas extraordinárias de nossos seres emergem, como se tivessem sido mantidas numa guarda severa por nossas palavras. Você é o que é porque diz a si mesmo que é assim.
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